Quanto investir em renda variável?

Sílvio Guedes Crespo

11 Setembro 2018 | 09h54

Você já se perguntou quanto do seu patrimônio você gostaria de investir em renda variável? (Aprenda em 1 minuto o que é renda variável.)

Essa é uma dúvida típica de quem já concluiu que as aplicações de baixo risco não são suficientes para as suas necessidades, objetivos ou ambições.

A pergunta exata costuma ser: “Quanto por cento do meu dinheiro devo colocar em aplicações de risco médio e alto?” Nas conversas com meus clientes, vejo que essa é uma dúvida que gera muita ansiedade. Se você quer acabar com essa ansiedade, leia este artigo até o fim.

Existem várias fórmulas prontas que você vai encontrar na internet, inclusive saindo da boca de grandes “gurus” de finanças pessoais. Por exemplo: 80 menos a sua idade, e o resultado é a porcentagem de quanto vai para renda variável. Se você tem 50 anos, então 30% vão para renda variável. Se você tem 20, então 60% ficam em renda variável. E assim por diante.

Só para avisar, essas fórmulas nunca deram certo para mim. E para ser transparente, nunca vi elas funcionarem para ninguém. Por quê? Por que cada pessoa tem os seus objetivos, as suas necessidades, o seu nível de tolerância a risco.

Resumindo, cada um tem a sua vida. Se você tem R$ 10 mil e precisa fazer um curso no ano que vem que vai custar esse valor, você não pode deixar nada em renda variável. Porque em renda variável, o seu patrimônio pode diminuir. Já pensou em colocar uma parte do dinheiro em ações e, no momento em que precisar pagar o curso, o valor caiu para R$ 9.000? E aí? Você vai deixar de fazer o curso?

Agora pense em uma pessoa que tem os mesmos R$ 10 mil e vai fazer uma viagem com a família, para algum lugar do Brasil. Digamos que a viagem vá custar entre R$ 8.000 e R$ 12 mil. Essa pessoa pode colocar parte do dinheiro em renda variável, se quiser. Isso faz sentido se ela pensar assim: “Bom, se o meu investimento cair para R$ 8.000, ainda estou feliz, pois poderemos fazer uma viagem agradável. Já se chegar a R$ 12 mil será sensacional, pois poderemos ficar em um hotel que de outra forma não seria acessível para nós”.

Então, dependendo de como a pessoa lida com o risco, e de quais são as suas necessidades, pode ser mais interessante ou menos interessante o investimento em renda variável.

Mesmo quando a gente fala em investimentos para aposentadoria, a necessidade de renda variável é diferente para cada pessoa.

Vamos pensar em uma pessoa de 30 anos, que está começando a investir para aposentadoria. Ela quer investir por 35 anos, até os 65. Pode-se dizer: “Olha, para essa pessoa pode ser interessante colocar 50% da sua poupança mensal em renda variável, pois ela tem tempo para recuperar o dinheiro em caso de crise.”

De fato, ela tem tempo para recuperar. Mas por que 50%, e não 80% ou 40%?

A única pessoa que pode responder isso é o próprio investidor. Só ele conhece a sua necessidade e a sua tolerância a risco.

Aqui você pode estar se perguntando: “Mas eu deveria saber isso? Eu não entendo de investimentos. Eu não tenho a menor ideia. Quem tem que me dizer isso é você, que é o especialista”.

Errado. Com os meus clientes eu nunca digo quanto eles devem investir. O que eu faço é ajudá-los a identificar a proporção em renda variável que é a melhor para eles.

E o mais curioso é que identificar isso é muito simples. Para você encontrar a proporção em renda variável ideal para você, a única coisa que você precisa fazer é começar investindo pouco dinheiro.

Por exemplo, vamos supor que você tem R$ 100 mil e quer colocar uma parte disso em renda variável. Só que você não sabe bem se coloca 10%, 20%, 40% ou mais. Como você faz para decidir?

Simples: você começa com um valor que seja pequeno dentro do seu patrimônio. Pequeno quanto? Pequeno na sua opinião. Você começa com um valor que você não se importaria em perder. Digamos que, dentro de um patrimônio de R$ 100 mil, você se sinta confortável começando com R$ 1.000 em ações, R$ 1.000 em fundos imobiliários e R$ 500 em criptomoedas.

Com o tempo, você vai vendo o quanto o seu dinheiro oscila. Naturalmente, você vai começar a se informar mais sobre os seus investimentos. Você vai se perguntar: “Poxa, por que caiu 30% só nesse mês? Será que vai se recuperar? Será que é um bom momento para comprar?”

E assim, conforme você aprende, você se sente mais à vontade e mais confiante para decidir se aumenta ou não a proporção. O grande erro das pessoas é achar que elas precisam tomar essa decisão de uma vez e não podem nunca errar.

Muita gente acredita que primeiro precisa entender muito de finanças, para depois tomarem as decisões, sem risco de errar. Na verdade, o processo é diferente. É muito mais parecido com aprender a andar de bicicleta do que, digamos, aprender a fazer uma cirurgia. Você pode cair da bicicleta quantas vezes for preciso, desde que não esteja em alta velocidade em uma avenida movimentada.

Nos investimentos, é a mesma coisa. Você pode errar quantas vezes for preciso. Desde que comece arriscando um valor baixo, com o qual você esteja confortável. Preparado?

Um abraço e bons investimentos!