Você tem mais de 1 plano de previdência? Fique atento

Sílvio Guedes Crespo

24 de julho de 2018 | 10h17

Uma coisa que me surpreendeu quando eu comecei a trabalhar com planejamento de aposentadoria foi a quantidade de pessoas que tinham mais do que um plano de previdência privada.

Quando as pessoas abrem para mim a carteira de investimentos delas, é bem comum que elas tenham dois, três, quatro ou até mais planos (veja em 1 minuto qual é o problema nisso).

E o mais surpreendente não é nem a quantidade de planos, e sim o fato de que, quando eu pergunto por que eles escolheram o investimento, em geral a resposta é: “O gerente falou que era bom”.

Em primeiro lugar, seja quais forem os investimentos que você tem na sua carteira, o mais importante de tudo é você ter clareza do porquê daquelas escolhas. Precisa estar cristalino na sua mente o motivo de ter aquelas aplicações.

Para saber se você está investindo bem, faça a si mesmo a seguinte pergunta: “Por que eu coloquei meu dinheiro nessas aplicações?”. E a resposta deve ser: “Porque, entre as opções que estavam dentro do risco que eu estou disposto a correr e dentro do prazo que eu estou disposto a esperar, esta era a mais rentável no momento em que eu apliquei. Ponto”.

Pois bem. Isso posto, dá uma olhada no que significa investir em planos de previdência privada sem analisar direito.

Um leitor meu certa vez informou que tinha R$ 325 mil em um fundo de previdência complementar que cobrava uma taxa de administração de 2% ao ano. Ele estava pagando R$ 6.500 por ano para uma equipe de gestores pegar o dinheiro dele e colocar em aplicações de baixo risco, como títulos do Tesouro, CDB, LCA, LCI etc.

Se ele deixasse o dinheiro lá por dez anos, pagaria acima de R$ 65 mil para o banco. Mas como ele é jovem e tem objetivo de prazo bem longo, em torno de 30 anos, ele deixaria cerca de R$ 200 mil nas mãos da instituição financeira, somente em taxa de administração, cerca de R$ 200 mil, se continuasse nesse plano. E isso sem fazer novos aportes.

Investindo essa mesma quantia diretamente aplicações de baixo risco, como títulos do Tesouro, em vez do fundo de previdência, já não se pagaria essa taxa de R$ 65 mil ao ano, ou R$ 200 mil em 30 anos, dependendo da corretora (hoje a maioria tem taxa zero para o Tesouro Direto).

E olha que estou dando como exemplo a aplicação mais segura do mercado, que são os papéis do Tesouro. Para quem está disposto a um pouco mais de risco, títulos privados podem trazer uma rentabilidade ainda maior, sem pagar aquela taxa.

Então, a dica que fica é: só invista em um fundo de previdência privada se tiver absoluta clareza de que ele é a melhor opção para você. O gerente do seu banco e o assessor da sua corretora são vendedores de investimentos. Eles são pagos pela instituição que ele representa, e não por você. Portanto, eles representam o interesse da instituição, que nem sempre coincide com o seu. Ou será que nunca te ofereceram um título de capitalização?