Confiança de pequenos e médios empresários cai pela segunda vez consecutiva

Confiança de pequenos e médios empresários cai pela segunda vez consecutiva

Índice chegou ao segundo menor patamar do ano, com queda de 1% em relação ao terceiro trimestre

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18 de outubro de 2018 | 06h57

Foto: Pixabay

Pedro Alves, Especial para o Estado

Levantamento feito pelo Centro de Estudos em Negócios do Insper com apoio do banco Santander mostra que o índice de confiança dos empreendedores para o quarto trimestre do ano é de 67,8 pontos, número 1% menor que o indicado para os três meses anteriores. Em relação ao segundo trimestre, a queda é ainda maior: 4%.

O levantamento do Insper avalia o índice de confiança dos empresários na economia para os três meses seguintes, em uma escala que vai de zero a 100. Zero representa o mínimo de confiança e 100, o máximo. Para apurar a previsão do setor para o quarto trimestre, foram ouvidos pequenos e médios empresários de todo o País, dos setores da indústria, comércio e serviços. A margem de erro do índice é de 3,3% para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Para Gino Olivares, pesquisador responsável pelo estudo, a redução no índice foi causada principalmente pela incerteza quanto ao futuro do Brasil. “Para o  quarto trimestre, houve a segunda queda consecutiva no ano, mas a queda foi significativamente menor àquela registrada no terceiro trimestre. Esse resultado, junto com a heterogeneidade registrada ao analisar a abertura do índice, é compatível com um momento de transição, no qual ainda pairam muitas dúvidas sobre o futuro do País”, afirma.

O pior resultado do ano foi registrado na expectativa do primeiro trimestre, quando o índice ficou em 66,7. Já no período seguinte, subiu para 70,65 e, desde então, sofreu duas quedas consecutivas. Ainda assim, o resultado é melhor que todos os registrados no ano passado, quando o maior índice de confiança na economia entre pequenos e médios empresários foi de 65,23, no terceiro trimestre.

Regiões e setores

Os empreendedores mais otimistas com o futuro estão no Norte do País, onde a taxa de confiança ficou em 69,7 pontos. Em seguida, aparecem Sudeste (68,84), Centro-Oeste (67,7), Sul (66,5), e Nordeste (66). Todas, no entanto, sofreram queda em relação às expectativas para o terceiro trimestre de 2018.

Entre os setores, o de serviços é o mais otimista e o único que representou aumento em relação ao trimestre anterior. O nível de confiança dos pequenos e médios empresários do setor subiu de 67,14 para 68,96, alta de 2,7%. No comércio, o índice ficou em 68,12, com queda de 2,3% em relação ao terceiro trimestre. O setor mais pessimista é a indústria, onde a taxa de confiança na economia caiu 2,6% e fechou em 64,95.

Além do índice de confiança, a pesquisa também questionou os empresários sobre qual deve ser a prioridade econômica a partir do próximo ano. A maior parte (34,3%) acredita que o mais importante é a aprovação de reformas para reduzir o elevado endividamento público. Em seguida, aparecem privatização das estatais (19,55%), atuação no mercado cambial para fortalecimento do real (17,73%), aumento dos gastos do governo para estimular a economia (17,5%) e a adoção de medidas protecionistas para resguardar a indústria local (10,91%).

O Insper é uma instituição independente e sem fins lucrativos dedicada ao ensino e à pesquisa nas áreas de administração, economia, direito e engenharia.