Moral de “Wall Street 2”: não confie no seu mentor

Fernando Scheller

29 de setembro de 2010 | 15h54

Assisti esses dias a “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme”, sequência do filme de 1987 que deu o Oscar de melhor ator a Michael Douglas. E não pude parar de pensar na mensagem principal da produção: “não confie no seu mentor”.

De maneira (muito mal) disfarçada, o filme recria a situação econômica de setembro de 2008. Entre os casos citados com nomes trocados está a falência do banco Lehman Brothers.

O chefão do banco Keller Zabel (Frank Langella), fingindo que está tudo bem, dá um bônus de mais de US$ 1 milhão ao jovem Jake Moore (o chatíssimo Shia LaBeouf, que mais parece ator de filme de colegial do que sobre Wall Street), mesmo a instituição estando à beira da falência.

Dias depois, a bomba dos créditos imobiliários podres explode, e o Keller Zabel vai pelos ares. E o menino, que gastou mal o dinheiro (por confiar na instituição em que trabalhava), vê a poupança evaporar.

Carente de mentor (não vou explicar os motivos, caso você não tenha visto o filme ainda), Jake resolve correr para os braços justamente de Gordon Gekko (Michael Douglas, repetindo o papel de 23 anos atrás). A relação de confiança entre “pai” e “filho” mais uma vez não dá bons resultados.

E você, já teve um mentor? Acha que esse tipo de relação em que o chefe acaba carregando certos “afilhados” aonde quer que vá funciona? Já viu isso acontecer?

P.S.: Caso não tenha ficado claro, achei “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” um bom filme.

Apesar de o disfarce dos nomes reais dos bancos ser óbvio demais, há boas interpretações, ótimos takes de Nova York e nenhum medo em cair no melodrama (especialmente nas cenas entre Gordon Gekko e sua filha, vivida pela inglesa Carey Mulligan, a mesma que foi indicada ao Oscar este ano por “Educação”).

Como escroques venais, Michael Douglas e Josh Brolin (que vive Bretton James, outro capitalista selvagem) divertem a si mesmos e ao público também.

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