‘Margin Call’: veja o filme e reflita sobre sua carreira

Fernando Scheller

01 de fevereiro de 2012 | 12h26

Quem é esperto usa todas as oportunidades para refletir sobre a carreira. E um filme que passou rapidamente nos cinemas, mas já está disponível em DVD, permite justamente isso. Trata-se de “Margin Call, O Dia Antes do Fim”, escrito e dirigido por J.C. Chandor. É um retrato do que ocorreu em grandes bancos de investimento durante a crise de 2008. Ou seja: caso você não tenha noção da importância histórica da turbulência econômica iniciada pela quebra do Banco Lehman Brothers, em 15/09/2008, trata-se de uma sessão de cinema em casa duplamente útil.

O filme começa com um grande corte de custos em um banco de investimentos com filiais em diversas partes do mundo. Oitenta por cento dos funcionários são demitidos, incluindo o gestor de riscos da empresa, Eric Dale (Stanley Tucci). Ele está trabalhando em algo muito importante e, mesmo escoltado por seguranças para fora do prédio, arranja uma forma de repassar um pen drive com dados sobre sua última tarefa não terminada. Enquanto Sam Rogers (Kevin Spacey), chefe do departamento de renda variável, discursa sobre o valor dos funcionários que ficaram, o jovem Peter Sulivan (Zachary Quinto) resolve dar uma olhada nas informações deixadas pelo chefe demitido.

Nesses primeiros dez minutos, o filme já distribui algumas lições de carreira: 1) como se comportar em caso de demissão. Eric Dale, apesar da surpresa da dispensa, não se altera e simplesmente segue o protocolo a ele imposto (não há mesmo muito a fazer); 2) o mesmo Eric, ao repassar o pen drive a Peter, mostra que nem sempre o trabalho termina com o bilhete azul. Há tarefas importantes demais para serem ignoradas; 3) Sam discursa, tentando motivar a equipe que permaneceu (a interpretação de Kevin Spacey é brilhante, pois, como todo o gerente, ele acaba assumindo um personagem ao tentar motivar pessoas); 4) Peter realmente olha com cuidado as informações deixadas por Sam e descobre que o rombo é bem pior do que se poderia imaginar.

E isso é só o começo. Recheado de bons atores (Paul Bettany, Simon Baker, Demi Moore e um sensacional Jeremy Irons como o presidente da instituição), “Margin Call” é uma lição de carreira atrás da outra. Ao longo de um dia que parece nunca terminar (todos “viram” a madrugada no escritório), há decisões e acontecimentos que podem servir de reflexão ética, de trabalho em equipe, de retórica e até do momento certo em sair de cena. Na briga entre dinheiro e dignidade, como quase sempre acontece no mundo real, quase todos os envolvidos escolhem o primeiro. Ponto para o filme pelo choque de realidade.

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