Credibilidade e legitimidade ao alcance de todos

Credibilidade e legitimidade ao alcance de todos

Claudio Marques

17 de junho de 2013 | 08h06

O diretor da Casa Fortaleza, Daniel Al Makul contratou empresa de branding

Cris Olivette
Depois de vencer a etapa inicial de implantação do negócio, é hora de o empresário se preocupar com a imagem da empresa. Segundo especialistas, a transparência é o primeiro atributo ou característica de empresas que conseguem construir uma imagem que passa credibilidade. “O grande desafio do pequeno empreendedor é ganhar legitimidade”, avalia a gerente de serviços da organização de fomento ao empreendedorismo Endeavor, Pamella Gonçalves.
Consultor de marketing do Sebrae-SP, Gustavo Carrer acrescenta que, além da transparência é preciso oferecer canais para a comunicação de clientes e fornecedores com a empresa. “Ao criar esses canais, é preciso deixar claro que a empresa está aberta para ouvir sugestões, elogios ou críticas. A resposta deve ser ágil e elaborada com uma linguagem adequada e respeitosa. Respostas automáticas devem ser evitadas.”
No mercado há 20 anos, a franqueadora Casa do Construtor chegou lá, afirma um dos sócios, Altino Cristofoletti Junior. “O que fez com que a Casa do Construtor ganhasse credibilidade foi a coerência entre o que falamos e o que fazemos. Ser crível é uma coisa que vamos construindo todos os dias, em todas as relações que mantemos”, afirma.
Segundo Cristofoletti, uma demonstração do respeito que a marca tem no mercado é a facilidade encontrada por novos franqueados na hora de fazer a compra inicial para montar a loja. “A nossa rede é de aluguel de máquinas e exige investimento contínuo na compra de equipamentos. Os novos franqueados, só por serem da Casa do Construtor, já têm uma garantia para a compra inicial. A garantia é a nossa marca.”
Para Cristofoletti, os fornecedores, normalmente multinacionais, sabem que ao longo do tempo a empresa sempre cumpriu com seus compromissos. “Em relação aos clientes, 70% deles vêm por indicação de quem já é freguês.” A fim de capacitar os funcionários da rede e repassar os valores da corporação, a cultura e a tradição da marca, a empresa criou a sua universidade corporativa.
O dono da agência de promoção de eventos B2, Ricardo Buckup, acredita que para construir uma imagem ética, o fundamental é praticar os valores dos proprietários com o time. “Adotamos a postura de transparência total com a equipe. A imagem que a empresa tem no mercado reflete o trabalho coletivo de pessoas que estão reunidas por um propósito, por uma causa. Temos um grande cuidado para identificar a aderência aos nossos valores desde a hora do recrutamento”, diz.
Buckup afirma que não foi por acaso que a B2 foi contemplada três anos com o Great Place to Work como uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. “Sempre tivemos preocupação com os funcionários. Essa chancela comprova que o que eu falo, eu pratico.”
Na Tecnologys, empresa que oferece soluções inovadoras e sustentáveis para o setor da construção, a maior preocupação, segundo o empresário Valério Dornelles, é passar os valores e a cultura da empresa para os funcionários e clientes no contato do dia a dia.
“Somos uma empresa pequena e não temos verba para campanhas de marketing. Por isso, precisamos construir uma imagem positiva, precisamos ter credibilidade, porque o mercado precisa reconhecer que a empresa possui know-how, equipe, conhecimento e condições de fazer o que propõe.” O empresário afirma que é preciso ser firme nos propósitos e saber dizer não para algumas coisas para manter a coerência.
Gestão da marca. Antes de entrar em operação, os sócios da consultoria Grounds contrataram uma empresa de branding (ferramenta de gestão de marca relacionada com a criação e a manutenção da confiança, que implica no cumprimento de promessas). “Para uma pequena empresa de serviços, que atua na área de contabilidade, a reputação é tudo”, afirma Ana Campos, uma das sócias.
Ele conta que todo o planejamento do negócio, que entrou em operação em fevereiro, já contemplava questões como transparência, ética e gestão de imagem. “As ações, serviços, missão e valores da empresa foram traçados já tendo como premissa essas vertentes.”
No mercado há mais de 70 anos, a Casa Fortaleza está sob gestão da terceira geração da família. Segundo um dos diretores, Daniel Al Makul, neto do fundador, a marca se perpetuou no mercado porque conquistou o respeito e a credibilidade dos consumidores.
“Ao assumir o negócio, meu irmão e eu sentimos a necessidade de dar uma repaginada na marca para deixá-la mais jovial, aproveitando o que ela já tinha de bom, que é a confiança do consumidor.” Os empresários também contrataram uma empresa de branding para fazer o reposicionamento.
Makul diz que com a ação foi possível acrescentar novos conceitos à marca. “Conhecida como tradicional e com o melhor custo benefício, a empresa também passou a ser reconhecida como uma empresa que faz direito, que é justa, que entrega o que promete”, diz.

