Empreendedorismo militar cresce no sul da Califórnia

Empreendedorismo militar cresce no sul da Califórnia

Cidade de San Diego tem forte concentração de bases das Forças Armadas e leva reservistas a investir em negócio próprio

Claudio Marques

19 de dezembro de 2016 | 15h37

Katie Rast,fundadora do Fab Lab, e Alan McAfee / The New York Times

Katie Rast,fundadora do Fab Lab, e Alan McAfee . Foto Adam Fedderly/ The New York Times

Eilene Zimmerman
THE NEW YORK TIMES / SAN DIEGO
Em San Diego, cidade no sul do Estado da Califórnia (EUA) a forte concentração de bases militares transformou a região em um centro empresarial cada vez mais desenvolvido para veteranos. Cerca de 229.000 deles, oriundos do Exército, vivem na região. Em um raio de 160 km² existem mais militares e pessoal da Guarda Costeira do que em qualquer outra área metropolitana no país, segundo o Departamento da Defesa.
Muitos desses veteranos criaram empresas que prestam serviços terceirizados ou são fornecedoras do Exército por causa dos seus contatos e permissão de acesso a áreas sujeitas a procedimentos de segurança.
Segundo pesquisa da United States Small Business Administration, os veteranos têm 45% mais de probabilidade de se tornarem empregados autônomos do que aqueles sem alguma experiência militar.
A comunidade de startups em San Diego aumentou exponencialmente nos últimos 15 anos e esses militares da reserva encontraram um lar dentro dela, diz Mark Cafferty, diretor executivo da San Diego Regional Economic Corporation. A região tem mais de 25 incubadoras e aceleradoras de startups.
“Se você examinar todos os setores da economia de San Diego – de biologia, telecomunicações, biotecnologia, saúde, tecnologia da informação, inovação esportiva, dispositivos médicos e vestíveis, tecnologia com vistas a redução de impactos ambientais –, encontrará núcleos empresariais”, diz Caferty. “Com o tempo, esse crescimento transformou a economia local, que hoje combina diversos setores com forte crescimento, alguns mantendo vínculo direto com a tecnologia de defesa. E isto deve ser atribuído aos veteranos que aqui estão.”
Os veteranos, no entanto, ainda se deparam com desafios imensos na transição da atividade militar para a de empreendedor do setor privado. Para resolver problemas desse tipo vários grupos foram criados para ajudá-los a superar as complexidades que envolvem a criação de uma pequena empresa.
Um dos grandes obstáculos é o acesso a capital, diz Carlos E. Figari, diretor da SoCal Veterans Business Outreach Center, em Carlsbad, Califórnia.
Além disto, veteranos que aspiram a se tornar empreendedores, com frequência não têm conhecimento do setor em que desejam operar, diz Figari. Alguns, acrescenta, têm dificuldade para entender que, como donos de uma empresa, terão vários empregos, não um apenas.
Para superar os desafios, grupos sem fins lucrativos e antigos membros do Exército criaram programas de treinamento. O grupo de Carlos Figari, oferece cursos para veteranos em oito áreas no sul da Califórnia.
Outros grupos oferecem treinamento mais extensivo, como a Rosie Network, organização sem fins lucrativos que auxilia pequenas empresas em San Diego. Este ano ela abriu o Military Entrepreneur Development Center, que funciona como acelerador para empreendedores que ainda estão em serviço militar ativo, ou são veteranos, ou esposas de pessoal militar. E também um programa de desenvolvimento de pequenas empresas, gratuito e com duração de 12 meses, chamado Service2CEO.
Alan McAfee passou sete anos servindo na Marinha antes de ser dispensado em 2007 por causa de uma lesão. McAfee ficou sabendo do Fab Lab, um espaço comunitário sem fins lucrativos, que oferece aos membros acesso a ferramentas, tecnologia e treinamento para a fabricação digital fundado por Katie Rast.
Lá, ele criou um programa no qual os participantes colaboram e se apoiam mutuamente. Cerca de 20% dos membros do Fab Lab são militares ou veteranos em serviço. Foi no Fab Lab que McAfee conheceu os fundadores da Robo3D, uma empresa de impressão 3-D, à qua ele se juntou há 18 meses como sócio e vice-presidente de engenharia.
A empresa acaba de criar uma segunda rodada de financiamento e está se preparando para uma oferta pública inicial. “Eu adoro trabalhar com startups”, disse McAfee. “A intensidade, o ritmo, a flexibilidade e como competitivo tudo é.” / Tradução de Terezinha Martino