Empreendedorismo: ‘‘Sempre achei que o e-commerce para pets iria dar certo’

Empreendedorismo: ‘‘Sempre achei que o e-commerce para pets iria dar certo’

Márcio Waldman enfrentou muitas dificuldades, insistiu, trabalhou duro e consolidou a Petlove

Claudio Marques

04 de agosto de 2016 | 12h02

Márcio Waldman, fundador da Petlove. Foto: Werther Santana/Estadão

Márcio Waldman, fundador da Petlove. Foto: Werther Santana/Estadão

Cláudio Marques
Considerada como a maior loja virtual de produtos para animais de estimação, a trajetória que levou ao sucesso da Petlove está marcada por dificuldades, mas principalmente pela resistência e esforço de seu criador, Márcio Waldman. Por impulso, desistiu da clínica veterinária que possuía para se dedicar a um negócio que, então, ainda tinha algo de visionário: a venda de produtos pela internet. “Eu sempre fui aficionado por tecnologia e inovação”, conta. E admite: “Até dar certo, eu quebrei umas três vezes”.
Depois de se formar, em 1988, em veterinária pela USP, abriu sua clínica no Bom Retiro, onde nasceu e cresceu. Nos anos 1990, começou a se preocupar com o fato de seus clientes, então já espalhados pela cidade, terem de enfrentar congestionamentos para ir à clínica comprar medicamentos, rações e outros produtos. Queria que só fossem até lá quando houvesse algum problema de saúde com os pets.
Ficou com a preocupação na cabeça. Em 1998, em um congresso nos Estados Unidos, entrou em contato com uma forma ainda rudimentar de e-commerce e concluiu que era o que precisava. Em 1999, quando o comércio eletrônico começou a tomar forma, montou um site, “bem rudimentar”, diz, chamado Lokau Shop. “Foi a primeira plataforma que encontrei de vendas online”, lembra. “Só que em 1999, a URL era horrível, gigantesca. O momento (do e-commerce) era muito inicial e eu não vendi absolutamente nada.”
No entanto, continuava com a clínica. Ainda tentou mais duas plataformas de comércio eletrônico. “Elas tinham alguns problemas e não geravam muitas vendas. Cheguei a ficar meses sem nenhum pedido.” Por volta de 2003, tentou uma nova plataforma, que considerou mais eficiente para vendas, ao mesmo tempo em que a penetração do comércio eletrônico estava mais difundida. Aí começou a vender.
“Em 2005, não tinha muita capacidade analítica (para os negócios), era tudo por impulso, pelo coração, eu comparei os resultados da clínica, que também era petshop, e do e-commerce por dois meses e as vendas se equipararam. Achei que era o momento de fechar a clínica e ficar só na internet. Eram R$ 20 mil! Olha a loucura.”
Voltou-se, então, totalmente para o e-commerce. “De 2005 até 2010 foram os cinco anos mais difíceis da minha vida. A renda caiu abruptamente, porque fechei a clínica e o site não crescia de maneira que pudesse equilibrar as contas.” O jeito, diz, foi reduzir despesas. “Cortei de tudo quanto é lado, otimizei, durante muito tempo eu mesmo fazia as imagens do site, subia os produtos, negociava com fornecedor, ajudava na embalagem. Na época, éramos eu, minha mulher e quatro pessoas. A corda apertou de tal maneira que decidi fazer as entregas em São Paulo”, conta. À tarde, começava as entregas. “Voltava para casa tarde da noite”, conta. Na época, eram no máximo 30 pacotes por dia.
Equilíbrio. “Fomos trabalhando, trabalhando, trabalhando e conseguimos equilibrar a companhia, equilibrar os custos e começamos a crescer de uma maneira boa”, conta. Tanto que em 2011, a área de estoque da companhia, de 200 m² na Barra Funda, ficou pequena.
Na mesma época começava no Brasil a operações de e-commerce terceirizadas. Ele fechou contrato com um provedor de serviços de terceirização e mudou-se. Aí ocorreu um novo problema. “Eles estavam muito despreparados e desistimos. E em 30 dias nós fizemos uma mudança de ida e acabamos mudando de volta para o mesmo lugar.” A solução foi otimizar o espaço e contratar mais gente. “E continuamos trabalhando.”
A empresa chamou a atenção e em 2011 recebeu aporte de três fundos: Tiger Global, Kaszek e Manashees. Além de dinheiro, o fundos trouxeram a profissionalização. Waldman continua à frente da companhia, hoje sediada na região da Berrini, tem 150 funcionários e um centro de distribuição de 5.000m² em Osasco e despacha de 3.000 a 5.000 pedidos por dia. Oferece serviço de assinatura pelo qual o cliente especifica os produtos que deseja e todo mês os recebe em casa, sem precisar acessar o site para refazer o pedido.
“Sempre achei que o e-commerce de produtos pet iria dar certo em algum momento no futuro. Era um segmento que não tinha essa facilidade, e tem tudo para dar certo. São produtos de extrema necessidade, como alimentos, medicamentos, que vendemos para o Brasil inteiro”, diz. “Eu tinha certeza de que iria dar certo, apesar dos anos difíceis do começo da internet, o meu próprio despreparo, pois era veterinário e tive de aprender um monte coisas, sem gente competente ao meu lado para ajudar nos desafios.”
Hoje, ele não se arrepende de ter vendido a clínica naquele momento. “Se tivesse ficado com ela, talvez pensasse em fechar o e-commerce, pelas dificuldades que enfrentei.”

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