‘A política comercial deve ser expressa claramente’

Para construir uma boa ima

gem a empresa deve adotar a transparência em todo o processo de comunicação com o mercado, oferecer canais para ouvir o cliente e adotar uma política comercial clara”, afirma o consultor de marketing do Sebrae-SP, Gustavo Carrer. 

Segundo ele, a transparência é o primeiro atributo necessário para ter uma boa imagem. “Em relação a política comercial, ela deve ser formalizada, expressando claramente a política de troca e de prazos, tendo como parâmetro o Código de Defesa do Consumidor. Se ela constar do plano de negócios, deverá ser reavaliada a cada seis meses porque as configurações do mercado mudam.”
A gerente de serviços a empreendedores da Endeavor, Pamella Gonçalves afirma que quanto mais a empresa conseguir criar um elo de diálogo com fornecedores e clientes, mais ela passará uma imagem de confiança. “Se o empresário perceber que terá um atraso na entrega de um produto, por exemplo, deve se antecipar e avisar de antemão. Essa é uma forma simples de preservar a imagem.”
Pamella aponta outra alternativa que funciona como um endosso de confiabilidade. “Muitas empresas recorrem a certificações ISO. No fundo, essa é uma certificação de qualidade relacionada ao processo, mas também serve como garantia de que a empresa é íntegra e cumpre suas entregas.”
Carrer afirma que existem outros complementos que contribuem para construir a imagem da empresa. “Micro e pequenos empresários são os que mais se engajam em causas socioambientais, mas eles precisam divulgar isso.”
Segundo o consultor, muitos empresários acham que esse tipo de divulgação seria oportunista. Carrer afirma que eles não deveriam ver dessa forma. “Eles devem se engajar de verdade. Mais do que dar dinheiro, devem participar junto com os funcionários de ações práticas, escolhendo causas bem locais, próximas da empresa.”
Segundo Carrer, ainda é pequeno o número de micro e pequenos empresários que se preocupam com a imagem. “Essa ainda é uma preocupação mais comum entre as grandes. Mas todos devem saber que cuidar da imagem é fundamental.”
Prêmios. Pamella lembra que outra alternativa está na linha de prêmios. “Em termos de prêmios tem, por exemplo, aqueles que visam desde inovação e sustentabilidade, até a parte de gestão de pessoas, que também é super importante.”
Segundo ela, prêmios e certificações, de alguma forma, endossam a seriedade que a empresa tem. Ela acrescenta que alguns empresários estão abrindo a empresa para visitas. “Convidar clientes e fornecedores para conhecer a tua casa pode dar bastante credibilidade”, avalia. Outras alternativas, segundo ela, incluem a realização de processos de auditoria ou de controle financeiro. “O simples fato de fazer uma auditoria dá credibilidade ao negócio.”
Pamella diz, ainda, que criar comitês consultivos ou de governança também faz passar uma imagem confiável ao mercado. “Outra linha que recomendo, é usar a rede social para manter uma comunicação transparente e aberta com os clientes”, conclui.

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