‘A execução importa mais do que a ideia’, diz fundador da DogHero
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘A execução importa mais do que a ideia’, diz fundador da DogHero

Eduardo Baer diz que a DogHero tem 15 mil anfitriões cadastrados para receber pets

Claudio Marques

14 Janeiro 2018 | 07h02

Eduardo Baer, sócio-fundador da startup Foto: Igor Pratis

Bianca Soares, especial para O Estado

Eduardo Baer, de 33 anos, estava quase de malas prontas para voltar ao Brasil depois de dois anos de MBA na Universidade de Stanford, na Califórnia, quando começou a planejar a nova fase de sua vida. Moraria sozinho pela primeira vez, procuraria um novo emprego e, finalmente, teria um cachorro. Ele lembra que a ideia do animal de estimação foi aprovada com ressalvas pela namorada. “Exige muito cuidado e nós viajamos bastante. Com quem ele vai ficar?”, ela perguntou, conta Baer.

A observação o fez pensar e, para se adiantar aos problemas, procurou amigos que tinham pets. Ouviu que encontrar anfitriões para o bichinho geralmente era um desafio, e que canis não eram recomendados por falta de cuidado personalizado. “Fui, então, falar com colegas americanos, que me disseram usar um aplicativo para encontrar pessoas disponíveis (para cuidar dos bichos).”

Ainda nos Estados Unidos, Baer começou a pesquisar o mercado pet no Brasil e vislumbrou um segmento para empreender. “Temos 52 milhões de cachorros no País, mais do que crianças até 14 anos.”

O interesse pela economia compartilhada e a experiência com a criação de aplicativos – Baer foi um dos fundadores do iFood, de entrega de refeições – impulsionaram o surgimento, em 2014, da DogHero, serviço de hospedagem de cães. A lógica é simples: pelo app, quem precisa deixar seu cachorro com alguém encontra anfitriões disponíveis para recebê-lo.

Para a empreitada, o jovem convidou o colega Fernando Gadotti, que também estava em Stanford para um MBA. O capital inicial, que financiou os oito primeiros meses do negócio, veio de investimentos feitos por profissionais da rede de contatos da dupla. Em seguida, vieram mais duas rodadas de investimentos dos fundos Kaszek Ventures e Monashees. O primeiro aporte, de R$ 1,5 milhão, ocorreu em 2015 e o segundo, de R$ 10 milhões, em 2016.

Eduardo com o sócio, Fernando Gadotti Foto: Igor Pratis

Hoje, a empresa que começou com apenas um funcionário, além dos donos, tem 35 colaboradores. Em três anos de operação, foram feitos 320 mil downloads do aplicativo. E a rede de anfitriões é formada por 15 mil pessoas de 650 cidades brasileiras. A startup não revela quantas hospedagens são feitas ao ano, mas diz reter 25% do preço de cada estadia, que custa em média R$ 55 a noite.

Por trás do crescimento veloz está um planejamento cauteloso, diz Baer. “Sempre dosamos o investimento segundo a evolução da empresa. Geralmente, é nesse ponto que iniciantes erram, pois acham que é necessário ter R$ 50 milhões para levantar um negócio.”

A pergunta feita no começou foi: de quanto dinheiro precisamos para os próximos 18 meses? Os sócios trabalharam com a resposta e, após resultados, buscaram novos ciclos. A seguir, trechos da entrevista:

O despertar. Sempre tive vontade de empreender. Comecei aos 14 anos, fazendo sites para baixar música. Depois da faculdade me envolvi em outros projetos, até que decidi fazer o MBA. Minha experiência no Vale do Silício foi excelente, porque eu era bombardeado de ideias o tempo todo. E aprendi a executá-las: como pensar o meu negócio, como recrutar e estimular meu time etc.

Arriscar. Existem algumas coisas em que acredito profundamente. Uma delas é que a ideia em si não tem muito valor, o que conta é a execução. Como você monta uma equipe capaz de entender e resolver o problema do cliente? A nossa filosofia é errar rápido, barato e pequeno. E esse processo tem de ser constante. Nossa operação na Argentina (a startup está presente em 15 cidades do país), que começou ano passado, é um exemplo. Aprendemos algumas coisas, está indo muito bem e já nos deu indicativo de expandir para o México em breve.

Desafio. O nosso maior desafio é a construção da confiança, porque o cachorro é um membro da família. O cliente quer ter a certeza de que o animal vai ser bem cuidado. Então, como você constrói uma rede de 15 mil anfitriões de confiança?

O produto. Nossos anfitriões passam por um crivo, que consiste numa série de perguntas e avaliação da experiência deles com animais. Alguns já são excluídos por algoritmo. Depois, temos uma equipe que faz a análise dos perfis. E damos outras garantias, como assistência veterinária durante o período contratado. O anfitrião também se compromete a enviar ao dono fotos e vídeos do cachorro durante a estadia.