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Depois de ser franqueado, jovem cria rede própria

Sem custo com o ponto, Sterna Café iniciou suas atividades em um hospital da capital

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02 Julho 2018 | 20h06

Deiverson Migliatti. Foto: Sterna Café/Divulgação

Alex Tajra
ESPECIAL PARA O ESTADO
Boa parte dos empresários enxerga o período sabático como um tempo de descanso, estudos e reavaliação da vida profissional. Deiverson Migliatti, no entanto, aproveitou essa fase a fim de encontrar combustível para investir em seu próprio negócio. Foi durante o mês vivido fora do País que teve os lampejos para criar o Sterna Café, franquia de cafés especiais com 21 unidades em São Paulo. Em 2017, a rede faturou R$ 10 milhões.

Nascido em São Caetano, Migliatti graduou-se em desenho industrial. Em 2007, quando se formou, contrariou a família e decidiu vender o carro para viajar para o exterior por um mês. Passou por Chile, Camboja e Londres. “Voltei a pé, mas com boas ideias”, brinca.

Mas foi na pós-graduação, pouco após a primeira viagem, que ficou claro para ele: queria empreender. “Metade da classe era de empresários e isso me motivei”, conta. Quando foi demitido das Casas Bahia por conta de uma reformulação na empresa, aproveitou para tentar mudar de vida. Com ajuda de um programa do governo, o Proger, investiu em franquias de fast-food, adquirindo dois quiosques do Subway em São Paulo.

Quando estava prestes a investir na terceira loja da marca, encontrou mais uma vez a porta fechada. “Eu não conseguia financiamentos, nenhum banco queria me emprestar mais dinheiro”, conta. A ajuda veio da sua sogra e foi imprescindível para o negócio. “Ela tinha um apartamento que usava para melhorar sua renda (alugando-o) e eu a convenci a vendê-lo e me emprestar o dinheiro.” A garantia foi um terço na sociedade de uma das franquias.

Os investimentos deram resultado, a dívida foi paga e Migliatti tornou as viagens para o exterior mais habituais. Além dos três Subways, ele também adquiriu uma loja do KFC e outra franquia de acessórios femininos. Outras tentativas de negócios, no entanto, fracassaram. “Por alguns meses, cheguei a adquirir uma temakeria e um restaurante, mas deu tudo errado. Percebi que a manipulação de alimentos eleva muito o risco de contaminação.”

Em meio a franquias bem-sucedidas e a fracassos, Migiatti investiu, sem esperar grandes retornos, em um pequeno café no Hospital Sabará, na região central de São Paulo. O empreendedor não sabia, mas o modesto negócio iria transformar sua vida profissional, colocando-o do outro lado da moeda das franquias, de franqueado para franqueador. Aliando a experiência como franqueado aos anseios para construir um negócio que tivesse sua assinatura, decidiu criar sua própria marca.

“Quando eu estava na Coreia do Sul, em 2014, tive a ideia de criar o Sterna Café. Já estava consolidado com minhas franquias, mas não podia botar em prática tudo que tinha aprendido mundo afora.” Passou uma madrugada rascunhando o projeto em um guardanapo e ofereceu a ideia de uma rede de cafés conceitual ao hospital, que aceitou. “Não me cobraram aluguel.”

Gourmet

O Sterna Café nasceu tendo como proposta oferecer cafés de alta qualidade. “São grãos selecionados em outros países ou brasileiros cultivados a uma altitude de mais de 1.150 metros e colhidos a mão. “O brasileiro procura algo acima do gourmet”, aposta.

De acordo com ele, o público que consome cafés especiais está em expansão. “Nos últimos anos, explodiu o número de lugares que fazem cerveja artesanal, de hamburguerias gourmets. Mas não vimos ninguém falando de cafés, por isso eu apostei”, conta.

A Sterna tem diferentes formas de preparar a bebida – como os métodos japonês e francês, aprendidos pelo empreendedor em viagens. O nome da rede, aliás, é o mesmo da pequena ave de apenas 100 gramas que em seus 34 anos de vida viaja o equivalente a 60 voltas ao redor da Terra.

A rede cresceu 16% nos últimos dois anos, em relação ao número de lojas, e hoje possui mais de 200 colaboradores. As projeções são de faturamento de R$ 12 milhões em 2018. As 21 franquias devem se transformar nos próximos meses em 35, incluindo cidades como Maringá e Belo Horizonte. A próxima etapa é o Sterna voar para fora do Brasil. “Estamos com conversas adiantadas em Washington, Miami e Cascais, em Portugal.”

Mesmo com bom desempenho do Sterna Café, Migliatti ainda possui três unidades do Subway e duas do KFC.