Empreendedores buscam lucro com ética

Empreendedores buscam lucro com ética

Virtvs une 170 empresários com menos de 40 anos que recebem mentoria e discutem como melhorar os negócios e também o País

CRIS OLIVETTE

10 de abril de 2016 | 07h31

Bruno Peres (à direita) e seu sócio Eduardo Gouveia comandam o grupo Laços Flores

Bruno Peres (à direita) e seu sócio Eduardo Gouveia comandam o grupo Laços Flores

Enquanto princípios como moral e ética são colocados em xeque no cenário político brasileiro, 170 jovens empreendedores e executivos membros da rede Virtvs (lê-se virtus) com menos de 40 anos de idade participam de reuniões e recebem mentoria com o propósito de fazer do Brasil um País melhor e, também, melhorar a gestão. Para este fim, promovem seminários, workshops, encontros com líderes empresariais.

“Queremos deixar um legado positivo e formar empreendedores melhores”, diz o presidente da rede, Pedro Paulo Barbosa, de 28 anos. “Virtude vem do latim virtus , significa o justo meio entre os extremos e consiste na inclinação individual ou coletiva em fazer o bem, por meio de conduta íntegra”, explica a empresa em seu site.

Entre os membros estão os fundadores do grupo Laços Flores, Bruno Peres e Eduardo Gouveia. “A Virtvs congrega jovens líderes e tem uma pegada muito bacana, que é formar a próxima geração, responsável por decidir os rumos do Brasil”, diz Peres.

Segundo ele, ética é um tema recorrente nos encontros. “Falamos da importância de fazer as coisas de forma honesta e sobre como podemos contribuir para melhorar o País. Integridade é um requisito do perfil de quem quer fazer parte da rede. Estamos construindo uma corrente forte de mudança por meio do empreendedorismo.”

Peres afirma que sai dos encontros cheio de ideias a respeito também de gestão. “É melhor que uma pós-graduação. Somos provocados a pensar diferente e a sair da zona de conforto. Também é uma oportunidade de fazer networking e fechar parcerias”, diz.

Ele conta que todos são estimulados a sonhar grande e a querer deixar um legado positivo, bem como a inspirar outras pessoas. “No dia a dia das empresas, todos replicam essa cultura entre os funcionários.”

Fundado em 2010, o grupo Laços Flores é especializado na venda online. “Nossas empresas atendem demandas para todas as ocasiões. Temos a Laços Corporativos, Arranjos de Maternidade, Coroas para Velórios e Laços Flores.” O negócio tem 37 funcionários e fechou 2015 faturando R$ 20 milhões.
As donas da Brand & Up, Giovana Salomão e Jéssica Renault, também fazem parte da Virtvs onde, aliás, se conheceram. A empresa é uma startup fundada em 2015 e que tem como missão organizar eventos personalizados, nos quais todos os itens da cerimônia são relacionadas à personalidade dos anfitriões.

Giovanna Salomao (à esq.) e Jessica Renault, donas da Brand Up

Giovanna Salomao (à esq.) e Jessica Renault, donas da Brand Up

 

Giovana está na Virtvs desde quando deixou a carreira no mercado financeiro, há três anos, e criou uma consultoria. “No ano passado, resolvi mudar de negócio e mandei mensagem aos membros dizendo que queria investir dinheiro e energia em um projeto diferente. Jéssica me apresentou o negócio que estava criando e a identificação foi instantânea”, conta.

Ela afirma que não perde um encontro. “É muito legal encontrar nossos iguais e ver que não estamos sozinhos na crença de que o mundo pode mudar de fato. Há muita gente apostando nisso e querendo fazer negócios de maneira ética, com escrúpulos. Além disso, nos encontros sempre ouvimos alguém sênior que conta sua trajetória, onde acertou, onde errou. São conversas bem francas.”

Desde 2011, a designer de joias e acessórios Stephanie Stein, de 26 anos, comanda a empresa que leva seu nome. Ela conta que entrou na Virtvs em 2015, indicada por uma amiga.

