Como o marketing pode ajudar pequenas empresas se aproximarem do seu público
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Como o marketing pode ajudar pequenas empresas se aproximarem do seu público

Especialistas indicam ações em redes sociais e na profissionalização da marca valorizar o produto e o negócio

blogs

09 Novembro 2018 | 06h59

Eduardo Derrico fundou a T-Shirt Factory. Foto de Nilton Fukuda/Estadão.

Hannah Cliton e Isabela Giantomaso / Especial para o Estado

Para uma pequena empresa se destacar da concorrência e conquistar um novo público é preciso muito mais do que um perfil nas redes sociais ou descontos para os clientes mais fiéis. Em um mercado acirrado, principalmente para empreendedores locais, o sucesso vem com o desenvolvimento de estratégias de marketing, o pensamento na gestão de marca e o velho boca a boca.

Segundo o consultor do Sebrae-SP Adriano Campos, muitas empresas pequenas não se valorizam. Isso faz com que os clientes pensem que os produtos não oferecem a mesma qualidade que a de um grande estabelecimento, fazendo com que passem direto pelo pequeno negócio. “É importante ter uma imagem profissional, um desenho. Ao fazer isso o empreendedor já vai estar acima da média, pois muitos não se importam com a marca.”

De acordo com Campos, os canais virtuais são ótimos instrumentos para novos empreendedores, mas é preciso valorizar e estudar as estratégias de marketing. “Como há muitos recursos gratuitos na internet, os donos costumam fazer qualquer coisa só para publicar e divulgar”, analisa.

Pesquisa revelou dificuldades

Segundo a Pesquisa Nacional do Varejo Online, feita pelo Sebrae em 2016, o marketing foi a terceira principal dificuldade encontrada pelos empresários de e-commerces, ficando atrás apenas da tributação e da logística. Geralmente confundido com a publicidade, que é um dos ramos do marketing, o setor é visto como uma forma de aumentar as vendas, mas especialistas acreditam que o objetivo deve ir além. “O marketing é o principal canal de relacionamento que as pequenas empresas têm para estabelecer uma boa experiência para o consumidor”, afirma Roberto Alonso, professor da Fundação Instituto de Administração (Proced/FIA).

“Eu tenho uma visão muito clara da marca e nós só conseguimos transmitir essa visão para o cliente por meio do marketing”, diz o cofundador e diretor criativo da T-Shirt Factory, Eduardo Derrico, que é formado em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM. Foi durante a faculdade que ele começou a criar camisetas com frases da cultura pop e vender para os amigos, negócio que cresceu até inaugurar uma loja própria. “A nossa essência está no digital. Nós já entregamos para todos os estados do Brasil e para mais de dez países por causa disso”, conta.

Além da presença no Instagram e da interação com público nos comentários, Derrico afirma que até mesmo a embalagem e a etiqueta das camisetas são pensadas para que o cliente sinta vontade de fotografar e postar nas redes sociais. A marca também faz parcerias com influenciadores, o que atrai público tanto para a loja online quanto para a física.

Elizete Mendes instalou o Empório Flor de Lizz na Vila Leopoldina. Foto de Valeria Gonçalvez/Estadão

Comerciante adota parcerias e projeto para reduzir o uso de sacolas plásticas

Dona do Empório Flor de Lizz, loja de produtos naturais na Vila Leopoldina, em São Paulo, Elizete Mendes não tem formação em marketing, mas costuma aplicar algumas técnicas, principalmente parcerias e o velho boca a boca. “Estamos sempre em contato com blogueiras, nutricionistas, academias e atletas da região. É o que tem mostrado mais retorno, com clientes que recebem a dica de profissionais para procurar a loja e se tornam público fiel”, afirma.

De acordo com Elizete, o investimento na gestão da marca também tem dado resultado para a pequena empresa. No Facebook, ela criou um grupo de moradores do bairro. O cliente que chega à loja e mostra que é membro da página ganha um desconto. Além disso, um projeto para reduzir o uso de sacolas plásticas na venda a granel tem feito com que o nome do Empório ganhe mais força para os consumidores.

“Criamos uma campanha de descarte de potes de vidro para substituir pelos saquinhos. Em todos os potes nós colamos a etiqueta da loja para deixar a logomarca bem reforçada e para lembrar o cliente de trazer na próxima compra”, conta. “O próximo passo é criar uma sacola retornável com o nome da marca para também divulgar pelas ruas.”

Outra pequena empresa que vê nas redes sociais uma forma de chegar diretamente ao seu público é a editora Lote 42, dona da Banca Tatuí, loja que vende apenas publicações independentes, e da Sala Tatuí, espaço cultural para cursos. “Nós decidimos fazer o marketing direto para o leitor”, conta João Varella, um dos fundadores da editora, em 2013. Na sua opinião, o marketing é fundamental para ouvir o consumidor e guiar todas as operações da empresa.

Ele conta que não investe para impulsionar os posts nas redes sociais, mas alega que os perfis dos negócios ajudam na aproximação com o público. “A Banca Tatuí é a única a falar em primeira pessoa, nós a vemos como uma adolescente muito ‘pilhada’, que usa emojis nos posts. A Lote 42 é como se fosse uma mãe descolada que faz piada e a Sala Tatuí é um pouco mais formal”, diz Varella.

‘Consumidores precisam de estímulo’

Para o coordenador acadêmico executivo do MBA em marketing da FGV, Luis Carlos Seixas de Sá, a criatividade também auxilia a alcançar o público, principalmente em pequenas empresas. “É necessário que o pequeno empresário conheça bem a quem se destina a oferta do produto, como esse mercado está segmentado e como ele pretende desenvolver um posicionamento que torne sua oferta competitiva.”

Para o consultor Adriano Campos, os donos de pequenas marcas também devem procurar atividades que estimulem a divulgação voluntária, sem forçar as relações com os parceiros e clientes. “Os consumidores sempre precisam de um estímulo. Ao fazer um café da tarde na loja, por exemplo, o público vai participar, tirar fotos, postar e, consequentemente, divulgar o seu negócio.”

Para isso, ele indica a estratégia de ações replicáveis, como o disparo de mensagens por WhatsApp, em que, ao cadastrar clientes, a marca pode enviar novidades relacionadas aos produtos. “Uma loja de bolos pode divulgar receitas, por exemplo. O consumidor vai receber a informação e repassar para os amigos, ajudando na divulgação”, diz Campos. No entanto, ele ressalta a necessidade ter cuidado com as mensagens. “O ideal é trabalhar com três para um; três conteúdos informativos e um comercial para não incomodar quem recebe.”

O consultor reforça ainda que estratégias como a de reciclagem no Empório Flor de Lizz, em que destacam o valor da marca, são importantes para fugir do comum. “Muitos empreendedores novos entendem as ações promocionais apenas como ofertas, mas fazer uma embalagem nova, um brinde ou uma brincadeira também ajuda a destacar a pequena empresa.”