Acessório para dispositivos móveis oferece muitas oportunidades

Claudio Marques

08 de julho de 2013 | 08h03

Fernando Ladeira
ESPECIAL PARA O ESTADO
Há praticamente seis anos, Steve Jobs deu início a uma revolução no modo como usamos os telefones e como interagimos com o meio digital ao apresentar ao mundo o primeiro iPhone. Logo surgiram outros modelos, tablets e, principalmente, grandes lojas virtuais com aplicativos. Pouco se comenta, no entanto, sobre o grande mercado que há no mundo físico, o de acessórios criados para proteger e decorar esses aparelhos. E aí residem boas oportunidades de negócio para se explorar.
Esse não é um mercado desprezível para a economia, pelo contrário. Segundo a empresa norte-americana de inteligência de mercado ABI Research, o setor de acessórios vendidos em lojas movimentou no mundo US$ 36 bilhões no último ano. Até 2018, o número deve saltar para US$ 67 bilhões.
A dificuldade desse mercado está em saber como enfrentar a concorrência chinesa, que produz milhões de produtos a um custo muito baixo. Para o gerente de inteligência de mercado do Sebrae, Eduardo Pugnali, a palavra-chave é inovação. “A grande sacada do empreendedor é conseguir enxergar o que ninguém está enxergando.”
De olho nesse mercado, surgiu a Deco Skin. Fundada em 2011 no Morumbi Shopping, ela acaba de virar franqueadora, atuando em quiosques instalados em shoppings. O negócio utiliza um conceito já muito comum em carros, conhecido como “envelopamento”. Isso é, ela reveste todo o aparelho com um material que o protege de arranhões e sujeiras e, ao mesmo tempo, dá ao cliente a chance de personalizá-lo.
Esse processo leva aproximadamente duas horas em dias úteis e três horas nos fins de semana, diz o administrador da empresa, Pin Hsu. Segundo ele, a Deco Skin possui um banco com 10 mil imagens para o cliente escolher. “Mas ele também pode trazer fotos armazenadas em pen drives ou enviá-las por e-mail. Essa ideia veio do Japão, onde há uma mania pela personalização”, completa.
Hsu diz que a empresa fez um grande investimento inicial, mas não revela números. Até o momento, o retorno ainda não pagou o que foi aplicado, mas todas as franquias são lucrativas, garante. “Os resultados são satisfatórios”, diz.
Agora, o plano é ganhar dinheiro com a franquia. Para participar do negócio, o administrador diz que o custo gira em torno de R$ 125 mil, já com todo o material à disposição para trabalhar. Além disso, a Deco Skin sugere um capital de giro de R$ 35 mil, então o valor total do investimento é de R$ 160 mil.
Além de acessórios, alguns empreendedores veem oportunidades nos aparelhos. O fundador da UZ Games, Marcos Khalil, apostou, por exemplo, em permutas para colocar sua empresa no mercado de dispositivos móveis seminovos. A ideia, que será colocada em prática este ano, é de que os clientes troquem jogos e videogames por tablets e smartphones. O contrário também será possível.
Os produtos usados que os clientes quiserem trocar serão avaliados e devem ter desconto de 50% a 70% sobre o valor dos novos. A única exigência para a troca é que os aparelhos sejam homologados pela Anatel. Até mesmo produtos com a tela quebrada, por exemplo, serão aceitos. Para isso, a UZ Games conta com uma assistência técnica e oferecerá garantia de 90 dias.
Esse modelo já funciona nos Estados Unidos, com a Game Stop. Mas a grande sacada, lembra o fundador da UZ Games, é que, por aqui, a loja se tornou uma revendedora autorizada de Apple, então os clientes poderão trocar seus produtos usados por um novo. “Esse é o nosso diferencial, estamos sendo inovadores”, destaca.
O empreendedor, que já discute o projeto há um ano, conta que o investimento necessário é baixo, porque o modelo já funciona com os videogames – o sistema de avaliação é conhecido, assim como a assistência técnica atua com equipamentos semelhantes. A máquina para consertar a tela de LCD do iPhone, por exemplo, seria comprada para trabalhar com o PS Vita, um modelo de videogame portátil do Playstation.
Sem fronteiras. As portas que o mercado de tablets e smartphones abriram podem, inclusive, favorecer quem não atua no setor. A multinacional Kingston, por exemplo, está fechando centenas de parcerias com estabelecimentos de todos os tamanhos para vender cartões de memória e pen drives. O acordo mais recente foi fechado com a Galeria dos Pães.
Além de a Kingston aumentar suas vendas, o parceiro ganha uma nova fonte de renda e se diferencia de seus concorrentes ao oferecer produtos de tecnologia em uma padaria, alega o diretor responsável pela elaboração de estratégias de distribuição e varejo da empresa, Paulo Vizaco. Até o fim do ano, a companhia espera atuar em 700 pontos de venda, somente entre as lojas de conveniência.
As oportunidades, portanto, são bem diversificadas. Para o gerente de inteligência de mercado do Sebrae, Eduardo Pugnalli, o ponto de partida para a inovação é a segmentação e a regionalização. “A boa ideia nem sempre serve para todos.”

‘Setor ainda tem muito campo para ser explorado’

O professor da Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Silvio Sato, afirma que outro grande mercado a ser explorado no Brasil é o da personalização dos produtos. “Desenvolvemos afetividade com o smartphone muito maior do que com qualquer outro tipo de produto, e isso se reflete na maneira como decoramos o aparelho.” Sato acredita que ainda há muito espaço para novas ideias, principalmente na produção de capas para celular. A demanda é comprovada por estudo da consultoria IDC Brasil, que identificou que em 2012 foram vendidos 30 smartphones no País a cada minuto. Sato aponta o exemplo da China. “Quando estive lá, fiquei impressionado com a quantidade e variedade de capas. Muitas são inspiradas em personagens da televisão, tem as de linhas retrô, modelos ecológicos, além da personalização dos produtos para crianças, com molduras resistentes e materiais flexíveis”, conclui.

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