A conectividade inserida nos negócios

A conectividade inserida nos negócios

Internet das coisas, que oferece ampla área de aplicação, pode facilitar o dia a dia de empreendedores e criar novas oportunidades

CRIS OLIVETTE

26 de abril de 2015 | 07h31

O vice-presidente de tecnologia da Totvs, Weber Canova

O vice-presidente de tecnologia da Totvs, Weber Canova

“A internet das coisas, (conhecida pela sigla IoT, do inglês Internet of Things) é muito mais do que uma revolução tecnológica. Fruto da evolução da computação e da comunicação, ela se tornou uma revolução social, com impacto direto na vida das pessoas, nos negócios e no comércio”, afirma o

Segundo ele, um dos protagonistas da nova era são os smartphones. “Nunca estivemos tão conectados com outras pessoas, ambientes, empresas e objetos. Além disso, sensores conectados estão se tornando muito populares e acessíveis em termos de preço.”

Canova afirma que o desafio do micro e pequeno empresário é ter curiosidade para descobrir como aproveitar essas tecnologias para ajudá-lo no dia a dia. “Será preciso identificar a melhor maneira de usar a interação que pode ter com os clientes. As variações são imensas, fica difícil traçar todos os cenários porque a IoT pode ajudar no monitoramento do comércio, no controle de trânsito das cidades, no acompanhamento da saúde das pessoas, nas atividades rurais etc”, diz.

Ele conta que a Totvs tem uma área só para identificar como encaixar as internet das coisas nos diversos segmentos. “É um assunto bastante quente aqui na empresa. Já desenvolvemos produtos para o varejo, microempresas, área jurídica e agroindústria. Temos, por exemplo, na parte de atendimento de enfermaria, uma solução que garante que o remédio correto está sendo dado na hora certa, na dose exata, para a pessoa certa”, diz.

A startup Denox é um exemplo de negócio que nasceu para oferecer soluções inteligentes para residências e empresas, tendo como premissa proporcionar tranquilidade ao cliente em qualquer hora e lugar. Segundo um dos sócios, Gustavo Travassos, a IoT abriu a possibilidade de os objetos nos enviarem informações sobre eles.

Um dos sócios da Denox, Gustavo Travassos exibe um modelo de rastreador

Um dos sócios da Denox, Gustavo Travassos exibe um modelo de rastreador

 

“Durante muito tempo tivemos de ir até as coisas físicas para ver se estava tudo bem. Agora, essas coisas transmitem dados para a internet e interagem conosco enviando e recebendo informações a todo o momento. É uma possibilidade riquíssima de extrairmos mais conforto, segurança e ciência no uso dos objetos.”

Travassos explica que quando se pensa em internet das coisas, tudo o que acontece está disponível em tempo real. “Essa é a riqueza do negócio. Com ela podemos atuar sobre problemas que antes a pessoa ficava sabendo muito tempo depois, quando já era tarde.”

Segundo ele, a empresa possui uma central responsável pela conectividade do local monitorado com a nuvem. “Nosso cliente pode estar em qualquer lugar do mundo e resolver problemas relacionados a segurança, pois tem acesso a imagem de câmeras instaladas em sua residência ou empresa. Também tem automação para controlar equipamentos, ligar e desligar coisas, alimentar animal doméstico, gerenciar pessoas. Pode saber, por exemplo, se os funcionários estão na loja, tudo isso em tempo real.”

O empresário afirma que os serviços oferecidos pela Denox são bem acessíveis. “O usuário pode comprar os equipamentos ou pagar uma mensalidade pelos serviços. O custo do kite básico de segurança é a partir de R$ 39,90. Se ocorrer algum movimento no interior da residência o proprietário é avisado em seu smartphone e por e-mail.”

Plataforma faz gestão de clínica e de todos os dados de pacientes

Filho de médico, Thiago Delgado cresceu ouvindo o pai reclamar das dificuldades enfrentadas na administração de sua clínica. “Fazer a gestão do negócio sempre foi o ponto fraco dos médicos”, afirma.

Formado em marketing e com experiência profissional em empresas de tecnologia, ele criou a Medicina Direta para desenvolver soluções voltadas a estes profissionais. “Oferecemos soluções para clínicas e consultórios que facilitam a administração do negócio e a gestão de paciente. Tudo é feito pela internet, em sistema de nuvem.”

Thiago Delgado

O fundador da Medicina Direta, Thiago Delgado

 

Segundo ele, a tecnologia permite que o médico acesse o prontuário eletrônico e o controle financeiro da clínica tanto pela internet quanto por iPhone e iPad. “Um médico a caminho do centro cirúrgico pode consultar todo o histórico do paciente”, diz.

Delgado afirma que cada vez mais esses profissionais documentam as cirurgias para compartilhar as imagens com colegas e alunos. “Se estiver realizando a remoção de tumor e um assistente fotografar o procedimento usando o seu celular ou tablet, um colega que esteja em um outro hospital terá acesso imediato às imagens. ”

Ele conta que a Medicina Direta desenvolveu uma tecnologia, em parceria com a Cielo, que permite realizar cobrança por meio de cartão de crédito sem usar a máquina de cartão.

O empresário diz que a empresa também cria sites para médicos que são integrados à plataforma de prontuário eletrônico. “O site conversa com a plataforma, e é otimizado para que pacientes e potenciais pacientes encontrem o médico ao realizarem pesquisa no Google. Agora, estamos desenvolvendo uma solução de acesso à agenda e para marcação de consulta online”, conta.

Delgado ressalta que além das facilidades, a solução digital ajuda a economizar espaço na clínica, pois elimina arquivos físicos. “Sem contar a agilidade para localizar os dados”, diz.

Ele conta que o negócio começou a ser planejado em 2011 e está em atividade desde 2013. “Estamos com mais de 500 usuários e já alcançamos o ponto de equilíbrio. Os maiores usuários são urologistas, cardiologistas, neurocirurgiões, cirurgiões plásticos e obstetras.”

O empresário diz que a plataforma usada pela Medicina Direta tem certificado de segurança SSL. “Além de oferecer maior disponibilidade de acesso, o sistema em nuvem é mais seguro. O certificado SSL é o mesmo usado pelos bancos na internet. As informações ficam armazenados em dois datacenters, o que garante 100% de integridade dos dados” afirma.

Pesquisador do MIT foi o primeiro a usar a expressão

O termo internet das coisas, do inglês Internet of Things (IoT), foi usado pela primeira vez pelo pesquisador britânico do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Kevin Ashton, em 1999. Em entrevista à revista Inovação em Pauta, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o cientista diz que a expressão se baseia na ideia de que presenciamos o momento em que duas redes distintas – a rede de comunicações humana, exemplificada pela internet, e o mundo real das coisas – precisam se encontrar. “Um ponto de encontro onde não mais apenas ‘usaremos um computador’, mas onde o ‘computador se use’ independentemente, de modo a tornar a vida mais eficiente. Os objetos – neste caso as ‘coisas’ – estarão conectados entre si e em rede, de modo inteligente, e passarão a ‘sentir’ o mundo ao redor e a interagir.”