Do campo à empresa de ‘educação móvel’

Do campo à empresa de ‘educação móvel’

Companhia que já capacitou 5 milhões de pessoas com cursos rápidos para smartphones

Claudio Marques

31 Julho 2017 | 07h02

Ricardo Drummond. Foto: Kelly Cruz/Divulgação

A desistência da carreira de cafeicultor, seguida pela família há seis gerações, e a perda de um negócio de sucesso marcam a trajetória profissional de Ricardo Drummond, de 42 anos.

Apesar das dificuldades enfrentadas, ele conseguiu dar a volta por cima e hoje preside a bem estabelecida mLearn. A empresa foi fundada por ele há cinco anos para produzir aplicativos educacionais para serem usados em celulares.

Quando adolescente, ingressou no curso de agronomia da Universidade Federal de Lavras, ainda com o objetivo de seguir os passos da família na agricultura.

No segundo ano da graduação, juntamente com um amigo, implantou um viveiro de mudas de café. O espaço de 500 m² abrigava cerca de 100 mil pés. Nessa época, acreditava que seria um cafeicultor, mas não demorou muito para perceber que esse não era o seu caminho. “Eu queria trabalhar com o intelecto, não pegando no pesado, acordando de madrugada para ir à labuta”, conta.

Assim, depois de um ano cuidando do viveiro, Drummond decidiu parar e ir para a área da educação e abriu a Estudar, no ano 2000. Tratava-se de um site de estudos à distância para voltado para o setor agropecuário. “Chegamos a ter 10 mil alunos”, lembra. A mensalidade custava entre R$ 60 e R$ 300, dependendo da quantidade de aulas assistidas.

No ano seguinte, a empresa ganhou uma licitação do Sebrae Nacional para treinar empreendedores em todo o País. “Foram certificadas 500 mil pessoas”, diz.

Pouco tempo depois, prestou trabalho para o Ministério das Cidades, capacitando pessoas para trabalharem na urbanização de assentamentos precários. A partir daí, o governo se tornou cliente da empresa.

Drummond, no entanto, diz que era “complicado” trabalhar com a máquina pública. “Quando eram projetos grandes, com valor anual maior do que R$ 1 milhão, era preciso pagar propina”, afirma.

Ele fazia, então, apenas projetos pequenos para o governo, que sustentavam boa parte dos lucros da Estudar. “Quando o governo pedia grandes propostas, eu recusava, porque não ia pagar dinheiro para eles”, conta. Essa postura, porém, custou caro para o empresário, segundo conta. Em 2012, a empresa faliu, o que o levou a passar por momentos de dificuldades financeiras.

Apesar da gravidade da situação, Drummond acredita que a Estudar foi a sua maior escola: “Gestão de pessoas, dificuldade econômica, conhecimento sobre negócios, entre outros conhecimentos (que adquiriu), contribuíram muito para meu crescimento empresarial”.

Oportunidade. Passado um ano do fim do negócio, as vendas de smartphone começaram a explodir no Brasil. Foi a dica para ele se reerguer, ao prever novas possibilidades no uso do aparelho. “Fundei a mLearn, uma startup focada em ensino móvel”, conta.

A empresa tem como objetivo possibilitar a instituições educacionais e empresas a entrega de programas didáticos via smartphone. Em 2014, a mLearn teve seu plano de negócios destacado pelo setor de Inovação e Empreendedorismo, da Universidade de Standford (Califórnia).

De acordo com o empresário, mais de 5 milhões de pessoas já foram capacitadas pelos cursos rápidos da mLearn. Atualmente, existem 50 programas. Os mais pedidos são de empreendedorismo, finanças, preparatórios para vestibulares, inglês e espanhol. As videoaulas têm 20 minutos de duração.

Desde a criação de sua segunda companhia, Drummond optou por trabalhar apenas com o mercado privado. “Não quero fazer parte de nenhuma corrupção.” Os principais clientes da mLearn são as operadoras Vivo, Claro, Tim e Oi.

A empresa possui a base na capital mineira e possui 18 funcionários. Existem hoje 1.787 aulas, 4.373 exercícios, 5.323 conteúdos para SMS, 940 podcasts e 781 videoaulas na plataforma digital.

Para ser um empreendedor de sucesso, Drummond acredita que é preciso “correr atrás dos sonhos”. “Feche-se com pessoas que contribuem para sua realização profissional”, diz. /PLÍNIO AGUIAR, ESPECIAL PARA O ESTADO.