Do disquete à segurança em nuvem

Do disquete à segurança em nuvem

Em 2005, jovem criou a Real Protect para preservar informações e dados de hackers; neste ano, companhia planeja faturar R$ 25 milhões

Claudio Marques

03 de julho de 2017 | 07h51

Daniel Lemos, fundador e dirigente da Real Protector. Foto: Paula Campos

Plínio Aguiar
ESPECIAL PARA O ESTADO
O primeiro trabalho que o engenheiro da computação Daniel Lemos fez foi formatar disquetes, aos 16 anos de idade. Hoje, passados 26 anos, comanda a empresa de segurança da informação Real Protect, cujo faturamento para 2017 é estimado em R$ 25 milhões.

Lemos diz que o caminho para obter sucesso como empreendedor não é fácil, mas é possível. “É preciso respeitar muito o cliente, oferecer um ambiente de trabalho interessante e realizar o trabalho com a máxima eficiência”, afirma.

O trajeto para ter uma companhia consolidada foi longo. Ainda durante a graduação em ciência da computação na Universidade Federal Fluminense, fez um intercâmbio em Seattle (EUA) por um ano. Lá, aprendeu inglês e obteve um certificado da Microsoft atestando sua capacidade de implementar produtos da empresa.

Uma semana depois de sua volta ao Brasil, Lemos conseguiu uma oportunidade de estágio, conta ele, que se formou em 2001. “Trabalhei em uma empresa de revenda da HP como técnico da informação.”

Ficou um ano e meio e mudou para outra empresa, a qual, segundo ele, proporcionaria melhores condições de crescimento profissional. Após dois anos como estagiário na Infoideias, foi contratado. Mas novamente uma passagem para os Estados Unidos estava em suas mãos. Desta vez, para Dallas.

“Eu tinha um amigo que trabalhava em uma empresa (Roger’s Produce) que tinha me oferecido um trabalho”, diz. Ele aceitou e foi para lá. “Foi excelente trabalhar com profissionais incríveis.” Sua adaptação, no entanto, não foi fácil. “As pessoas eram muito fechadas e o ambiente não me deixava confortável”, conta.

Resolveu, então, voltar para o Brasil. Mudou-se para a capital paulista com o objetivo de criar, juntamente com um colega, uma empresa para montar estruturas de redes e instalar banco de dados. O projeto, porém, não deu certo. “Esse colega já trabalhava na época e acabou desistindo de fundar nossa empresa para se dedicar ao trabalho.

No meio do caminho, surgiu a oportunidade, que viria a se tornar a sua “maior escola”. “Eu comecei a trabalhar na Trend Micro, uma das mais importantes do mundo (em segurança para internet)”, afirma.
Como funcionário, ganhou o prêmio de melhor technical account manager da empresa em todo mundo. Foi receber o prêmio na China.

“Eu lidava com os melhores profissionais diariamente, então aprendi o máximo que consegui”, afirma. Posteriormente, começou a fornecer apoio técnico para o time de revenda e clientes e percebeu uma falha da companhia. “Embora tivesse uma excelente tecnologia, os clientes não conseguiam utilizá-la na sua plenitude, pois não eram bem atendidos pelas revendas (parceiras) da empresa. Fazendo uma metáfora, o cliente comprava um carro de alto luxo, mas não tinha ajuda para aprender a dirigi-lo.”

O ano era 2005 e ele viu que era o momento perfeito para a Real Protect e preencher essa lacuna. “Diversas companhias oferecem o antivírus e pronto, por exemplo. Nós vendemos, instalamos e protegemos as informações”, afirma.

A companhia teve um investimento inicial de R$ 30 mil. “Eu tinha conhecimento técnico, daí chamei um amigo para cuidar da área comercial”, lembra. Oferece produtos e serviços para proteger dados e informações de seus clientes: a Casa da Moeda do Brasil, Rede São Luiz de Hospitais, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Construtora Gafisa e mais 262 empresas.

Evolução. Lemos reconhece que cuidar dos dados de grandes companhias é uma responsabilidade enorme. “É um desafio, porque a área de segurança está em constante evolução. Os hackers vão ficando cada dia mais sofisticados”, afirma.

O diferencial da Real Protect para outras empresas do ramo, segundo Lemos, é o produto. Para chegar a este ponto como empreendedor, Lemos diz que fez escolhas difíceis. “Eu abri mão de muita coisa, de momentos com família, de momentos com amigos”, conta. Ele pergunta àqueles que querem ser um empreendedor de sucesso: ‘O quanto você está disposto em abrir mão?’

A base da empresa está situada na capital fluminense desde sua fundação. Mas a chance de poder expandir aconteceu e a Real Protect também se instalará em São Paulo, no mês de setembro.

A companhia investiu R$ 2 milhões na construção do imóvel, na Avenida Luis Carlos Berrini, na zona sul da capital paulista. “É um passo muito importante. A expectativa da empresa é enorme e estamos todos ansiosos.”

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