Erros que as lojas virtuais devem evitar para crescer

Não capturar dados dos clientes e não fazer análise e monitoramento estão entre eles

Claudio Marques

04 de dezembro de 2016 | 07h03

Fábio Ricotta, consultor e fundador da Agência Mestre

Fábio Ricotta, consultor e fundador da Agência Mestre

O crescimento do mercado de lojas online tem como consequência o aumento na concorrência. E para se destacar entre tantos sites o lojista precisa evitar alguns erros. Especialista em marketing digital e CEO da Agência Mestre, Fabio Ricotta aponta quais são essas falhas.

“O primeiro passo para ter uma loja online bem-sucedida é batizá-la com um nome e domínio criativo, fácil e claro. Quanto mais fácil e óbvio for o nome da loja, melhor será o resultado.”

Ele diz que é um erro pensar que as vendas irão ocorrer de forma orgânica, sem a necessidade de anunciar. “Minha sugestão é de investir de 15% a 30% do faturamento em marketing digital, divididos entre estratégias de search engine optimization (SEO), para otimizar os mecanismos de busca, anúncios, entre outros”.

Ricotta destaca a necessidade de oferecer um ambiente online agradável. “Assim como no shopping, o cliente compra mais quando o ambiente é bom e o atendimento eficiente. O site tem de ter visual agradável e ser de fácil navegação. Para isso, é preciso investir constantemente em melhorias”, ressalta.

O consultor explica que é possível configurar gratuitamente a ferramenta Google Analytics para monitorar dados importantes do e-commerce. “Quem não faz isso está jogando dinheiro fora. É crucial analisar os números das compras realizadas, transações e receitas.”

Ricotta conta que existe uma maneira de inserir um código na página final do processo de compra, que deve ser colocado depois na seção de “E-commerce” disponível na ferramenta do Google.

“Com isso, vai ser possível mensurar o número de compras, analisar os produtos mais vendidos e as palavras-chave de entrada para cada produto comercializado, além de outros dados que vão ajudar no planejamento dos próximos produtos e no conteúdo da loja”.

Cristiano Carignato, dono da Corpo Ideal Suplementos

Cristiano Carignato, dono da Corpo Ideal Suplementos

Na prática. Dono da loja Corpo Ideal Suplementos, Cristiano Carignato conta que há dois anos vem trabalhando para manter a empresa na primeira página dos sites de busca. “Nosso objetivo é aumentar o número de acessos e tornar a marca mais conhecida”, afirma.

Para atingir essa meta e aprimorar outros aspectos da loja virtual fundada em 2007, o empresário conta com a ajuda de um consultor. “Chegamos a ter punição do Google, porque o site tem muitos acessos e as pessoas copiavam o link. Essa ação provocou duplicidade de conteúdo e o Google achou que tínhamos liberado as cópias. Com o trabalho do consultor conseguimos tirar a punição. Depois, instalamos ferramenta que impede ação de copiar e colar o link.”

O empresário diz que tem domínio sobre o nome Corpo Ideal Suplementos e também sobre a expressão Corpo Ideal. “Ter um bom nome ajuda na pontuação que obtemos nos sites de busca e nos ajuda a ocuparmos as primeiras posições.”

Carignato afirma que oferece tratamento especial aos seus clientes e dá cupons de descontos para fidelizá-los. “Por dois anos seguidos fomos eleitos pelo site ‘Reclame aqui’ como o melhor e-commerce de suplementos na categoria atendimento ao consumidor.”

Diretor de Marketing da Giuliana Flores, Juliano Souza conta que o trabalho de SEO representa uma fatia muito importante da exposição da marca. “Ele faz com que sejamos encontrados nos buscadores com os melhores posicionamentos, afinal, quem não é visto, não vende. A todo momento surgem novos concorrentes, por isso é importante estarmos bem ranqueados para conseguirmos vender.”

No quesito concorrência, Ricotta diz que além de sites que vendem os mesmos produtos também é possível que haja um site oficial da marca. “Quanto mais único for o produto, melhor será para a loja, mas se não for possível, faça investimento em anúncios e SEO para que a loja se diferencie de qualquer outro e-commerce que venda a mesma coisa”, sugere.

