Clube forma rede de contatos e conecta empreendedores

Clube forma rede de contatos e conecta empreendedores

Iniciativa de dois cariocas tem ajudado pequenos empresários a aprimorar a gestão corporativa e aumentar o faturamento mensal

CRIS OLIVETTE

20 de abril de 2015 | 11h30

Dona da agência digital Movementes, Mariana Simões

Dona da agência digital Movementes, Mariana Simões

Desde fevereiro de 2014, funciona no Rio de Janeiro um espaço batizado de Clube do Networking. No local, empreendedores se encontram semanalmente para trocar experiências, construir relação de confiança e ampliar a rede de contatos, para aumentar o fluxo de negócios.

Os grupos se reúnem uma vez por semana, das 9h às 12h, até somarem 12 encontros. Cada turma tem entre 15 e 25 empresários não concorrentes. O custo por participante é de R$ 2,1 mil, usados para pagar o aluguel da sala, café da manhã e material usado nas dinâmicas.

Mauricio Cardoso e Marcelo Derrosi, sócios há 15 anos na Effort Comunicação, de eventos corporativos, tiveram a ideia quando perceberam que mais de 90% de seus clientes tinham vindo por indicação. “Pensamos, então, o que fazer para acelerar esse processo e descobrimos que o nome disso é networking”, diz Cardoso.

Antes de criar o clube, porém, participaram de todos os eventos que tivessem a palavra networking no título. “Passamos dois anos frequentando esse eventos, mas se 1% deu resultado foi muito, e nos questionamos – o que realmente é networking? Concluímos que ele não é um acontecimento, ele ocorre quando alguém que tem um problema encontra quem tem a solução”, explica.

Ele diz que essa roda gira e um dia chega a sua vez de solucionar o problema de alguém. “Quanto mais pessoas eu conectar, melhor vai ser esse fluxo. Mas para que a rede de contatos funcione, deve haver doação, desejo de querer colaborar e ajudar as pessoas, além de confiança entre as partes.”

Foi assim que decidiram formar grupos de empresários, que convivem durante doze encontros, criando confiança mútua, além de entender as necessidades uns dos outros.

“Ao todo, já realizamos mais de 60 reuniões com cerca de 300 participantes. Depois de 12 semanas, passamos a realizar eventos quinzenais, reunindo pessoas dos diversos grupos. Alternamos encontros com um palestrante, com happy hour ou café da manhã”, conta.

A dona da agência digital Movementes, Mariana Simões, conta que ao concluir os 12 encontros, ingressou em outro grupo, e tem feito isso sucessivamente. Hoje, frequenta a quarta turma, além de ir aos encontros quinzenais. “Foi tudo muito vantajoso. Tive um grande amadurecimento como gestora. Em cada grupo vivo uma experiência completamente nova.” Mariana diz que muita coisa mudou em sua empresa com a experiência. “Posso dizer que devo 20% do faturamento de 2014 ao clube. Fechei 35 projetos, alguns anuais.”

Segundo ela, o participante não pode ter a expectativa de vender para alguém do grupo. “Fiz negócios com clientes e parceiros dessas pessoas. Claro que também fiz negócios com membros do grupo, mas grande parte foi por indicação. Em nove anos de atividade empresarial gastei muito dinheiro com publicidade, mas nada foi tão qualitativo quanto os negócios gerados no Clube do Networking. Esse foi o melhor investimento que fiz até hoje.”

Há dez meses, o fundador da Afamar Capital Humano, Adalberto Santos, participa de um grupo e recomenda que todos os empresários busquem experiências semelhantes. “Os empresários ficam ilhados em seu mundo e perdem a oportunidade de trocar experiências. Construí bons relacionamentos com profissionais de diversas áreas. É possível trocar conhecimentos, informações e vivências empresariais. Esses são aspectos muito positivos.”

Hoje, Santos conta com fornecedores parceiros que conheceu no clube. “Tive a oportunidade de conhecer mais intimamente fornecedores e prestadores de serviços que podem me auxiliar na gestão dos negócios e vice-versa.”

Ele diz que uma das atividades do clube é visitar empresas. “Essa troca é bastante incentivada para que possamos conhecer profundamente os negócios dos membros do clube. É um trabalho sério e tem me motivado bastante. Os negócios não acontecem simplesmente porque a pessoa entra em um clube desse tipo. Antes, tem de estreitar a relação.”

O buffet Personalité, fundado em 2010 por Fabio Amorim, teve aumento de 20% no faturamento mensal depois que o empresário ingressou no clube, há nove meses. “Mas acredito que o maior retorno é o aumento dos contatos. A possibilidade de novos negócios acaba sendo até mais interessante do que o retorno financeiro de curto prazo.”

Amorim diz que o Personalité atende pequenos eventos. “O nosso recorde foi um evento para nove convidados. Hoje, 40% do faturamento vem de eventos que reúnem de 15 a 20 pessoas. Não tenho concorrentes neste mercado”, afirma.  O site do clube é (http://effortcomunica.com.br/clubenetworking/)

 ENCONTRO INSPIRA NOVO NEGÓCIO

Glória Micaelo, empresária

Glória Micaelo, empresária

A experiência da empresária Glória Micaelo no Clube do Networking é um caso à parte. Ela participa das atividades desde o primeiro encontro. “Na primeira reunião fiz uma porção de críticas. Acho que o Mauricio (fundador do clube) pensou que eu não voltaria. Mas estou lá até hoje.”

Ela diz que as críticas foram construtivas e ocorreram porque esperava algo diferente. “O primeiro encontro foi muito tradicional. Mas depois descobri que o diferente foi sendo construído por todos do grupo. A proposta é colocada pelo clube, mas a montagem do que é esse diferencial de fazer networking surge de cada grupo. Estou extremamente satisfeita. Tanto que abri um negócio por conta disso.”

Glória tem, há oito anos, uma empresa que presta consultoria em planejamento estratégico para grandes empresas. Mas o contato com pequenos empreendedores que fazem parte de seu grupo serviu de inspiração para a criação da Empreenda Bem, em sociedade com outros dois membros do clube.

“As trocas que tivemos durante os encontros me abriram os olhos para o mercado do pequeno empresário, que é muito desassistido. Eu tinha um vício de trabalhar com empresas de grande porte e percebi que os meus serviços não atendiam a realidade dos pequenos.”

Dentro do clube, ela foi experimentando como adequar os serviços. “Percebi que não preciso de ferramentas pesadas para atendê-los. Tudo pode ser mais leve e simples.”
Junto com os sócios, ela diz ter criado produtos fantásticos. “Os clientes saem das conversas com os olhos brilhando.  Chamamos isso de BO (Brilho nos Olhos)”, brinca.

Segundo ela, o clube tem uma postura que não é para o empresário buscar o que vai ser bom para ele. “É preciso enxergar o que temos em nossas empresas que vai ser bom para os negócios dos outros membros. Temos de mudar o foco.”

Glória diz que o clube gera muitos negócios porque os participantes indicam as empresas dos colegas para os seus contatos. “Estabelecemos uma relação de confiança, tornando a troca muito rica.”

A empresária diz que no início, as indicações estavam mornas, mas após alguns meses o volume de negócios fechados cresceu muito. “Alguns tiveram mais de 20 indicações e fecharam pelo menos dez.”

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