Empreendedorismo: Matemático faz dos algoritmos empresas de sucesso
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Empreendedorismo: Matemático faz dos algoritmos empresas de sucesso

Dono da PH3A, Paulo César Costa captou as reais necessidades do mercado e passou a oferecer soluções adequadas para 'higienizar' bancos de dados

Claudio Marques

27 Julho 2016 | 06h58

Paulo César Costa, CEO e dono da PH3A. em uma sala da empresa. Foto: Rafael Arbex / Estadão

Paulo César Costa, CEO e dono da PH3A, na sede da empresa. Foto: Rafael Arbex / Estadão

Cláudio Marques
Se para uma empresa ter sucesso é necessário que ela ofereça o que o mercado precisa ou quer, a vida empresarial bem-sucedida de Paulo César Costa se explica exatamente porque ele criou produtos que eram justamente o que as empresas precisavam. E nem necessitou fazer pesquisas para isso.
Matemático e cientista da computação, a partir de 1988, ainda como funcionário, começou a desenvolver algoritmos para melhorar a qualidade de bancos de dados nas empresas onde trabalhava. Mais tarde, em 1995, fundou a Informarketing, então, o ponto alto de uma trajetória profissional que começou ainda como office boy. Na sua carteira de trabalho constam passagens pelo Jóquei Clube e Editora Globo.
“Eu via que as empresas tinham um gasto grande e desnecessário com um banco de dados ruim. E há uma teoria matemática simples que diz que em banco de dados entrou lixo, sai lixo”, diz Costa a respeito do que o levou a criar a empresa. “Eu montei a Informarketing para ajudar as empresas a economizarem.” Principalmente na área de vendas e prospecção.
O seu trabalho consistia na “higienização” do banco de informações. “Um exemplo clássico que eu uso quando faço apresentação é Avenida Juscelino Kubitschek, que ninguém sabe direito como se escreve. Então você precisa ter algoritmos fonéticos paras descobrir se existe na tabela do correio essa rua. Ou quando se digita o CEP errado, existem técnicas de correção”, conta. Dá para imaginar o gasto com correspondências que retornam, principalmente na era da mala direta, porque o endereço ou CEP estavam errados.
A telefonia também foi alvo de seus algoritmos durante os períodos em que os números de telefone passaram a ter, primeiro, sete dígitos e depois oito. E mais recentemente a adoção do prefixo 9 para todos os celulares. Seus produtos também eliminam pessoas que estão duplicadas numa mesma base com o nome escrito de formas diferentes.
“Quando me tornei empresário, essas ferramentas e outras que tinha desenvolvido já estavam bem mais maduras e, com o tempo, caí nas graças do mercado financeiro. Credicard, Citibank, Amex, HSBC, Itaú, tudo o que faziam de prospecção de cartão de crédito usavam os algoritmos que havíamos criado”, diz Costa. Antes, ele tinha conquistado a conta da Atento, para cuidar do seu data base e CRM. E a evolução dos produtos possibilitou que fossem usados em recuperação de crédito.
O negócio cresceu. “Com o passar do tempo, essa brincadeira ficou grande e em abril de 2007 fui comprado pelo grupo Experian. Três meses depois ela também adquiriu a Serasa e eu me tornei o presidente da unidade de marketing services no Brasil. A Serasa passou a ser unidade de crédito da Experian no Brasil.”
Nas negociações, ficou acertado que Costa não poderia atuar como empresário no mesmo mercado durante seis anos e meio. Nesse período, desenvolveu outras soluções, enquanto o impedimento não acabava. “Uma das empresas que montei foi a Golpoint, de programas de incentivo e fidelização. Temos uma carteira de clientes grandes como TIM, Siemens, Porto Seguro, Smiles e o Itaú Sempre Presente”, conta.
Ele conta que há três anos, analisando números mercadológicos viu que o Brasil iria dar “um escorregão”. Adquiriu, por meio de sua outra empresa, a PH3A, uma companhia de software de cobrança chamada Arima e transformou esse software em um CRM de cobrança. “Com o escorregão e a previsão de dificuldade de fazer novas vendas, as empresas tiveram de se preocupar mais com a cobrança. Hoje no mercado a bola da vez é a cobrança. E talvez seja para os próximos dois anos.”
Ha um ano e meio e o fim do impedimento com a Experian, ele voltou a atuar no mercado de data base e CRM com a s PH3A. “Era no que atuávamos quando vendemos a empresa anterior.” A companhia desenvolve soluções para recuperação de crédito, análise de fraude, database, CRM, gateway de pagamento e plataforma de e-commerce, tem grandes corporações como cliente, mas ele não divulga o faturamento.
“Gosto de ir ao cliente, escutar o que ele está sofrendo, gosto de estar com meus líderes de projeto para saber como a situação está se desenvolvendo. Eu me posiciono como mais um dentro da empresa”, afirma. “Brinco dizendo que, talvez, escutar a necessidade do cliente seja mais importante que a qualidade do seu produto, porque pode adaptá-lo de acordo com o que o cliente precisa. E eu sempre usei a minha empresa como meu laboratório, porque ela também precisa prospectar e vender, e se der certo na minha empresa, a probabilidade de dar certo fora é grande.”