Juliano Souza, diretor de marketing da Giuliana Flores

Juliano Souza, diretor de marketing da Giuliana Flores

Souza conta que investir em anúncio é outro cuidado que eles priorizam na Giuliana Flores. “Anunciamos e investimos em links patrocinados, em palavras-chave assertivas e também fazemos ações para efetuarmos vendas efetivas dos nossos produtos”, afirma.

CEO da Agência Mestre, Fábio Ricotta afirma que para as lojas virtuais vencerem a concorrência e serem encontradas pelo público elas têm de conhecer os principais erros que impedem o crescimento de um e-commerce. “Não adquirir os contatos dos clientes é um deles”, diz.

Segundo ele, tanto no cadastro da loja quanto nas redes sociais e outros ambientes online, é possível coletar o e-mail e até o número do celular dos clientes. “Com isso, é possível criar uma lista de contatos e enviar informações, convites e ofertas”, destaca. Ele conta que este processo é chamado ‘aquisição de leads’ e é considerado primordial para qualquer trabalho de marketing digital.

A fundadora da Francisca Joias, Sabrina Nunes, conta que possui programa para armazenar dados dos clientes. “Essas informações são importantes para que possamos manter contato com o cliente e informá-lo sobre novidades e promoções.”

Ela afirma que causar uma boa experiência ao cliente sempre foi um dos princípios da marca. “Gostamos de proporcionar uma ótima experiência quando os clientes abrem a caixa com sua compra, tanto que criamos aroma exclusivo que exala da embalagem ao ser aberta. Queremos que as pessoas percebam nosso esforço para tornar o e-commerce humanizado.” Ela afirma que esse pequeno cuidado repercute muito bem nas redes sociais.

A empresária conta que por meio do Google Analytics – ferramenta que permite acompanhar as visitas e conversões no site – e com a ajuda de um especialista, identifica quais são os produtos mais buscados. “A partir dessa informação trabalhamos melhor esses produtos dentro do site para que fiquem melhor colocados.”

Sabrina Nunes, dona da Francisca Joias

Sabrina Nunes, dona da Francisca Joias

Sabrina diz que o fluxo do tráfego orgânico é complementado com a utilização do Google Ads e Face Ads (ferramentas que exibem anúncio da loja sempre que alguém procura por produtos que ela oferece. Esse tipo de anúncio só é pago quando o consumidor clica no anúncio ou liga para a empresa).
A empresária conta que há dois meses reformulou o site. “Melhoramos o layout e a usabilidade em termos de rapidez e segurança. O ambiente não tem de ser só bonito e clean, tem de transmitir segurança.”

Criatividade. Especialista em marketing digital, Ricotta lembra que não existem regras rígidas para o mundo online e que é preciso explorar a criatividade. “Dependendo do negócio, pode ser que uma rede social funcione melhor, ou alguns tipos de estratégias sejam mais bem-vindas que outras. Em muitos casos, o WhatsApp pode ser utilizado como ambiente para atendimento ao cliente”, exemplifica.

Um cuidado recomendado por ele é a necessidade de se manter antenado em relação às mudanças tecnológicas. “O mundo digital muda rápido, por isso é preciso estar atento às novas redes sociais e tendências que surgem a todo momento.”

Ricotta destaca que estudar assuntos como SEO, copywriting (arte de escrever e criar conteúdos com o intuito de promover e vender produtos), marketing inbound (desenvolvimento de conteúdo relevante aos clientes e que ajuda a converter vendas) e outros termos típicos do mundo digital é a melhor forma de se manter atualizado. “Saber o que o público quer e estudar sempre faz com que o cliente se fidelize”, afirma.

Felipe Dias, gerente de e-commerce e redes sociais da SJO Artigos Religiosos

Felipe Dias, gerente de e-commerce e redes sociais da SJO Artigos Religiosos

O gerente de e-commerce e redes sociais da SJO Artigos Religiosos, Felipe Dias, diz que utiliza sistema de marketing online que realiza campanhas de forma automática segmentando o público de acordo com o produto de interesse. “É muito importante ter um ambiente online agradável. Sem uma plataforma intuitiva que organiza os produtos por categoria, qualquer outra realização fica prejudicada e perdemos dinheiro.” Dias afirma que os lojistas devem evitar relação burocrática com os clientes e conquistá-los pelo encantamento da venda online.

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