Empreendedora diz como é trabalhar em um coworking

Empreendedora diz como é trabalhar em um coworking

Dona de empresa de nutricionismo conta suas impressões por ter alugado um espaço em um escritório compartilhado de Miami

Claudio Marques

05 de novembro de 2017 | 07h16

Foto: Pixabay

Patricia R. Olsen
THE NEW YORK TIMES
Conversamos com Monica Ausslander, dieteticista e nutriconista registrada, sobre como ela opera sua empresa, Essence Nutrition, em um escritório compartilhado de Miami.

“Aluguei um “escritório-escrivaninha” para minha empresa de nutricionismo no Büro Midtown. Meu espaço fica na rotunda de vidro do edifício multiúso Midblock, perto de lojas de alto padrão do Design District. É uma área descolada e charmosa. Aluguei o espaço um ano atrás, porque não havia lugar em meu apartamento para uma escrivaninha, um arquivo e a papelada. Também queria um endereço comercial diferente do residencial.

Borboleta. A minha é a última escrivaninha de uma fila que corre ao longo das janelas do segundo andar. Destaca-se por seu logotipo, uma borboleta de acrílico pousada no parapeito. Escolhi a borboleta porque meu negócio tem por foco transformação e metamorfose – e nada simboliza isso melhor que uma borboleta. Pode parecer que o espaço tem muito ruído, mas não: os vizinhos se respeitam. E, talvez, seja eu a única que faz algum ruído: costumo falar comigo mesma coisas como “preciso me lembrar de mandar este e-mail”.

Organização. Uma prima do meu marido é artista e seu tema são meias listradas. De brincadeira, colei um decalque de um desenho seu em meu laptop. Esta é uma das vantagens de se ter um negócio próprio: ninguém vai me impedir de fazer uma graça. Ao mesmo tempo, gosto das coisas organizadas. Bagunça me deixa passada. Mantenho um espelhinho em minha frente, porque não posso conversar com um cliente se estiver com uma verdurinha entre os dentes.

Tratamento. Pago uma taxa extra pelo uso de 20 horas/mês da sala de conferências. Ocasionalmente, uso o FaceTime para falar com um cliente em casa pela manhã. Mas queria um espaço profissional para receber clientes em pessoa. A equipe do balcão de entrada recebe as pessoas e as leva para a área de espera. Em seguida, me avisam e levo pessoalmente o cliente para a sala de conferências.

Sob crivo. Perguntar a uma dieticista o que ela come no almoço envolve uma aula. Informo que o Büro tem duas copas com refrigerador, e assim, posso trazer o que sobrou da refeição no restaurante vegano e comer com queijo feta e um pouco de rúcula. Nas copas, pode-se tomar café, chá e água de graça, mas geralmente trago meu chá verde.

Pratos Ilustrativos. Para ensinar nutrição e composição corporal aos clientes uso modelos de borracha reproduzindo músculos, gorduras e refeições.

Visível. Deixo meu diploma de dieticista e nutricionista na escrivaninha, ao lado da impressora, caso alguém queira vê-lo.

Serviços. Faço parte da diretoria da Jewish Community Services, da qual fui copresidente por dois anos. Neste ano, a entidade me deu um diploma em reconhecimento pelos anos de serviços e por projetos especiais. Ele fica aqui comigo porque é mais uma coisa para a qual não há espaço em casa.

Contatos. Já saí para almoçar com vizinhos de trabalho. Gosto, porque exercem diferentes atividades. Estou sempre precisando de serviços de marketing e outros e creio que uma hora vou acabar contratando alguém daqui. Eu os vejo todos os dias, sei que trabalham seriamente e acho que podem me ajudar.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

Espaço na Vila Olímpia cobra de R$ 180 a R$ 1.200 por mês

Guilherme Osinski
ESPECIAL PARA O ESTADO
Dona de uma academia de crossfit em Sorocaba, a empresária Carolina Fayada queria abrir mais um negócio. Ela optou por entrar no segmento de escritórios compartilhados, depois de tomar conhecimento de uma pesquisa realizada pela organização Coworking Brasil mostrando o crescimento desse tipo de empreendimento.

Uma das salas do JK&Co. Foto: Chico Moraes / divulgação/JK&Co.

