Jovens deixam de ganhar até R$ 23 mil ao gastarem dinheiro com roupas

Jovens deixam de ganhar até R$ 23 mil ao gastarem dinheiro com roupas

Sílvio Guedes Crespo

29 Maio 2018 | 12h15

Viralizou na internet esses dias um vídeo em que alguns jovens dizem que as roupas e acessórios que estão usando custam milhares de reais – em alguns casos, mais de R$ 15 mil.

No vídeo, um jovem diz estar vestindo uma camiseta de US$ 1.000, uma calça de US$ 1.500 e diversos outros acessórios que, juntos, somam R$ 12.650 dólares. Em reais, isso dá R$ 47.185, considerando a cotação atual do dólar.

O caso desse rapaz é o mais extremo. Na média, as nove pessoas que aparecem no vídeo estão “vestindo” R$ 12.108 cada uma.

Ao assistir, me veio à cabeça o seguinte: quanto será que essas pessoas ganhariam se, em vez de gastar em roupas, investissem esse dinheiro?

Os resultados você vê abaixo.

Se tivessem aplicado na poupança há 12 meses, hoje teriam R$ 699 a mais. Já no Tesouro IPCA, um dos títulos do Tesouro Direto, o ganho seria de R$1.038.

Investindo no Ibovespa, que representa as ações mais negociadas da Bolsa de Valores, o ganho seria de R$ 1.889 nos últimos 12 meses. E se o dinheiro tivesse sido colocado em ações da empresa Magazine Luiza, o lucro seria de R$ 23.155.

Claro que um ganho como o das ações da Magazine Luiza é atípico. Mas é possível.

Devo dizer, ainda, que esse post é apenas uma curiosidade. Não estou recomendando que as pessoas invistam o dinheiro em vez de gastar. Na verdade, ter dinheiro não faz sentido se não for para usar de alguma forma, e cada um usa como prefere.

Porém, quero chamar atenção aqui para uma coisa que muita gente não percebe. É o fato de que, quando a gente gasta dinheiro, a gente está não só tirando do bolso um valor, mas também deixando de ganhar um rendimento.

Esses R$ 12 mil que as pessoas estão vestindo poderiam significar, em um prazo de 12 meses, milhares de reais a mais na conta bancária.

Não sei qual é a renda dessas pessoas e nem quais os seus objetivos financeiros e de vida. Por isso não posso falar sobre elas, mas posso falar sobre mim.

Há muitos anos eu não ligo para roupa de marca, e por causa disso sempre consegui gastar menos dinheiro do que eu ganho. Na minha vida, sempre procurei guardar (investir) uma parte relativamente grande da minha renda (de 20% a 50%). Esse hábito de guardar dinheiro todo mês é o que me dá a segurança de que, se um dia eu não puder ou não quiser mais trabalhar, ainda assim terei qualidade de vida.

Então fica a dica aqui: quando você for gastar dinheiro, seja em uma roupa, em um carro ou qualquer bem que não vá gerar uma receita, lembre-se de que você não está só gastando o dinheiro que sai da sua conta bancária; você está também deixando de multiplicar esse valor.

Não que a multiplicação do dinheiro deva ser um fim em si mesmo. Mas eu não abro mão de ter qualidade de vida no futuro, e isso exige construir e administrar uma boa reserva financeira para aposentadoria.