Entre lacunas, as boas oportunidades

Entre lacunas, as boas oportunidades

Experiências pessoais, novos mercados e vácuos de oferta motivaram insights de alguns dos novos empreendedores paulistas

Claudio Marques

13 Julho 2014 | 08h06

Cris Olivette
Os sócios Cesar Augusto dos Santos e Alan Chusid têm um grupo de amigos que se reúne a cada 15 dias. Em um desses encontros, um dos integrantes chegou muito atrasado. “Ele teve de atravessar a cidade para levar um contrato a um cliente, pois não encontrou nenhum entregador que fizesse o serviço no final do dia”, conta Santos.

Segundo eles, o contratempo chamou a atenção do grupo. “Durante a noite, discutimos sobre a necessidade de se criar uma solução mais prática para entregar pequenos volumes. No dia seguinte, continuamos falando sobre o assunto e resolvemos criar a plataforma Speedyboy”, diz Chusid.

Lançada há poucas semanas, o aplicativo chegou ao mercado para atender clientes da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), onde são realizadas cerca de 1 milhão de entregas por dia. “No futuro, podemos expandir para outros grandes centros”, adianta Santos.

A plataforma está disponível para smartphones do formato Android e IOS, segundo os sócio. O serviço é baseado no sistema de geolocalização, que, a partir do endereço de retirada, identifica os motoboys mais próximos e emite uma notificação para os smartphones.

“Queremos beneficiar os usuários, oferecendo agilidade, e os motoboys, que reduzirão o desgaste das motos e irão economizar combustível e óleo, pois passam a rodar com mais efetividade, reduzindo até a emissão de poluentes”, diz Chusid.

Santos acrescenta que, no processo de pré-cadastramento, os sócios foram para as ruas conversar com os motoboys para conhecer suas necessidades. Segundo eles, a empresa é remunerada por corrida. “Cobramos um valor fixo de R$ 2. A ideia é ganhar em volume de entregas. Temos boas perspectivas, já que a RMSP concentra mais de 250 mil motoboys.” Até o momento, a Speedboy já cadastrou 530 profissionais.

Outro negócio criado a partir da identificação de uma necessidade é o guia online de endereços, cardápios, contatos e eventos que reúnem food trucks.

Em atividade desde abril, a plataforma de localização de food truck opera em dois canais: site e aplicativo. “A ideia surgiu durante uma conversa informal com minha sócia na agência de publicidade Recriativi, Kelly Ferreira. Conversando sobre o crescimento do mercado de comida de rua, concluímos que faltava um canal para localizar onde estão os carros desses grandes chefs de cozinha”, conta Carla Somose.

Até o momento, o Food Truck nas Ruas tem cerca de 30 marcas cadastradas. “Estamos em fase de expansão. Criamos um canal para operar em todo o País. Até agora temos informações de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Mas já estamos chegando à Brasília, Bahia e Minas Gerais.”

Carla diz que vai rentabilizar o serviço de várias formas. “Uma delas é por meio do cadastro de food truk na plataforma, que implica no pagamento de assinatura. Também oferecemos espaço publicitário no site e no aplicativo. Além disso, em breve vamos implantar assinatura para o consumidor, que terá um cartão de vantagens que dará descontos nas compras.” Ela diz que espera crescer cerca de 200% nesse primeiro ano. “É um negócio novo, que está em evidência. Apostamos nisso.”

O fundador do oHub, Alexandre Pajola, conta que criou a plataforma para preencher uma lacuna que havia no mercado. “Não havia nenhuma ferramenta que permitisse às empresas realizarem cotação online de serviços. Identifiquei que esse era um mercado com alto potencial, em que o tíquete médio é de R$ 4 mil”, diz.

Pajola diz que o site dá aos usuários a possibilidade de solicitar orçamentos de mais de 500 tipos de serviços. “Aglutinamos empresas e profissionais das áreas de consultoria, engenharia, TI, segurança, marketing, arquitetura e logística. Calculamos que o País concentra 1 milhão de fornecedores nesse segmento. Temos bastante espaço para crescer”, afirma.

Ele diz, ainda, que a renda da empresa vem do pagamento de assinatura dos fornecedores. “O valor depende da quantidade de categorias de serviços que cada fornecedor oferece.”

