‘Quem tem um bar é maluco, quem tem dez bares vira empresário’

‘Quem tem um bar é maluco, quem tem dez bares vira empresário’

Claudio Marques

20 de outubro de 2011 | 06h23

 

Filho, neto e bisneto de comerciantes, Alvaro Aoas tem o tino do empreendedorismo impresso em seu DNA. Em trinta anos, montou e desmontou mais de 38 negócios nos mais diversos ramos como pastelaria, sorveteria, confecção, casa de forró e buffet infantil. Um dos estabelecimentos mais famosos que criou foi o Café São Paulo. Instalado no Largo Santa Cecília, o café fez sucesso na década de 1990 e recebeu desde músicos de jazz, blues e black music, até estrelas da MPB como Dori Caymmi, Claudete Soares e Jamelão. Aoas estava satisfeito com o negócio, mas numa noite de 1999, foi procurado por um senhor que lhe disse: só você pode reerguer o Bar Brahma e salvar o centro de São Paulo. Na época, o estabelecimento estava fechado e o prédio, na esquina das avenidas São João e Ipiranga, seria alugado para uma igreja evangélica.

Alvaro Aoas, dono do Bar Brahma. FOTO: AYRTON VIGNOLA/AE

Alvaro Aoas, então, abriu mão do Café São Paulo e, usando sua experiência de negociante nato, reabriu o Bar Brahma, em 2001, com a determinação de recuperar o ponto e todo o seu entorno.

Hoje, dez anos depois, aos 49 anos, Aoas é sócio da holding Grupo Ponto de Conexão (GPOC), dona da Fábrica de Bares, responsável por construir, ativar e operar os bares do grupo, que mantém operações na Vila Madalena, Moema e em vários shoppings. Além do Bar Brahma original, o grupo expandiu a marca para o Aeroclube de São Paulo e Brasília. “Até o final do ano vamos abrir outra filial em Alphaville e, em 2012, abriremos outras em Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Campinas.”
A GPOC tem, ainda, a BB House, que opera em camarotes de carnaval, e a BBS, que organiza shows. A holding mantém, ainda, sociedade com a Santarena, comercializadora de alimentos e bebidas em rodeios, que também atua na gestão de praças de alimentação em feiras de negócios e shows, participando de mais de 300 eventos por ano.
“Digo que quem tem um bar é maluco, quem tem cinco é escravo e quem tem dez bares vira empresário”, revela Aoas. Foi o que aconteceu com ele e seu sócio, Luiz Lacerda. “No Brahma, apareciam muitas oportunidades de negócios[TEXTO], até que um dia falei para o Luiz: temos de escolher se continuamos sendo donos de bar ou se viramos empresários.”
Para quem pensa em empreender, Aoas recomenda que preserve os relacionamentos, tenha competência e transparência, além de muita entrega ao trabalho. “Na vida, uso muito a matemática das atitudes. Se você tiver uma atitude por mês, em dez anos serão 120, se tiver dez por dia, em dez anos serão 36 mil. Usando a matemática das atitudes, não tem como não obter bons resultados.” Extrovertido, ele brinca: “Meu melhor balcão de negócios era meu próprio bar, um dia ainda vou ser dono de bar.”/CRIS OLIVETTE

 

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