Conselhos para se tornar um empreendedor de sucesso

Gebson Pereira de Sousa

30 de maio de 2011 | 15h33

O prestígio do paulistano Vic Meirelles como um dos floristas mais famosos do País veio à custa de muita coragem e ousadia. Formado em arquitetura pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Meirelles queria, na verdade, trabalhar com arte. “Escolhi arquitetura porque desejava adquirir uma formação sólida”, lembra.
Para pagar as contas – incluindo o curso –, ele fazia estágio em um escritório de decoração à tarde e, à noite, elaborava arranjos em uma floricultura em frente ao restaurante Pandoro, na Avenida Cidade Jardim.
“Certo dia passei pela loja e me apresentei à dona, fiz um buquê, ela gostou e me contratou”, recorda. Entre a faculdade, o estágio e o emprego noturno, Meirelles ainda montava um portfólio com fotos de seus trabalhos. “Vivia na Labtec”, brinca, referindo-se ao laboratório de fotografia em Higienópolis.
Uma vez formado, em 1987, ele saiu do escritório de design de interiores e passou a se dedicar exclusivamente ao trabalho com flores – além da loja onde ficava à noite, ele começou a fazer a decoração de eventos. “Meu aprendizado na área foi totalmente autodidata”, diz o florista de 46 anos. “Pegava um bom livro de decoração floral e copiava os arranjos, não tenho vergonha de dizer.”
Dois anos depois, em 1991, ele pegou emprestado US$ 2 mil e embarcou para Londres a fim de aperfeiçoar sua técnica e aprender inglês. “Já na primeira semana, comprei uma bela revista e anotei os nomes dos floristas cujos trabalhos eram interessantes. Bati na porta deles oferecendo meu trabalho com o portfólio embaixo do braço.”
Um contato levou a outro e Meirelles conseguiu um emprego de jardineiro com a organizadora de um festival de flores que acontecia toda primavera. A rotina de estudos e trabalho voltou a se repetir na capital londrina. “De manhã fazia o curso de inglês e à tarde era jardineiro e assistente da coordenadora do festival”, diz. Com os novos contatos, ele acabou fazendo a decoração da Embaixada do Brasil em Londres em alguns eventos.
Em 1993, o florista voltou ao País e abriu sua empresa, a Produção Vic Meirelles. “Voltei a falar com clientes antigos e a fazer novos contatos, fui construindo meu nome no mercado”, diz ele, que realizou, entre outros trabalhos, a decoração do casamento da apresentadora Daniela Cicarelli e do jogador Ronaldo no Castelo de Chantilly, na França.
“Quem deseja trabalhar com flores deve se atualizar sempre. Costumo dizer que um estilista deve ir a Paris e um florista tem de ir à Holanda e à Bélgica para acompanhar as tendências.”
Meirelles conta que tem clientes fiéis desde que abriu a empresa, há duas décadas. “Conquistei espaço no mercado porque gosto de trabalhar com o coração.” O que isso quer dizer? “Não sou muito calculista com o cliente, invisto o máximo na decoração de um evento, de casamento a velório. Nem no evento fúnebre se pode fazer feio”, afirma ele./Jennifer Gonzales

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