Circulação de moedas se tornou estratégia de lucro

O CEO do CataMoeda Pesquisa e Fabricação de Máquinas, Victor Levy, teve a ideia de criar o negócio durante uma viagem que fez pelo mundo. “O que chamava minha atenção é que, em todos os lugares, as pessoas pediam para facilitar o troco.”

Na volta ao Brasil, pesquisou o assunto e viu que o fluxo de moeda como troco não funciona bem no País. “Descobri que o governo investe mais de R$ 400 milhões por ano para extrair minerais para a produção de moedas e com campanhas educativas para que a população coloque as moedas em circulação.”
Para amenizar o problema, ele se juntou com especialistas e, juntos, eles desenvolveram um hardware que identifica as moedas. “Um sistema integra todas as máquinas catamoedas instaladas nas lojas do varejo a um servidor. É possível acompanhar os depósitos em tempo real. Nosso sistema é todo interligado ao sistema do varejo. ”

Levy afirma que as moedas arrecadadas ficam para o estabelecimento nos quais as máquinas catamoedas estão instaladas, suprindo assim, os caixas desses estabelecimentos. “Ao fazer o depósito, o cliente recebe um vale-compra e um bônus que varia entre 2% e 5% do valor depositado, oferecido pelo estabelecimento, para ser gasto no local. O valor desembolsado como bônus é muito pequeno perto da alavancagem que ocorre com novas vendas.”

Segundo ele, sua empresa ganha dinheiro com a locação. “No futuro, vamos introduzir outros serviços pelos quais receberemos comissão”, afirma.

Até o momento a empresa tem 34 catamoedas instalados em 23 cidades de cinco Estados. “Desde outubro já foram depositados mais de 3 milhões de moedas que equivalem a mais de R$ 750 mil, por meio de 54 mil transações/depósitos. Atualmente produzimos cerca de 20 máquinas por mês. Em 2015, vamos acelerar esse processo e, até o final do ano, teremos entre 550 e 850 máquinas em operação.”

Tecnologia utilizada no ‘Bilhete Único’ inspira empresário

O desejo de criar um negócio que oferecesse uma solução ‘mágica’ para empresas de diversos segmentos fez com que o engenheiro Mário Prado passasse a desenvolver projetos usando a tecnologia Radio-Frequency Identification (RFID). “Essa tecnologia é uma evolução da que é usada, por exemplo, no controle de acesso aos prédios comerciais e também no Bilhete Único para o pagamento do transporte público. Nos dois casos, a liberação da catraca ocorre com a aproximação do cartão em relação ao equipamento de leitura”, diz.

Mestre em ciências da computação, Prado desenvolve projetos nessa área há 15 anos, e há seis anos criou a Taggen Soluções RDFI com o objetivo de produzir sistemas para automatizar e controlar processos. 
Depois de passar pela incubadora da Unicamp, a Taggen recebeu aporte de investidores e hoje desenvolve soluções e softwares utilizando o RFID, baseado no padrão Gen2 Ultra High Frequency (UHF).

“Hoje, esse sistema lê ou grava as informações na memória por meio de um leitor instalado em um portal, a uma distância entre cinco e oito metros. Ele é capaz de computar até 400 itens por segundo”, diz.

Segundo ele, a tecnologia de identificação por rádio frequência possibilita a instalação de portais na entrada e saída de uma área de estoque. Ele cita como exemplo, um projeto que realizou para automatizar uma grande loja de roupas. “Após a implantação, o custo operacional ficou 50% menor. Antes, o centro de expedição tinha 18 pessoas que despachavam duas mil peças por dia. Hoje, duas pessoas fazem cinco mil remessas por hora. O ganho de produtividade é imenso.”

Prado acredita que no futuro todos usarão a tecnologia. “É como o código de barras, hoje não imaginamos um supermercado ou um estoque sem ele. A ideia é que o consumidor aproxime seu carrinho com as compras de um caixa do supermercado e o valor total será mostrado automaticamente.”

Segundo ele, a Taggen já criou sistemas que são usados em plataforma de gestão de equipamentos e infraestrutura, controle de frotas de veículos de empresas, controle de ativos e patrimônio, controle de chão de pátio para otimizar o fluxo interno de veículos em terminais de carga e descarga, e no controle de circulação de funcionários em grandes obras.

Ele afirma que, por ser uma empresa muito capacitada tecnicamente, o negócio opera com 18 colaboradores. “Fechamos 2013 faturando R$ 2 milhões e, para este ano, nossa expeta e de triplicar o valor.”