Comprar negócio em operação oferece vantagens

Comprar negócio em operação oferece vantagens

Referência de desempenho anterior das empresas é ponto forte desse tipo de aquisição, mas eventuais passivos devem ser considerados

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12 de outubro de 2014 | 23h10

FR85 SÃO PAULO SP - 07/10/2014 - OPORTUNIDADES - SELETTI - Fotos do Carlos Henrique Roque Borges, que em dezembro de 2013 comprou uma unidade da Seletti Culinária Saudável no Shopping Santa Cruz. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Cris Olivette

Desentendimentos com o antigo sócio fizeram Carlos Henrique Rossi Borges vender sua parte em um fast-food. “Passei a pesquisar o mercado. Queria algo com potencial de crescimento e encontrei essa perspectiva na culinária saudável. A médio prazo, é uma das melhores coisas para se investir.”

A franqueadora escolhida por ele foi a Seletti Culinária Saudável. “Peguei uma loja que já operava havia três anos. Mesmo precisando de reforma, foi uma boa opção por conta da localização. O Shopping Santa Cruz fica dentro do metrô, tem um colégio em frente e muitas empresas no entorno. O potencial é muito grande”, avalia.

Antes de fechar o negócio, porém, o empresário se precaveu. “Avaliei o demonstrativo de resultado da loja para conhecer seu histórico e saber quanto preciso vender para ter lucro. Essa é a primeira coisa a ser avaliada antes de comprar um negócio que está em atividade.”
Segundo o agente da Sunbelt Business Brokers, intermediadora de negócios com mais de 240 unidades espalhadas em 14 países, Lucas Batistela, é mais interessante investir em um negócio que tem um histórico de no mínimo dois anos de atividade do que começar do zero.

Para negócios de até R$ 1,5 milhão, essa é a melhor opção. É muito mais vantajoso comprar um negócio que já caminhe”, afirma.
Batistela cita os negócios que dependem de ponto comercial como bons exemplos da vantagem de se investir em empreendimentos com histórico. “Quando se busca um novo ponto, por mais estudo que se faça, existe sempre uma taxa de risco. É preciso ter o estudo, mais uma dose de sorte”, diz.

O presidente da Fran Systems – Estratégia e Desenvolvimento de Negócios, Batista Gigliotti concorda que a escolha é vantajosa, mas alerta que uma série de cuidados devem ser tomados. “É bom contratar uma auditoria, um advogado e um contador, para ajudar o comprador a avaliar a documentação. Aliás, o advogado e contador devem permanecer auxiliando o comprador mesmo depois que o negócio for fechado.”

Para reduzir o custo da auditoria, Gigliotti diz que ela deve ser feita apenas sobre os itens relevantes. “O auditor vai levantar, por exemplo, a quantidade de estoque e identificar o que ele tem de bom e de ruim, como produtos perto do vencimento, ou danificados. Vale salientar que auditoria é uma coisa e a avaliação das partes jurídica e contábil são coisas diferentes.”

Segundo o diretor da Direto Contabilidade, Gestão e Consultoria, Silvinei Toffanin, primeiro é preciso avaliar economicamente o negócio para verificar se ele tem o retorno esperado pelo comprador. “O segundo passo é verificar a situação empresarial, negocial e tributária da empresa.”

Ele diz que essas informações são obtidas por meio de uma auditoria que irá validar os saldos contábeis e todas as obrigações que a empresa tem com terceiros. “Para pesquisar a situação fiscal do negócio, é preciso solicitar certidão negativa tanto da empresa quanto dos sócios. Assim, é possível saber se há algum processo em andamento, que coloque a empresa em risco.”

Toffanin diz que as certidões darão um panorama sobre processos correntes. “Mas a auditoria poderá identificar, por exemplo, que há fornecedor sem receber há alguns meses, e esse processo ainda não está na Justiça. Por isso, é preciso verificar as contas a pagar e a receber, além de conferir o estoque.”

Passivo trabalhista é outro item relevante. “Ao comprar um negócio em funcionamento, já terá pessoal treinado. Alguns alegarão que haverá passivo trabalhista. Mas isso é facilmente resolvido. O antigo dono pode mandar o pessoal embora, e o valor ser abatido da venda. Em seguida, o novo proprietário recontrata o pessoal. É importante manter a equipe que já conhece a rotina da empresa”, afirma Batistela.

Toffanin diz que se houver débito ou passivo que representem risco, é preciso incluir cláusulas no contrato de compra e venda, com garantias reais dadas pelos vendedores, que sejam suficientes para cobrir essas despesas. “É uma forma do comprador se resguardar.”

Gigliotti lembra, ainda, que o capital de giro vai junto com o negócio para que o novo proprietário possa pagar as contas do primeiro mês. “Isso pode ser objeto de negociação. Deve-se negociar cada item.”

Loja montada e já conhecida

Depois de passar três meses negociando a compra de uma unidade da Temakeria Makis Place, em Campinas, Rodrigo Costa fechou negócio com os antigos proprietários. Ele diz que contou com aporte financeiro de seu irmão, e que a primeira preocupação deles foi o motivo da venda. “Receávamos que o problema fosse com o faturamento da loja, mas a causa foi desentendimento entre os sócios.”

Costa diz que foram eles os responsáveis pela avaliação do negócio. “Analisamos o faturamento dos oito meses anteriores, conversamos com a franqueadora e analisamos a região.” Ele conta que a loja fica perto de três universidades, em um bairro de classe média alta, onde moram muitos estudantes, público alvo da marca.

Depois de avaliar esses pontos, foi só acertar o valor. “O fato de o ponto ser bem localizado aumentou um pouco o preço, além do fato de termos comprado a loja pronta. Mas não precisamos fazer um investimento altíssimo como se estivéssemos começando do zero.”

Costa diz que comprar o negócio montado em local já conhecido é vantagem. “Mas no meu caso, tive de reconquistar a clientela. Devido as brigas entre os sócios, a loja estava meio largada e os funcionários faziam o que queriam, o que afastou os clientes. Mas o potencial estava lá”, garante.

Outro campineiro que comprou um ponto em atividade foi Flávio Oki, que também analisou por conta própria os dados da unidade do restaurante Parmeggio, instalada no Campinas Shopping. “Analisei as contas e o ponto. Na verdade, o ponto foi o principal atrativo.”

Oki afirma que ficou acordado no contrato de compra e venda que o antigo proprietário é o responsável pelas dívidas do período em que esteve a frente do negócio.

“Não tenho do que reclamar. Ele saldou uma dívida que tinha com o shopping e com alguns fornecedores, além de pagar a licença maternidade de uma funcionária. Ele tinha alguns processos trabalhistas, mas esse item também consta do contrato. Agora, quero cortar custos e aumentar o lucro.”

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