E-book abre novas chances de negócios

E-book abre novas chances de negócios

Claudio Marques

20 de agosto de 2012 | 08h08

Cris Olivette
Depois de publicar livros no formato tradicional, a advogada Patricia Peck Pinheiro apostou no e-book para lançar sua mais recente obra: iMarketing – Direito Digital na Publicidade. O livro de 231 páginas está disponível na AppleStore por US$ 4,99, desde abril deste ano. “Até agora foram feitos mil downloads e cerca de 50 usuários deram feedback comentando a facilidade para localizar as informações.”
Patricia conta que há oito anos tem clientes da área de publicidade e marketing. “Esse público é totalmente conectado, por isso conclui que para falar sobre esse assunto a obra tinha de ser digital.” A advogada destaca as vantagens do novo formato. “O valor é bem mais acessível, e também ajuda a reduzir a pirataria.”
Outro aspecto relevante, segundo ela, é a facilidade para atualizar o conteúdo. “Tenho livros impressos e sei a dificuldade que é para fazer alguma alteração. No digital isso é praticamente automático.”
Profissionais que atuam na área de design gráfico afirmam que a demanda por serviços para essa tecnologia vem crescendo há cerca de um ano no País.
“Primeiro, os clientes começaram a pedir para digitalizar obras impressas. Agora, já pedem orçamento para as duas versões. Tem alguns casos em que o projeto não tem verba suficiente para fazer impresso e já sai direto na versão digital”, afirma a proprietária do escritório de design gráfico e comunicação Conjunto 31, Dora Levy.
Segundo ela, o preço depende muito do projeto. “O custo do livro impresso depende da tiragem, quantidade de páginas, qualidade do papel, formato, impressão, distribuição etc.” No digital, a designer afirma que a variação ocorre por outros motivos.
“Pode ser um projeto com apresentação mais estática, como um romance, onde a leitura deve ser fluída. Já para livros infantis a interatividade costuma ser muito explorada, utilizando recursos de áudio, vídeo, animação e jogos.” Dora afirma que, mesmo o projeto incluindo muitos recursos de interatividade, o custo do e-book é sempre bem inferior ao do livro impresso.
Esse fato e o aquecimento do setor têm gerado oportunidades também para o surgimento de novos negócios. Lançada há três meses, a Kolekto Tecnologia de Conteúdo chegou ao mercado para produzir livros digitais e impressos e digitalizar acervos.
Carlos Vicente, um dos quatro sócios, afirma que a empresa começou com cinco profissionais e já conta com dez funcionários. “O grande ponto desse mercado está na mão de obra, que vem da área editorial ou de tecnologia.” De acordo com ele, a empresa quer casar esses dois perfis de profissionais para ter know-how dentro de casa. “Eventualmente, podemos contratar freelancer para agregar competências.”
Com mais tempo no mercado, a Agência Fluída foi responsável pela edição do e-book de Patricia. O proprietário, Daniel Mendes, conta que a empresa está no mercado há cinco anos, mas só há três passou a desenvolver conteúdos móveis, por meio de uma plataforma exclusiva, desenvolvida por eles, e que dá mais conforto ao usuário.
“Para esse e-book, criamos um índice interativo e deslizante, que pode ser folheado. As cores de fundo de tela podem ser alteradas para que a leitura seja confortável, além de ter três tamanhos para as fontes.”
Mendes acrescenta que a leitura pode ser feita tanto no celular como no tablet, nas posições vertical ou horizontal. Segundo ele, a Fluída possui equipe própria com 14 profissionais: desenvolvedores, designers e arquitetos da informação.
Mais versátil, a Editora Bússola, foi fundada há um ano pelo primo da designer Dora, Paulo Levy. O empresário diz que terceiriza toda a produção.
“O mercado editorial está em transformação com o advento dos e-books” avalia. Segundo ele, os profissionais estão se especializando cada vez mais e querendo trabalhar em casa, por conta do trânsito caótico das grandes cidades.
“Por tudo isso, a terceirização dá mais liberdade na hora de escolher o profissional que mais se encaixa no perfil do projeto e não tenho custos com os encargos trabalhistas.”
Para Marcos Sacchi, que atua como freelancer no mercado editorial desde 1992, a publicação digital se tornou uma grande oportunidade de trabalho. “Estou em processo de contratação por uma empresa que produz livros eletrônicos.” Segundo Sacchi, esse segmento permite que o profissional participe mais das várias etapas do projeto.
“Antes, o trabalho era muito segmentado, agora com o livro eletrônico posso aplicar meus conhecimentos num mesmo trabalho. Além de ter mais liberdade para criar”, ressalta.

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