As donas do negócio

As donas do negócio

Dona da Baggio Café oferece produto aromatizado; segundo Sebrae, 7,9 milhões de micro e pequenas empresas têm donas no comando

CRIS OLIVETTE

06 de março de 2016 | 07h35

Carol Loose, dona da Par- Filmes para Casamentos

Carol Loose, dona da Par- Filmes para Casamentos

Em 2012, Carolina Loose fundou a Par – Filmes para Casamentos. Hoje, ela produz mais de 40 filmes por ano. Formada em moda, exerceu várias atividades antes de empreender.
“Não tinha o sonho de ter um negócio. Queria trabalhar com produção de moda, mas o vídeo surgiu no meio do caminho e virou uma paixão, desde 2010.”

Carolina afirma que o fato de ser mulher agrada às clientes. “Acho que pela questão da sensibilidade, muitas noivas se tornam amigas ou ficam à vontade para abrir o coração. Isso me auxilia a captar a essência da pessoa, o que me ajuda na hora de registrar o evento.”

Segundo ela, o ponto forte de seu trabalho, na opinião dos clientes, é a delicadeza do resultado final. “Não fazemos um simples registro. Fazemos uma memória. Trabalhamos com a emoção e a estética.”
A empresária acredita que, aos poucos, as mulheres estão ganhado espaço e mais respeito no mercado.

Assim como Carolina, o Brasil possui 7,9 milhões de mulheres no comando de micro e pequenas empresas, o que representa 32% de um universo de 24,9 milhões de empreendedores. Os dados são do Sebrae que, com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, divulga dados relacionados ao empreendedorismo feminino.

Segundo o órgão, em 2003 a participação feminina era de 29%. De 2003 a 2014 houve aumento superior a 1,6 milhão de empreendedoras no País.

Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada recentemente, indica que metade dos empreendedores iniciais, com até três anos e meio de atuação no mercado nacional, são mulheres.

A fundadora da marca Baggio Café, Liana Baggio Ometto, diz que nada acontece sem ter sido sonhado antes. “É a dica que dou para quem quer montar um negócio.” Ela conta que sempre teve espírito empreendedor e vontade de fazer algo importante para beneficiar as pessoas, direta ou indiretamente.

Liana Baggio Ometto, dona da Baggio Café

Liana Baggio Ometto, dona da Baggio Café

Aroma. “Em 2006, comecei o negócio com a proposta de fazer um café gourmet de excelente qualidade e lançar produtos inovadores como cafés aromatizados.” Ela afirma que na época cafés aromatizados eram pouco apreciados no Brasil.

“Foi um desafio fixar essa ideia no mercado. Muitos diziam que ninguém tomaria esse tipo de café. Com muito trabalho conseguimos ganhar mercado. Hoje, somos muito fortes neste segmento e os aromatizados são bastante significativos no faturamento da empresa.”

Em 2015, a empresa recebeu da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC ), o prêmio de consistência e qualidade pela excelência e manutenção do sabor dos produtos por vários anos consecutivos.

Casada e mãe de dois filhos, Liana diz que consegue equilibrar todas as atividades diárias e não deixa que nada fique de lado. “A mulher tem mais paixão e mais cuidado com tudo que faz. Em geral é claro, pois existem as exceções.”

A garra empreendedora de Danyelle van Straten, sócia-diretora da Depyl Action, foi herdada de sua mãe, Glaci. “Ela era professora e uma empreendedora nata. Em 1980, ela resolveu empreender iniciando a produção de cera depilatória. Em 1983, fundou a indústria de cera natural.”

Danyelle Van Straten, da Depyl Action

Danyelle Van Straten, da Depyl Action

Exclusividade. Percebendo uma necessidade de mercado, Glaci decidiu oferecer uma solução completa às clientes, criando um espaço exclusivo para depilação. “Ela idealizou um local que oferecesse privacidade, higiene, conforto e bom produto aliado a bom serviço. Até então, só havia depilação em salões de beleza”, conta.

Ajudando a mãe desde os 12 anos, Danyelle e Glaci se tornaram sócias em 1996, quando criaram a franqueadora.
“Passamos a treinar as franqueadas e a fornecer a cera. Neste formato, o negócio tomou proporções que não imaginávamos e passei a me dedicar integralmente ao franchising.”

Danyelle conta que a marca é um negócio 100% feminino. “Só aceitamos mulheres como franqueadas. Temos desde donas de casa que nunca trabalharam, até ex-executiva de multinacional.” Hoje, a marca está em quase todos os Estados do Brasil. Em 2015, cresceu 19% e em 2016, espera crescer 15%.

“Nosso foco está na satisfação e lucratividade das franqueadas. Elas têm de estar satisfeitas para crescermos em bases sólidas.”

31% dos negócios de impacto social são geridos por mulheres

Diretora executiva da Artemisia – organização que fomenta negócios de impacto social –, Maure Pessanha conta que pesquisa coordenada pela entidade aponta que 31% dos negócios de impacto social no Brasil são geridos por mulheres.

“Mulheres possuem excelente visão de longo prazo, têm capacidade de resolução de conflitos, talento para comandar equipes multiprofissionais e empatia com problemas e desafios alheios”, diz.
Segundo ela, estas características são extremamente relevantes para empreendedoras que investem em empresas que oferecem, de forma intencional, soluções escaláveis para problemas sociais da população de baixa renda.

Diretora executiva da Artemisia, Maure Pessanha

Diretora executiva da Artemisia, Maure Pessanha

Na análise da executiva, um desafio que algumas empreendedoras enfrentam é dialogar ou buscar parcerias em setores dominados por homens, como investimentos. “Eu mesma já enfrentei comentários que sutilmente têm como pano de fundo a crença de que uma mulher não entende tão bem de investimentos”, afirma.

Maure recomenda a essas empreendedoras que sigam a intuição e não tenham medo de pensar grande. “Sensibilidade e a empatia são fundamentais para ter um olhar mais profundo sobre impacto social e refletir se o negócio realmente supre uma demanda de quem mais precisa”, diz.

Com o objetivo de desenvolver tecnologias para gerar impacto social, Renata Piazzalunga fundou, em 2003, o Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI). “Nossa proposta é aproximar pesquisadores de comunidades e lugares onde os problemas existem e aguardam solução. Hoje, atuamos nas áreas de educação, saúde e economia criativa.”

Fundadora do Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI), Tenata Piazzalungo com parceiro de negócios

Fundadora do Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI), Renata Piazzalunga com parceiro de negócios

Renata diz que um dos projetos resultou na indicação de criação de uma empresa que está sendo desenvolvida. “Ela vai oferecer sistema de alfabetização baseado em estudos de neurociência com o objetivo de melhorar o aprendizado. O produto será oferecido a escolas do Ensino Fundamental I.”

Segundo a empresária, o propósito do negócio é criar empresas e fazer delas um veículo de geração de renda, sempre revertendo porcentual para o fundo de pesquisa do IPTI. “Desde o início, já implementamos cerca de 30 projetos. Agora, estamos com projeto de educação em Sergipe, que tem 75 cidades e vamos impactar diretamente 32 municípios.”