Empreendedorismo de mãe para filha

Claudio Marques

12 de maio de 2013 | 08h04

Cris Olivette

No dia dedicado às mães, empresárias contam o que fizeram para conseguir conciliar

a realização pessoal com a maternidade

Como diretora do departamento contábil e fiscal de uma grande empresa, Fátima Rocha (foto de capa) tinha uma rotina de trabalho puxada. “Eu ia para o trabalho às sete da manhã e só retornava às 23 horas. Ou seja, eu saia e voltava e minhas filhas estavam dormindo. Eu chorava todos os dias, porque sentia que o tempo iria passar e eu não conseguiria vê-las crescer.”
A solução, segundo ela, foi jogar tudo para o alto, o que incluía um ótimo salário, e apostar num negócio próprio. “Eu não tenho a veia 100% empreendedora, sou medrosa e não gosto do risco. Mas a maternidade me impulsionou e cometi essa ousadia.” Em 1994, junto com o segundo marido, Fátima criou uma pequena unidade do que viria a se transformar na franqueadora MegMatte.
“Por ironia do destino, as minhas filhas acabaram vindo trabalhar comigo depois de terem tido experiência profissional em outras empresas.” A mais velha, Julyana Felícia, de 28 anos, é psicóloga e ocupa o cargo de gerente de recursos humanos da rede. “Ela acabou de entrar em licença maternidade. Minha netinha nasceu há poucos dias”, conta a empresária. Lucyana, a filha mais nova, é formada em comunicação e gerenciava a área de marketing. “Ela está fazendo mestrado.”
Segundo Fátima, a rede conta, atualmente, com 104 unidades espalhadas pelo Brasil e projeta abrir mais 20 até o final do ano. Para ela, sua trajetória empreendedora foi de muita coragem e determinação. “Sinto-me realizada e sou um exemplo para as minhas filhas, porque só acredito na felicidade alicerçada nesse tripé: família, profissão e realização pessoal.”
A professora Thereza Vasconi virou mulher de negócios por outro motivo. “Minha filha estava tendo dificuldades para aprender matemática. Ao procurar uma solução conheci o método de ensino Kumon. O resultado foi tão bom que decidi abrir uma unidade.”
Franqueada desde 2001, Thereza diz que no início foi difícil conciliar o empreendedorismo com o papel de mãe. “Tenho um casal de filhos e algumas vezes precisei ficar ausente para conseguir ter sucesso no negócio.”
Segundo a empresária, a consolidação da unidade ocorreu há seis anos, quando mudou-se do ABC paulista para São Paulo e passou a ter como braço direito a filha Juliana. “Em São Paulo, começamos com 25 alunos. Em três anos já eram 250 e hoje temos quase 400.”
Thereza afirma que essa experiência é ótima. “Juliana está 100% comprometida com o negócio e é capaz de colocar a mão na massa para consertar ou pintar alguma coisa. É um companheirismo total. Temos objetivos comuns e os resultados não param de melhorar.”
Outra empresária que conta com o apoio da filha é Regina Jordão, dona da rede Pello Menos. “Montei o negócio quando a Alessandra tinha 15 anos. Ela cresceu junto com a empresa e sempre me ajudou. Hoje, aos 32 anos, ela é mãe de uma menina de três anos e coordena toda a operação da franquia, que conta com 47 unidades. “Normas, procedimentos, manuais, auditorias, supervisão de loja, é tudo com Alessandra. Ela pegou amor pelo negócio. Acho ótimo trabalhar em família porque as coisas são feitas com gosto”, afirma.
A chegada dos gêmeos Guilherme e Bruna fez com que a empresária Fernanda Amar vendesse a unidade do Spoleto que mantinha há dez anos no Shopping Ibirapuera para montar um negócio no Shopping Tamboré. “Moro em Alphaville e o antigo restaurante era em Moema. Ficava difícil o deslocamento em caso de emergência. Por isso, montei uma franquia da marca Seletti Culinária Saudável no shopping que é pertinho de casa.”
Fazer mais. Fernanda diz que é metódica e que consegue organizar bem o seu dia. Além de comandar uma equipe de 16 pessoas, cuida da família e consegue reservar um tempo para fazer trabalho voluntário nas noites de quinta-feira. “Acho que quanto mais coisas você faz, mais tempo você arruma.”
Mãe de uma menina de 13 anos, a empresária Candice Marocco conta que sempre sonhou ser uma empresária, e que sua tabacaria Candice Cigar Co. conquistou o mercado carioca ao mesmo tempo em que criava a filha. “Claro que contei com a colaboração de duas pessoas que trabalham comigo há muitos anos.” Natural do Rio Grande do Sul, a empresária não tem família no Rio de Janeiro.
“Minha filha é minha prioridade total. Sempre que ela teve algum um problema eu estive ao lado dela. Almoço todos os dias com ela e faço questão de ter aquele papo de mãe e filha.”

 

 

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