Comida saudável abre espaço para PMEs

Segmento cresce 12,3% ao ano e se consolida no País; 4 em cada 5 brasileiros estão dispostos a gastar mais por alimento mais nutritivo

CRIS OLIVETTE

15 Abril 2018 | 09h06

Renato Flora. Foto: Thiago Paes/divulgação

Quem já empreende ou quer atuar no ramo de alimentação saudável precisa ficar atento à intenção de consumo do público. “Aspectos como sensorialidade e prazer, ‘saudabilidade’, praticidade, confiabilidade e sustentabilidade pesam, nessa ordem de importância, na escolha do que e onde comer”, afirma o especialista em mercado de serviços de alimentação, Enzo Donna.

Segundo ele, durante muitos anos sensorialidade e prazer se mantiveram bem à frente dos demais aspectos, com 36% na intenção de consumo, segundo estudo Brasil Food Trends 2020 feito pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), ECD Consultoria e um instituto francês de pesquisa. “Nos últimos anos, porém, a saudabilidade se igualou a esses quesitos e passou a figurar com 35% na intenção de consumo alimentar.”

Enzo Donna. Foto: Kenia Reizz/divulgação

Ele diz que o grande desafio do segmento é unir o prazer com a saudabilidade. “Isso não é tão simples, porque nem sempre o que é saudável é gostoso.” Donna afirma que o conceito ‘alimentação saudável’ deixou de ser tendência e se tornou uma realidade sólida no Brasil.

A afirmação é comprovada por estudo da agência de pesquisa Euromonitor, apontando que em 2017 o mercado local de alimentos e bebidas saudáveis movimentou R$ 93,6 bilhões em vendas. O volume coloca o País na quinta posição no ranking dos gigantes do setor.

O mesmo levantamento indica que nos últimos cinco anos, as vendas no Brasil avançaram 12,3% ao ano, enquanto no resto do mundo o porcentual foi de 8%. Além disso, o relatório Tendências Mundiais de Alimentação e Bebidas 2017, elaborado pela agência de pesquisa Mintel, mostra que quatro em cada cinco brasileiros estão dispostos a gastar mais se o alimento tiver maior valor nutricional.

Demanda. O crescimento do interesse do público abre caminho para que pessoas como Larissa Souza encontrem um nicho de atuação. Mãe de duas meninas em idade escolar, ela fundou a rede Snack Saudável para levar kits com lanches nas escolas, pouco antes do horário do recreio.

“Buscava uma solução para que as meninas tivessem uma alimentação saudável na hora do intervalo. Nesse momento, imaginei que muitas mães também tinham essa carência, o que foi confirmado em uma pesquisa que realizei. Então, comecei o serviço.”

Larissa Souza. Foto: Xandi & Mel Rigon/Divulgação

Lançada em 2016, a Snack virou franqueadora no ano seguinte e fechou 2017 com 70 mil lanches entregues. “Até o momento, comercializei 34 unidades, dessas, 16 já estão em operação em diversas regiões do País”, diz a empresária que criou a marca em Ji-Paraná (RO).

Os kits contêm suco natural, feito da fruta ou da polpa e adoçado com açúcar demerara, uma fruta in natura ou picada, e um carboidrato assado. “Fornecemos lanches frescos, produzidos no dia, sem processo de industrialização e livres de conservantes e corantes.”

Larissa diz que a partir da próxima semana a marca também passa a oferecer papinhas para crianças de seis meses a quatro anos. “Essa era uma demanda muito grande tanto por parte das mães quanto das escolas. Fechei parceria com empresa de São Paulo, que já tem know-how na área.

Tanto os ingredientes das papinhas quanto dos lanches, são entregues por fornecedores certificados por nós, o que garante boa procedência”, afirma.
A empresária espera fechar 2018 com 50 unidades em atividade. Para ser franqueado o investimento total é de R$ 80 mil. A marca não permite que o negócio seja instalado na residência do franqueado. “Ele precisa ter um ponto específico e exclusivo para a operação.”

