Empreendedorismo: ‘Se tudo der errado, ainda vou ficar de pé?
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Empreendedorismo: ‘Se tudo der errado, ainda vou ficar de pé?

Gustavo Albanesi, sócio diretor da rede Budha Spa, diz que estar preparado para a possibilidade de uma ação do negócio não dar certo é essencial antes de decidir colocá-la em prática

Claudio Marques

19 Julho 2016 | 06h58

Gustavo Albanesi, sócio-diretor da rede Budha Spa

Gustavo Albanesi, sócio-diretor da rede Budha Spa

Calcular bem os riscos envolvidos em uma decisão e dar passos bem calculados são a marca dos sócios, Gustavo Albanesi e seu pai, Jaime, da rede Budha Spa. Inaugurada em 2001 com apenas uma unidade, hoje se tornou uma rede de franquias com 25 unidades espalhadas pelo País, mas principalmente no Rio e em São Paulo. Faturou R$ 10,5 milhões em 2015 e prevê chegar a R$ 12 milhões neste ano.
“Nós fazemos as coisas sempre tendo um norte, um caminho em que queremos perseguir e atuar, mas dando sempre um passo atrás do outro. Eu não tenho, por exemplo, o anseio de daqui a um ano ter cem unidades, porque isso vai me exigir tomar algumas ações, investimento e decisões que podem não ser as mais acertadas. E colocar os dois pés na mesma balança acreditando que ela vai subir ou vai descer, às vezes não é a melhor forma”, diz o jovem Albanesi, de 34 anos.
Ele, no entanto, ressalta que o empreendedor precisa sair de sua zona de segurança para fazer o negócio avançar. “Acho importante, antes de dar os passos para sair da sua zona de conforto, que seja analisado bem, primeiro o segmento em que você que atuar, estudar bem o mercado, o negócio. Segundo, saber muito bem quais são as consequências de: se o negócio der muito certo, der médio certo ou der tudo errado” afirma. E ressalta o que considera da máxima importância: “Se der tudo errado, como a pessoa vai estar depois disso”.
O fato de não considerar corretamente a opção “se tudo der errado” é que quebra muitos negócios, acredita. “Ainda mais no momento atual, é a quebra da expectativa. Muita gente se alavancou, fez um monte de projetos, foi andando, veio a crise, derrubou e não fez a conta, a análise lá atrás de ‘se tudo der errado, eu ainda vou ficar de pé?’ Muita gente não fez isso e acabou não ficando de pé.”
O trajeto dos Albanesi foi calculado. Trabalhavam no mercado financeiro e o contato com empresários abriu os olhos para a possibilidade de empreender no mercado de bem-estar. “Na época, fizemos uma análise geral de mercado e não havia muito o conceito de spa urbano, day spa como existe atualmente”, conta. Investiram cerca de R$ 500 mil no primeiro Budha Spa, que continuou sendo um negócio paralelo, enquanto continuavam no mercado financeiro.
“Como viajávamos muito para fora do país, acabávamos trazendo novidades, como novos tratamentos e atendimento diferenciado. Aos poucos fomos nos especializando e viramos referência, até que em 2008 nós saímos do mercado financeiro e nos voltamos mais para nossa operação”, relembra Albanesi.
Naquele ano, montaram a JG Partners, para tocar os negócios. Em 2009, iniciaram a profissionalização e em 2010, começaram a franquear para acelerar a expansão. “Franqueamos vários modelos, fomos fazendo o desenvolvimento do negócio, foi dando certo, fomos aprimorando até chegarmos à estrutura atual. Temos a mesma forma de atendimento, o mesmo serviço, mesma estrutura em diversos tipos de locais. Há unidades de ruas, dentro de hotéis, dentro de academias, dentro de empresas, condomínios residenciais, shoppings, assim conseguimos replicar nosso modelo de negócio para vários outros formatos”, revela.
No fim do ano passado, a JG comprou a Spa Week, considerada o maior evento de beleza e bem-estar do País. Segundo o empresário, reúne cerca de 200 clínicas, salões e spas do Brasil e é realizada duas vezes por ano.
O grupo também criou a rede de microfranquias Smart Spa, voltada para esteticistas e profissionais do segmento. “É um investimento pequeno, de R$ 26 mil, em que o profissional investe e tem uma microcompanhia em um salão, hotel, academia, etc e tem todo o apoio de gestão, treinamento”, afirma.
A microfranquia também tem a opção home, uma versão ainda mais enxuta, com investimento de R$ 9 mil e que atende em domicílio. “Nós estruturamos a forma de atendimento, damos apoio ao agendamento e ao sistema de gestão online.”
O empreendedor nega que esses modelos foram desenvolvidos para enfrentar a crise atual. “Eles vêm um pouco antes, mas calhou muito bem com este momento, porque “pega” duas coisas. Uma é essa revolução do MEI, do microempreendedor individual, do profissional liberal cada vez mais querendo ter seu próprio negócio. A segunda coisa é o nível de desemprego, que eu não sei se vai favorecer ou não, mas há um leque maior de pessoas interessadas em ter o próprio negócio em função dessa necessidade de trabalhar. Então, calhou de aparecer no momento em que está favorecendo”, afirma.
Albanesi reconhece que mesmo o Budha Spa sentiu efeitos da crise, mas superou. “2015 foi o ano que mais investimos. O mercado inteiro retraindo, cortando custos, verbas, e nós olhamos para o médio prazo, sabendo que uma hora a situação muda. Vimos, então, oportunidades de ganhar mercado e exposição. Por isso, reformatamos toda nossa comunicação visual, trouxemos novos serviços e protocolos para a rede, novos programas internos.”