Designer Stephanei Stein

Designer Stephanie Stein

 

“Há troca intensa de experiência, todos são jovens, têm garra e querem crescer. Os grandes gestores sempre nos falam em cultura de empresa. Eu tinha isso, mas não tão claro. Hoje, dissemino entre os funcionários a nossa missão e nossos valores. Agora, todos trabalham com um propósito maior.”

Stephanie considera que a grande sacada da Virtvs é o empoderamento do empreendedorismo jovem. “Na Virtvs, todos dão força e fazem indicação de pessoas que podem nos ajudar a atingir os objetivos.”
Ela afirma que o faturamento de sua marca cresceu 18% em 2015, e por conta de sua maneira de administrar o negócio, foi convidada por seu pai para dirigir o grupo Stein, que tem 17 lojas de varejo dentro de shoppings. “Agora, vou repaginar as joalherias da família, dando uma cara Stephanie Stein.”

Determinado e cheio de energia, o fundador da empresa de auditoria em telefonia We Audit, Tiago Hungria, conta que o local onde se sente melhor é na Virtvs. “Lá, todos tem a mesma mentalidade”, afirma.

Ele diz que agora tem com quem conversar e que sempre volta das reuniões com novas ideias. “Já implantei processos, novas políticas comerciais, benefícios para os funcionários, ações para engajamento da equipe e fidelização de clientes.”

 

Segundo ele, por conta das ações, em 2015, a We Audit foi uma das três ganhadoras do prêmio Great Place to Work, na categoria Melhores PMEs para se Trabalhar. “Sem a Virtvs, nem saberia que o prêmio existe.”

Seleção avalia postura íntegra na vida e nos negócios

Em 2011, Pedro Paulo Barbosa e mais dois sócios fundaram a Virtvs para fortalecer jovens empreendedores que valorizam a postura íntegra na vida e nos negócios.

“O empreendedor é um multitarefa e não domina todos os aspectos inerentes ao negócio. Quando tem um problema, não tem a quem recorrer. Ajudamos os jovens a serem bem-sucedidos, porque são eles que vão mudar o País. Eles é que têm a coragem de enfrentar o desconhecido e farão a diferença.”

Barbosa tem 28 anos de idade e conta que a atividade da Virtvs é sustentada por quatro pilares. “Amor é o primeiro. Além de fazer o que ama, tem de olhar para as pessoas e amá-las como são, sem prejulgamento. Em segundo vem a liberdade. É preciso ser você mesmo, tirar os bloqueios para conseguir fazer o que ama. Evolução é o terceiro ponto. A busca constante de melhoria leva à expansão da mente, só assim irá promover melhorias tanto para a sociedade quanto para o planeta. O quarto pilar é a integridade. Ética é pessoal, cada um tem a sua. Mas integridade corresponde ao bem comum”, afirma.

Pedro Paulo Barbosa, presidente da Virtvs

Pedro Paulo Barbosa, presidente da Virtvs

Segundo ele, a partir destes quatro pilares é possível construir negócios que farão a diferença. “Nos próximos anos queremos ampliar nosso impacto para outros Estados”, diz.

Barbosa explica que a Virtvs tem três áreas. “A de seleção de membros avalia a conexão dos candidatos com os princípios da empresa. A área de desenvolvimento ajuda os membros a pensar fora da caixa e organiza encontros com grandes líderes. A área de inspiração planeja como estimular mais pessoas a sair da curva, a empreender e a fazer a diferença.”

Na rede, os empreendedores são divididos conforme o estágio do negócio. Tem os iniciantes, os que estão validando o produto ou serviço, donos de negócios ganhando escala, e os que já dominam fatia do mercado e têm lucro.

“Quem está iniciando recebe mentoria de membros mais avançados. E quem atinge o nível mais alto recebe mentoria de um grande líder durante seis meses”, conta.

Barbosa preside a Virtvs desde 2013, quando comprou as participações dos sócios. A inspiração para criar a rede de incentivo ao empreendedorismo jovem (os membro devem ter menos de 40 anos) veio de muita leitura sobre estratégia e branding. “Também tenho ajuda de dois mentores.” Hoje, a Virtvs tem 170 membros que pagam mensalidade de R$ 247.

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