O estudo mostra que em março deste ano havia ao menos 810 espaços de coworkings no País, um crescimento de 114% em relação ao mesmo período do ano passado. Um nicho que movimentou R$ 82 milhões.

Com esses dados em mente, Carolina diz ter observado escassez de coworkings com “identidade mais criativa” na Vila Olímpia. “Poucos investem em mobiliário, em ambientação e design”, afirma. Por isso, ela procurou contemplar seu empreendimento com esses elementos e, agora em novembro, inaugura oficialmente o JK&Co, nesse bairro da zona sul da capital.

Segundo Carolina, o JK&Co ocupa um andar inteiro de um prédio e foi montado com capital próprio – ela não revela o investimento. Diz que o local foi pensado principalmente para atender quem trabalha com startups e comunicação.

“O espaço busca atrair pessoas que queiram se conectar e ficar no mesmo ambiente, o que favorece a troca de ideias”, reforça Carolina.

O local também oferece salas mais isoladas. “Somos um espaço aberto, mas temos vários tipos de salas de reunião que podem ser usadas para encontros mais privados ou até mesmo em um momento de maior concentração”, afirma.

Quanto aos preços cobrados, eles variam de acordo com o tempo de contrato e do número de pessoas da empresa interessada em alugar o espaço. Quanto mais colaboradores, menor o custo, que pode ir de R$ 180 por mês a R$ 1.200.

Dependendo do plano, o valor inclui endereço comercial para receber correspondências, espaço para seis posições, além de acesso à área coletiva e de café e uso de duas horas mensais das salas de reunião. Há, ainda, a possibilidade de ter uma estação fixa de trabalho.

Redução de custo é a principal vantagem; barulho pode atrapalhar

Coordenadora do Centro de Empreendedorismo da Fundação Armando Alvares Penteado, Alessandra Andrade diz que a redução de custos é uma das vantagens do coworking.

Alessandra Andrade. Foto: Werther Santana/Estadão

“O empresário não precisa gastar para montar um escritório nem com a manutenção de uma estrutura engessada. É boa opção para quem está começando. As starutps, por exemplo, que de uma hora para outra podem ter um boom, podem ampliar a estrutura rapidamente, sem a necessidade de desembolsar um grande valor.”

Segundo ela, a alternativa também é boa para empresas que têm sazonalidade e que em alguns momentos têm mais gente trabalhando, e em outros, a equipe é reduzida. “No coworking, ela consegue administrar essa flutuação, porque tem liberdade de escolher o espaço que quer ocupar.”

Professor de empreendedorismo da graduação e MBA da ESPM, Marcos Nakagawa acrescenta como vantagem o fato de ter a companhia de outras pessoas. “Assim, o empresário consegue ter contatos complementares ao negócio. Algumas vezes, até conquista um cliente. Essa sinergia é interessante.”

Alessandra concorda e lembra que vivemos um momento de economia compartilhada, sendo o coworking um espaço propício para a troca de conhecimento e realização de negócios. “É uma forma de se expor e divulgar o negócio.”

Nakagawa diz que alguns coworkings são temáticos e, neste caso, em um espaço que reúne startups, por exemplo, o empreendedor pode conhecer um possível investidor.

Outro aspecto interessante apontado pela coordenadora é o fato de o empresário não ter de se preocupar com a limpeza e organização do espaço, nem com o sinal da internet. “Ele chega para trabalhar e tudo está organizado e funcionando.”

Marcus Nakagawa. Foto: Fran de Oliveira

Como desvantagem, o professor aponta o fato de o empreendedor ter a ilusão de que terá acesso a investidores. “Ele pode se sentir frustrado caso isso não ocorra. Outro problema é quando o número de usuários do espaço começa a cair e as despesas vão sendo divididas entre os que ficam, encarecendo o ponto.”

Segundo Nakagawa, quando os espaços são muito abertos também podem ter grande movimentação e barulho, atrapalhando a concentração.

Alessandra vê poucos pontos negativos. “Ainda há certa barreira cultural. Algumas pessoas têm dúvida em relação a confiabilidade das empresas que operam nesses espaços. Além do fato de não haver privacidade.”

 

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