Como um jovem de Niterói criou a maior feira de games da América Latina

Como um jovem de Niterói criou a maior feira de games da América Latina

Claudio Marques

13 de agosto de 2016 | 16h00

Foto: Divulgação / Brasil Game Show

Foto: Divulgação / Brasil Game Show

Por Cláudio Marques
Conhecida e respeitada pelos amantes de games e pela indústria, a Brasil Game Show chega a sua nona edição agora em setembro. Mas para que ela se tornasse um marco do setor, seu criador, Marcelo Tavares, precisou “ralar” muito.
Prestes a completar 37 anos nesta terça-feira, o niteroiense conta que ganhou seu primeiro videogame aos 7 anos de idade e, desde então, se tornou apaixonado por jogos. “Quando me tornei adolescente, era só videogame”, diz. Aos 17 anos, começou a trabalhar, e passou a “investir” nos games.
Em 2002, estava sob forte pressão da família e da namorada: diziam que ele jogava dinheiro fora, por só gastar com os jogos. Resolveu, então, que os games deveriam ser mais do que um hobby e decidiu trabalhar com atividades ligadas a sua paixão.
A ideia inicial foi promover pequenos encontros, com o objetivo de promover campeonatos, troca de produtos entre os apaixonados pelos jogos. Assim surgiu o Game Churrasco. “Foi algo bem simples, amador, para 100 pessoas. A ideia não deu muito certo, porque misturava a gordura da carne com os videogames”, recorda. “Mas também já havia uma visão de busca por algum lucro, pois era encontro pago.”
Ele ainda fez mais dois encontros com esse perfil. Posteriormente, foi convidado a escrever sobre o tema para revistas especializadas e também acabou fazendo um programa de games em um canal de TV local. Desta maneira, ia conseguindo se manter, mas nem sempre: chegou a ter cinco atividades em paralelo para sobreviver.
Em 2008, começou a projetar uma feira. Em 2009, conseguiu fazer duas edições da Rio Game Show. A primeira, em junho, ocorreu no ginásio esportivo do clube Canto do Rio, em Niterói.
Dinheiro para montar? “Não tinha. Houve captação de pequenos estandes”, conta. A primeira coisa que ele fez foi reservar o espaço do clube. “A direção me informou quanto ia custar, dividi o local em espaços para estandes de 2 m x 2 m, e concluiu que ia precisar garantir o dinheiro dos ingressos para fechar as contas. “Felizmente, lotou. Foram 4 mil pessoas.”
Para que tudo desse certo, trabalhou duro no “bloco do eu sozinho”, como diz. “A empresa era home office e eu acordava e dormia trabalhando na edição do evento. Era aquela coisa, tem de dar certo.” No dia da feira, havia mais gente trabalhando. “Eram amigos, conhecidos, parentes que contratei ou chamei para ajudar. Havia uma empresa que montava o evento, outra que provia som e vídeo, mas era algo feito com uma limitação financeira enorme.”
Assim, o tempo dos churrascos ficou definitivamente para trás. “Começou a ser um evento mais estruturado, com equipe de limpeza, de segurança, foi um acontecimento planejado. Por mais simples que fosse, havia até imprensa credenciada.” O resultado embalou a segunda edição, em novembro. Desta vez, o porte já foi maior e foi realizada no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio.
“Não foi fácil. Você sacrifica sua vida, sacrifica sua saúde, seu bem-estar, seu conforto, mas é o preço que você paga para atingir seu objetivo. Tem de ter determinação absurda, um foco muito grande, mas é algo que, e não sou eu, mas várias outras pessoas em diversas situações, acabam conseguindo”, diz Tavares.
Com o evento tendo repercussão nacional, em 2010, passou a se chamar Brasil Game Show. “Outro fator interessante, é que nesse ano entraram os primeiros grandes patrocinadores. O Playstation foi anunciado no Brasil com a Brasil Game Show. Foi um momento marcante, que contribuiu para o crescimento do evento”, conta. Em 2011, já havia a participação de praticamente todo o mercado de games, segundo o empreendedor. “Na época, já era a principal feira de games da América Latina.”
Em 2012, o evento veio para São Paulo, porque 90% dos patrocinadores e expositores estão instalados aqui. “Isso proporcionou um crescimento mais acelerado.” Na edição 2015, segundo Tavares, mais de 300 mil pessoas passaram pelo evento, que reuniu cerca de 200 empresas e teve cerca de 3 mil jornalistas credenciados.
“A feira é um grande ponto de encontro para quem gosta de games. As principais atrações são, em primeiro lugar, os lançamentos. Há mais de 100 deles a cada edição”, diz. Nesta, que começa dia 1º e vai até 9 de setembro, ele prevê que óculos de realidade virtual serão as grandes atrações. E ainda haverá muitos campeonatos.
Entre as grandes empresas que participam desta edição estão EA, Warner, Kingston, NVidia, UbiSoft, CD Projekt Red, Saga, Supercell, Saraiva, Lojas Americanas, Dell e a TNT, de energéticos, entre outras.

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