Chupeta inteligente vence Senai Inovação

Seis equipes participaram da competição e tiveram 72h para criar protótipo capaz de se tornar um produto a ser lançado no mercado

Claudio Marques

06 Dezembro 2014 | 15h58

Equipes comemoram os resultados do Grand Prix de Inovação do Senai, realizado em São Paulo - FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

Equipes comemoram os resultados do Grand Prix de Inovação do Senai, realizado em São Paulo – FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

O projeto de uma chupeta inteligente, que mede a temperatura do bebê e envia as informações para celulares, foi o grande vencedor do Grand Prix Senai de Inovação, que a instituição considera como uma corrida de ideias de base tecnológica.
O projeto foi elaborado pela equipe Verdeperto, uma das seis que, em 72 horas, das 14 horas da última segunda-feira às 14 horas de quinta-feira, competiram para criar soluções de caráter industrial para desafios envolvendo os seguintes temas: uso racional da água, energia renovável, reaproveitamento de resíduos sólidos e segurança do trabalho. Ao fim daquele período, os participantes tinham de apresentar protótipos com viabilidade para se tornarem produtos.
No total, quatro projetos foram premiados, sendo três da equipe Verdeperto, que ficou com o primeiro, segundo e quarto lugares. Cada proposta vencedora receberá R$ 300 mil dentro do Edital Senai Sesi de Inovação para desenvolver o produto. Segundo a líder da equipe vencedora, a veterinária Stella Oliveira, do Senai de Mato Grosso do Sul, a chupeta foi desenvolvida pensando nos pais que precisam deixar um filho doente em casa para ir trabalhar. O invento recebeu o nome de Termo Pipo.
O segundo projeto premiado da equipe é o que prevê a utilização de escama de peixe como filtro para ser utilizado na indústria de frigoríficos. Nesse ramo, os resíduos orgânicos normalmente convergem para uma lagoa de tratamento que demanda uso de bioquímica de oxigênio, encarecendo o processo. O uso da escama torna o produto mais barato, diz Stella, que é pesquisadora industrial do laboratório aberto Senai Inovação.
Por fim, a equipe Verdeperto também emplacou o projeto que prevê a captação da água de chuva do topo de grandes edifícios para a ser conduzida por uma tubulação até uma turbina para geração de energia elétrica. A ideia é que a energia gerada seja utilizada para iluminação.
Além de Stella, fizeram parte da equipe Nathaly Moraes Silva, técnica em eletromecânica e aluna do Senai do Maranhão, Rafael Henrique Omodei, bolsista CNPq de análise e desenvolvimento de sistemas, Augusto Dettmann, engenheiro mecânico e pós-graduando do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Steve Ribeiro, empreendedor selecionado em parceria com o Programa Desafio Brasil da FGV, e Eduardo José Tonolli de Lima, técnico em Segurança do Trabalho, do Sesi. “Agora, vamos buscar as empresas para elaborar um plano de negócios”, afirma Stella.
A equipe Vermelha também foi premiada pelo o projeto “Tô de Olho”, um aplicativo de segurança para operação de máquinas de Controle Numérico Computadorizado (CNC), comuns no chão de fábrica. Quando a máquina é acionada, o aplicativo informa os equipamentos de proteção individual necessários para aquela atividade. Integraram o grupo Renato Bernardi, engenheiro da Rede Senai de Design e líder da equipe, Hadênia Rodrigues Ferreira, aluna do Inova Senai e técnica em informática e eletrônica, Fernando Porto Ataíde, bolsista CNPq formado em história, Herielton Luiz Bettini, engenheiro mecânico e pós-graduando do ITA, Alysson Queiroz, empreendedor, Flávia Távora Maia, engenheira de segurança do trabalho, do Sesi.
Competição. O Grand Prix ocorreu no WTC. Quem lá esteve pôde acompanhar em tempo real todo o processo de criação dos participantes, do esboço preliminar ao primeiro protótipo. Na arena de competição havia seis oficinas de trabalho de 20 metros quadrados para cada uma das equipes, todas de caráter multidisciplinar, que em suas estratégias deviam considerar técnicas de planejamento, gestão, execução e administração de tempo.
“Esta corrida de inovação é uma maneira de apresentar o Senai como agente inovador à indústria nacional, mas não somente isso. Nós apresentamos o Senai como um local onde novas empresas podem surgir, a indústria nacional do futuro”, afirma o coordenador geral do Grand Prix de Inovação do Senai, Marcelo Prim.
Ele diz que o evento pretende estimular a indústria a inovar e pretende quebrar o mito de que inovação é possível somente para grandes empresas. “O Senai está abrindo as portas para mostrar que os interessados podem utilizar nossos laboratórios, contratar nossos técnicos. Tudo está à disposição para que pequenas, micro e médias empresas também possam inovar para tornar a indústria mais competitiva.” / CLAUDIO MARQUES