Empresários contam como driblaram a crise em 2015

Empresários contam como driblaram a crise em 2015

Parcerias, novos produtos e promoções fazem parte das estratégias adotadas

CRIS OLIVETTE

27 Dezembro 2015 | 07h03

Cristina Kerr, dona da CKZ EVentos

Cristina Kerr, dona da CKZ EVentos

Economistas avaliam que 2015 foi um ano perdido para a economia do País, marcada por uma forte recessão. Driblar as adversidades e ganhar fôlego neste período exigiu dos empreendedores muito jogo de cintura.

Na CKZ Eventos, de Cristina Kern, a saída foi fechar parcerias estratégicas com fornecedores. “Temos duas áreas de negócios. A CKZ agência organiza eventos para clientes e A CKZ negócios promove eventos próprios, como o Fórum Mulheres em Destaque.”

De acordo com Cristina, para montar os eventos ela costumava fazer cotações com três montadoras e escolher uma. “Neste ano, fechei parceria e trabalhei só com um. Consegui boa redução no valor dos serviços. O mesmo ocorreu com agência digital, entre outros”.

Cristina diz que, com preços mais atrativos, manteve a CKZ atuante, aumentando em 10% o faturamento e ainda contratou mais um funcionário, encerrando o ano com sete pessoas na equipe. “Em 2016, vamos prosseguir com as parcerias.”

Na Direto Contabilidade, Gestão e Consultoria o ano de crise serviu para colocar em prática um projeto antigo. “Criamos um braço de consultoria que funciona como nova unidade de negócio com foco em pequenas e médias empresas”, diz o fundador Silvinei Toffanin.

Ele afirma que sua empresa já oferecia consultoria, mas muito voltada às áreas contábil e tributária. “Com a nova unidade, podemos ajudar empresas que passam por momentos difíceis decorrentes da crise. Nossa abordagem avalia três indicadores de resultados que demonstram o verdadeiro estado do negócio: vendas, caixa e retorno sobre o investimento”, diz.

Segundo ele, sua atuação para reverter a situação engloba três pilares: liderança, método de gestão e conhecimento técnico. “Nossa abordagem é extremamente prática e objetiva e causa impacto concreto e imediato no resultado do negócio.”

Silvinei Toffanin, Diretor da Direto Contabilidade Gestão e Consultoria

Silvinei Toffanin, Diretor da Direto Contabilidade Gestão e Consultoria

Toffanin conta que neste ano a Direto contábil deve crescer 17% em relação a 2014. “Mas agregando os clientes conquistados com a nova consultoria, nosso crescimento será de 30%”, afirma.

Na rede Seletti Culinária Saudável a alternativa foi fazer um plano de contingência para encarar o ano. “Ninguém imaginava que 2015 poderia ser ainda pior do que 2014, que já foi um ano esquisito”, diz o fundador Luis Felipe Campos.

Segundo ele, foi muito importante para a rede ter se reunido com os franqueados no início do segundo trimestre e ter realizado pesquisa de mercado que resultou em um plano de ação. “Neste momento em que todos estão valorizando a relação custo-benefício, fizemos nova abordagem na comunicação visual e promocional para não perder margem e atrair mais clientes às praças de alimentação.”

Ele conta que a partir de agosto alterou os combos, lançou pratos que valorizam a elaboração com produtos de marcas reconhecidas e implantou estratégia promocional de acordo com os horários do dia. “Por exemplo, das 15h às 18h temos um tipo de promoção, na hora do almoço é outro e uma terceira nos finais de semana.”

Campos afirma que está conseguindo minimizar os efeitos da crise com as ações adotadas. “Também fechamos parceria com fornecedores. São pequenos detalhes que estão se mostrando muito eficientes e resultaram em crescimento de vendas e do tíquete médio.”

Diferentemente das empresas que tiveram de combater a crise, a franqueadora TRC Sustentável se beneficia com a crise. A empresa tem como carro-chefe a instalação de software para a redução no consumo de água, por isso 2015 foi muito bom para ela, tanto pela crise econômica quanto pela hídrica. “Tivemos é de aumentar a estrutura para dar conta da demanda”, diz o diretor Anderson Silva.

Segundo ele, os maiores custos de empresas e residências hoje são os de energia elétrica e água. “A implantação do sistema de gestão da água reduz o consumo e gera economia. O detalhe é que não cobramos nada do cliente, instalamos o equipamento e recebemos sobre o resultado, ou seja, um porcentual da economia gerada”, conta. Ele diz que a demanda cresceu 150% neste ano.

Empreendedor fecha fábrica e terceiriza produção

O fundador da Sertha Brindes, Sérgio Gotti, diz que a crise chegou antes na empresa fundada há 20 anos. “Em novembro de 2014, tomei a decisão de fechar a fábrica que havíamos instalado dez anos antes e terceirizei a produção de brindes. Foi um momento muito difícil, tive de demitir 40 colaboradores.”

Sergio Gotti, da Sertha Brindes

Sergio Gotti, da Sertha Brindes

O empresário confessa que havia criado muitas expectativas em relação ao ano da Copa do Mundo no Brasil que incluía, ainda, eleições presidenciais. “O retorno não foi o esperado. Uma parte da culpa foi minha por ter perfil empreendedor e não ter medo de arriscar.”

A outra parte da culpa ele credita às condições econômicas do País. “Houve queda de expectativa, má administração pública misturada com crise política e corrupção. No final de 2014, ainda não tínhamos as informações que temos hoje, que comprovam a má gestão.”

Gotti conta que o primeiro passo para superar a crise foi não desistir e buscar novos mercados. “Nessas horas, tem de fazer uma análise e procurar se enquadrar no mercado novamente.” Foi o que ele fez.

O empresário diz que em 2014 havia começado a vender licença de uso da máquina desenvolvida e patenteada por ele para gravação de imagens em produtos – a Transfer Laser VICM-19. “Mas por conta da crise, passamos a vender a máquina por R$ 7 mil. Hoje, está à venda na Kalunga.”

Segundo ele, em 2014 licenciou 100 máquinas. “Neste ano, já vendemos cerca de 200 VICM-19.E também comercializamos máquina de gravar caneta”, diz.

Gotti acrescenta que no final de 2014, após encerrar as atividades da fábrica, criou a Thale Suprimentos. “Separamos a área promocional da área de máquinas. A empresa de suprimentos está sendo tocada pelo meu filho.”

O empresário conta que em relação a 2014, quando faturou R$ 2,5 milhões, o faturamento da Sertha caiu cerca de 30% em 2015. “Mas somando o faturamento das duas empresas alcançamos montante próximo ao de 2014.” Hoje, nos dois negócios, conta com 22 pessoas.

O empresário diz que está animado com a possibilidade de fechar parceria com um sócio americano para vender sua invenção nos Estados Unidos. “Dependendo do resultado, vou buscar o mercado canadense, europeu e asiático.”