Os amigos de infância, Taiguara Moura e Vinicius Loyola tinham o sonho de montar um negócio, mas não sabiam em qual área investir. “Depois de pesquisar alguns segmentos, apostamos na alimentação saudável”, conta Moura.

Taiguara Moura. Foto: Bruno Coelho

Eles aproveitaram o costume dos brasileiros de comerem em self service e criaram a Green Station, que é um fast salad que vende por quilo. “A aceitação tem sido muito boa. Oferecemos 35 ingredientes entre legumes, vegetais, proteínas e carboidratos, 15 acompanhamentos como chia, linhaça e quinoa, e oito tipos de molhos.”

A marca nasceu no Espírito Santo, em 2015. “Nosso plano era franquear após dois ou três anos, mas fomos procurados por muitas pessoas que queriam adotar o modelo. Depois de quatro meses do lançamento vendemos a primeira unidade. Hoje, 25 estão em operação e 11 em implantação”, conta.

Para ser um franqueado Green Station o investimento é de R$ 190 mil. A operação demanda pelo menos quatro funcionários. A meta é fechar 2018 com 60 unidades em operação.

Moura destaca que todos os fornecedores são cadastrados e homologados pela marca e seguem protocolo de controle de qualidade.

A preocupação com a procedência do produto vendido também é compartilhada pela rede Saladenha, de Renato Flora. “Todos os nossos fornecedores são homologados. Visitamos os locais de produção antes de cadastrá-los”, diz.

Segundo ele, a grande sacada da marca é oferecer alimentação saudável de forma rápida e com preço acessível. “Temos um cardápio bem equilibrado que inclui saladas, wrap, caldos, sucos naturais, 12 opções de marmita fit, salada de frutas, omeletes, café orgânico e salgados funcionais.”

A Saladenha nasceu em Itu, no interior de São Paulo, em 2015, virou franqueadora em 2016 e tem sete unidades em operação. “Esperamos encerrar o ano com 24 lojas implantadas. O modelo quiosque para shopping sai por R$ 80 mil. Loja de rua e delivery R$ 130 mil. Cada ponto demanda de quatro a seis pessoas.”

A tapioca negra ou pobá é um alimento extremamente nutritiva com tradição milenar em Taiwan. No final da década de 1980, os taiwaneses desenvolveram bolhas de tapioca negra para serem ingeridas junto com chá.

Em meados do anos 2000, eles inovaram o conceito e criaram bolinhas de tapioca recheadas com diversos sabores de frutas e envoltas em alga, para serem tomadas com bebidas como chá, suco, leite e Yakult.

Fernando Loureiro. Foto: Felipe Rau/ Estadão

“Além de colorida, a bebida é divertida, porque ao entrar em contato com o calor da boca as bubble teas estouram, liberando o sabor da fruta contido em seu interior. A mistura de diversos sabores proporciona uma experiência única ao paladar”, diz o diretor de expansão da Bubblekill, Fernando Loureiro.

A marca, fundada por seis sócios orientais, nasceu no Brasil, em março de 2017, no bairro da Liberdade. “Por ser nutritiva, ter baixa caloria e centenas de possibilidades de combinações agradáveis ao paladar e aos olhos, a bebida tem grande aderência entre o público jovem.”

Segundo ele, em doze meses de operação a Bubblekill já possui 60 unidades em operação. “O mercado entendeu que nosso produto sai da mesmice, entramos mais para uma linha de tea house”, afirma.

Loureiro conta que a matéria prima vem de Taiwan, porque a fórmula das bubbles é secreta. “Isso gera uma reserva de mercado e garante que o negócio não vai se tornar uma paleteria, por exemplo, que não tem segredo comercial nenhum.

No nosso caso, a fórmula secreta garante um mercado mais fechado.” A marca vende por mês, aproximadamente, 260 mil copos da bebida.

Para ser um franqueado o investimento é a partir de R$ 160 mil, na modalidade quiosque, com previsão de retorno entre 12 e 24 meses.

“Mas alguns pontos têm retorno em oito meses. Na modalidade loja, o investimento é a partir de R$ 250 mil, com retorno entre 15 e 30 meses.”