Como eu invisto meu dinheiro em época de eleições

Sílvio Guedes Crespo

04 Setembro 2018 | 09h28

Aqui eu vou contar o que eu faço para aproveitar oportunidades de ganhar dinheiro com investimentos em época de eleições.

Tudo o que eu vou dizer aqui não deve ser encarado como uma recomendação, muito menos como uma promessa de ganho. Se você seguir o que eu falar aqui, você pode ganhar dinheiro, mas também pode perder. Eu assumo esse risco, e se você decidir assumir também, é uma decisão sua. Inclusive sugiro que, se não estiver claro para você os riscos da minha estratégia, converse com algum especialista antes de tomar suas decisões de investimentos, até que você tenha clareza do que está fazendo.

Também vale dizer que não estou criando nenhuma estratégia nova nem genial. É uma coisa que muitos investidores fazem, mas ao mesmo tempo, quem não está acostumado com o assunto, normalmente não conhece.

Basicamente, o que eu faço em época de eleições é aproveitar para comprar ações de empresas boas nos momentos em que a Bolsa de Valores tem quedas acentuadas.

Eu parto do princípio de que o chamado “mercado” em alguns momentos é pessimista além da conta em relação a candidatos com tendência maior de intervenção do Estado na economia.

Dito de outra forma: na minha visão, os investidores têm medo demais de determinados candidatos. Um candidato mais intervencionista pode subir nas pesquisas e assustar o mercado. Mas primeiro que alta nas pesquisas não significa vitória certa. Segundo que, mesmo que um candidato intervencionista ganhe, ele não vai governar sozinho.

A minha expectativa é de que um candidato intervencionista, se eleito, vai montar uma equipe econômica moderada, ou mesmo pró-mercado, como fez o Lula em 2003. Depois do erro da Dilma Rousseff, que terminou em um impeachment, estou apostando que o próximo presidente, mesmo se for alinhado com grupos de esquerda, vai procurar manter um nível mínimo de ortodoxia econômica de modo a não melindrar demais o mercado.

Vale dizer que eu invisto com um horizonte de longo prazo. Não tenho interesse em vender ações antes dos próximos dez anos.

Isso quer dizer que, mesmo que tenhamos um presidente intervencionista, e mesmo que ele resolva adotar uma política econômica muito heterodoxa ou aventureira, em algum momento a situação tende a se normalizar. Pois se a economia for um fiasco total, provavelmente o presidente não se reelegerá. Sei que alguma pessoas são céticas em relação a isso. Sei que muita gente acredita que a população pode reeleger o presidente mesmo em um momento de grave crise. Eu concordo que esta chance existe, mas estou disposto a correr esse risco.

Além disso, meu foco não é prever o futuro político e especular financeiramente em cima disso. Meu foco é: escolher ações de boas empresas. Ações que, como todas, podem ter oscilações devido a questões políticas. Mas que, apesar disso, são bem administradas e fazem parte de setores com bom potencial. São ações que, apesar do cenário cenário político, tendem a se sobressair no longo prazo.

Antes que você pergunte quais ações são essas, vou reforçar que não faço recomendações de ações específicas. Eu mesmo, vou ser sincero com você, não perco tempo analisando ações. Prefiro assinar serviços de analistas, ler os relatórios deles e seguir as recomendações que fazem sentido para mim.

Na minha visão, não seria racional eu mesmo analisar empresas, uma vez que existem empresas que fazem só isso. Elas têm equipes de especialistas que ficam o dia inteiro estudando informações de um setor específico, ou até de uma empresa específica. Acho mais racional pagar pelo serviço deles do que redescobrir a roda diariamente.

Então, o que estou compartilhando aqui é simplesmente a estratégia que eu uso em época de eleições, e que pode ser útil para investidores que têm perfil como o meu. E a estratégia, resumindo, consiste no seguinte: definir um montante que estou disposto a investir em ações; deixar esse montante “parado” em uma aplicação de baixo risco e resgate imediato (como um fundo do tipo DI); e “dar o bote” nos momentos em que o “mercado” ficar desesperado e a Bolsa cair. Eu já deixo separada a lista das ações que eu vou comprar caso o mercado entre em desespero.

Mas não se esqueça de que estou investindo a longo prazo, estou ciente dos riscos e estou disposto a corrê-los; e acredito que, a longo prazo, boas ações tendem a ter um bom resultado, mesmo que no meio do caminho elas possam cair várias vezes por motivos diversos, como a questão política. Se para você esses pressupostos não estão claros ou se não concorda com eles, sugiro que não tome uma decisão antes de clarear o assunto. E se está em uma dúvida cruel, a minha sugestão é sempre: comece. Comece, mesmo que com um valor irrisório, apenas para você sair do mundo da abstração e perder o medo de investir. A meu ver, para investir bem o caminho não é saber tudo e depois dar o primeiro passo. É aprender um pouco, investir um pouco, aprender mais, investir um pouco mais e melhor, e assim por diante.

De novo: está não é a única nem necessariamente a melhor forma de investir em época de eleições. É apenas a melhor forma que encontrei até hoje para o meu perfil e os meus objetivos. Espero que sirva para você como reflexão.

Mais um adendo: não faço isso com 100% do meu dinheiro. Deixo intacta a minha reserva de emergência e valores que já têm destino certo. Esse investimento de ações eu faço apenas com parte das minhas aplicações de longo prazo, com objetivo de aposentadoria.

Um abraço e bons investimentos!