Consultores e empresários dão dicas para enfrentar os principais vilões dos negócios

Consultores e empresários dão dicas para enfrentar os principais vilões dos negócios

Claudio Marques

26 de agosto de 2013 | 08h09

Anneliese (esq.) e Luciana vão transformar a marca Sampa In Stampa em franqueadora

Cris Olivette
O sonho empreendedor pode ser interrompido a qualquer momento por carrascos que rondam os negócios e podem determinar o seu fim. Para combater esse mal, consultores apontam alguns vilões que devem ser superados para garantir sua sobrevivência.

“Pregamos que qualquer cliente, independentemente do tamanho, pode investir em gestão”, diz Ray Queiroga, sócio da consultoria Instituto Aquila. Ele afirma que um dos principais problemas detectados entre empresas jovens tem a ver com o capital de giro. 

Esse foi um problema que rondou a Elos Cross, especializada em promover marketing de resultados por meio de eventos esportivos, conta o empresário Rodrigo Geammal. “No início, muitas vezes os empresários misturam a conta pessoal com a da empresa e minha realidade não foi diferente”, diz.

No mercado há nove anos, o empresário afirma que a situação financeira da empresa só melhorou depois que conseguiu manter o fluxo de caixa separado das finanças pessoais. “Hoje, temos uma programação bem definida para retirada de pró-labore. Mas o início foi bem complicado.”

O ano de 2007 foi especial para Anneliese Lukine, por ter inaugurado um quiosque no Shopping Center Três, em plena Avenida Paulista(SP), para vender lembranças e souvenires da cidade de São Paulo e do Brasil. “Criei a marca Sampa In Stampa com desenhos inspirados em monumentos e pontos turísticos de São Paulo e do Brasil, que são estampados em canecas, mochilas, xícaras, imãs, chaveiros etc.” Em paralelo, ela lançou uma loja virtual.

A empresária diz que nesses seis anos de atividade vivenciou uma série de erros e acertos. “Já reformulei o site três vezes, mesmo assim, ainda é muito embrionário.” Ela conta que buscou capacitação tanto em gestão como na área jurídica. “Tive de remontar meu modelo de operação. Agora, tenho uma visão mais crítica e prática do negócio. Não perdi o sonho, mas aprendi a buscar resultados.”

Anneliese diz que recentemente se associou a Luciana Correia, que montou quiosques da marca nos shoppings Light e Frei Caneca. “Agora, estamos formatando o negócio para transformá-lo em franquia.” 
O diretor da Direto Contabilidade, Gestão e Consultoria, Silvinei Toffanin, ressalta a importância da implantação de controles internos para acompanhar o desempenho da empresa, porque dão uma visão geral do andamento do negócio.

Empreendendo há 25 anos, o dono da agência Rae Mp, Marcelo Ponzoni, conta que tinha 21 anos quando criou a empresa e que foi aprendendo após uma sequência de erros. “Eu não conhecia nada de contabilidade. Depois que percebi o quanto a falta de conhecimento estava prejudicando meu negócio, corri atrás de capacitação.”

Ponzoni recomenda que os empreendedores tenham noções de contabilidade, recursos humanos e gestão financeira. “Além disso, é importante ouvir pessoas mais experientes, ler, participar de grupos de discussão e não ter receio de perguntar e nem de falar que não sabe alguma coisa.”

O diretor da importadora e distribuidora de produtos infantis Adkits, Alexandre Mouri conta que no quesito gestão não enfrentou dificuldades porque já tinha ocupado cargos de média e alta gerência. “Adaptei as formas de gestão que aprendi em empresas maiores, para a realidade de uma pequena empresa. Uso ferramentas que controlam o estoque, contas a pagar e contas a receber . É uma metodologia de gestão simples e de fácil execução”, garante. 

Mouri conta que os carrascos que enfrentou foram os pessimistas de plantão que não acreditavam no potencial da Adkits.

‘O fato de ser pequeno não elimina necessidade de implantar controle’ 

O especialista em gestão estratégica, Enio Klein diz que é comum ver pequenas empresas competindo com grandes. “O problema é que muitos empresários acham que são pequenos demais para implantar ferramentas de controle e trabalham de forma precária.”

Klein afirma que empresas com grande potencial quebram simplesmente por falta de organização. “O fato de serem pequenos não elimina a necessidade de ter estrutura. Esse é o maior pecado que os pequenos cometem. No final, acabam competindo com as grandes em desigualdade de condições.” 

O consultor Silvenei Toffanin também recomenda o uso de ferramentas de gestão. “Hoje, podemos dizer que os impostos são grandes parceiros dos negócios. Se a parte tributária não for bem cuidada, irá onerar ainda mais a empresa.”

Segundo ele, usar ferramentas de controles internos evita desvios e melhora a performance. “Existem soluções para empresas de todos os portes, criadas para gerir as área de vendas, compras, contas a pagar e a receber, contábil e tributável. É incrível, mas muitos ainda fazem controle manual, sem rotina.” 

Segundo Ray Queiroga, consultor do Instituto Aquila de soluções gerenciais avançadas, além dos problemas que envolvem o fluxo de caixa e o capital de giro, a falta de metas bem definidas também pode levar empresas a óbito. “As estratégias e metas devem ser revisadas anualmente e comunicadas a todos da organização. Todos devem trabalhar com metas para que se sintam motivados. Nas pequenas, o controle de cumprimento de metas pode ser feito semanalmente”, afirma.

Outra dica de Queiroga para dar longevidade aos negócios é padronizar os processos. “Assim, a empresa não fica presa às pessoas. Caso haja troca de funcionários ela não ficará refém desses movimentos.” 

Evitar o comodismo é outra recomendação do consultor. “As empresas crescem por meio do crescimento do ser humano. E para manter as pessoas motivadas elas devem ser desafiadas tanto pela imposição de metas quanto pela rotação de atividades nas diversas área da empresa”, diz.

 

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