‘Anjo’ leva recursos e mentoria a startups
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‘Anjo’ leva recursos e mentoria a startups

Aporte inicial pode ser decisivo para que ideia saia do papel e vire negócio de sucesso; é importante levar em conta a bagagem do investidor

Claudio Marques

27 Dezembro 2016 | 06h54

Max Campos, CEO do hotel Quando. Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Max Campos, CEO do hotel Quando. Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Cris Olivette
Criado em outubro de 2014, o e-commerce Cheftime só se tornou realidade porque recebeu aporte de um investidor-anjo – pessoa que faz investimentos em empresas nascentes com um alto potencial de crescimento, como as startups. “Usamos os recursos para estruturar a empresa, que começou do zero. Investimos em marketing, desenvolvimento das operações e na compra de equipamentos”, conta a CEO, Daniella Quelho e Correa de Mello.
Segundo ela, o investimento foi crucial. “Não só pelo dinheiro, mas também pelo perfil complementar dos investidores, o que foi essencial para desenharmos um modelo de negócio de sucesso”, afirma.
Formada em administração e apaixonada por gastronomia, a CEO construiu sua carreira trabalhando com alimentos. “Hoje, fornecemos kits gastronômicos com ingredientes premium, incluindo um encarte com receita assinada por chef renomado e o passo a passo para o preparo do prato.” O negócio começou com três pessoas e hoje está com 20 funcionários.
CEO do Hotel Quando, Max Campos também teve apoio de investidor-anjo. Fundado em agosto de 2014 , o site de reservas de hotel por hora recebeu o aporte cinco meses depois. “Com o capital, aprimoramos a tecnologia e melhoramos a experiência do usuário. Fizemos integrações de sistemas fundamentais e ampliamos a base de hotéis”, diz Campos.
Para empreendedores que pretendem buscar esse tipo de investimento, ele diz que é importante levar em conta a bagagem do investidor e avaliar de que forma ele poderá ajudar no desenvolvimento do negócio. “Além do dinheiro, a essência do investimento anjo está na mentoria e no aprendizado que adquirimos.” O site tem 550 hotéis cadastrados e deve fechar o ano com faturamento de R$ 2,5 milhões. Em 2017, pretende iniciar expansão internacional.
CEO e fundador da Contabilizei, Vitor Torres conta que antes de buscar aporte para a empresa de contabilidade online fundada em 2012, ele iniciou aproximação com os investidores. “O relacionamento começou em 2013, mas só fechamos negócio em 2014. Muitos empreendedores só procuram o anjo quando realmente estão precisando do dinheiro e isso tira o poder de negociação do empreendedor, que precisa aceitar a proposta que tem na mão.”
Torres diz os investidores experientes e, mesmo que não seja o momento de investir, podem agregar conhecimento. “É uma troca, eles ajudam a empresa a crescer para que tenham oportunidade de investir. Se não tivesse tido o apoio que recebi estaria vários passos atrás.”
Com 92 funcionários, a Contabilizei se prepara para ampliar o alcance de clientes do ramo de comércio. Na área de serviços, foco inicial da empresa, atende companhias dos 30 maiores municípios do País.
Levantamento da Anjos do Brasil, entidade de fomento ao investimento anjo, aponta que no Brasil existem 7.260 investidores-anjo. Cada um deles tem intenção de investir R$ 234 mil até o final de 2017, um potencial de investimento em startup de R$ 1, 7 bilhão.
A entidade também apurou que 80% dos investidores-anjo são receptivos – só fazem aportes quando são procurados pelos empreendedores.
I investidor-anjo Guilherme Bonifácio diz que é muito gratificante acompanhar o crescimento do negócio e do time de gestão. “Sofro com os problemas e comemoro as conquistas junto com os fundadores. Tento ajudar com todo o aprendizado que acumulei empreendendo no iFood e no Rapiddo.”
Segundo ele, atuar como anjo é uma maneira interessante de retornar a sua experiência e capital para a sociedade. “O investidor-anjo é o primeiro a acreditar nas ideias que podem fazer o nosso futuro melhor, alimentando um ecossistema que gera inovação, empregos e valor para o País”, avalia.
José Roberto Schettino começou a fazer investimento anjo em 2012. “Já investi em doze empresas, dez no Brasil e duas no Vale do Silício (EUA). É muito bom ver prosperando negócios nos quais atuei como mentor e conselheiro. Eu me tornei investidor-anjo para usar meus 30 anos de experiência como consultor, trabalhando na Accenture, para ajudar as startups. Lógico que invisto para ter retorno financeiro, mas isto é consequência de um trabalho bem feito.”