“Esse projeto de franquia está dando muito certo”

“Esse projeto de franquia está dando muito certo”

Claudinei dos Anjos possui fábrica de colchões no interior do Paraná e criou franqueadora para dar vazão a seus produtos de maior valor agregado

Claudio Marques

15 Dezembro 2016 | 07h43

Claudinei dos Anjos, dono da indústria e franquia Anjos Colchões

Claudinei dos Anjos, dono da indústria e franquia Anjos Colchões

Nascidas e criadas em uma pequena cidade do oeste paranaense, Capitão Leônidas Marques, a Anjos Sofás e a Anjos Colchões têm suas histórias marcadas pelo empenho e determinação de seu fundador, Claudinei dos Anjos.

O prólogo da narrativa começa ainda em 1988. O hoje empresário começou aquele ano no serviço militar, aos 19 anos de idade, e o terminou casado, com uma filha e vereador eleito. Foi como presidente da Câmara Municipal do único mandato que disputou que, em 1991, participou de um congresso sobre industrialização de pequenas cidades. Ele saiu do encontro decidido a se tornar um industrial.

Como seu sogro tinha uma loja de estofados, resolveu criar uma pequena fábrica de sofás numa área atrás da loja. Vendeu uma Belina e um Chevette que possuía para comprar máquinas, material, espuma, revestimento. “Ia a pé para o trabalho”, recorda. “Iniciamos a fábrica num barracãozinho de 200 m² e com quatro funcionários.”

O começou foi difícil. Não conseguia vender seus produtos. O jeito foi aceitar “cinco, seis cabeças de gado” mirrado pelos primeiros estofados. Posteriormente, trocou os bois por um Fusquinha. E aí não precisou mais ir a pé para o trabalho. O negócio foi caminhando. “Fomos vendendo estofados, participando de feiras em outros Estados, visitando clientes, conhecendo pessoas, e a empresa começou a crescer.”

Em 1998, Anjos Sofás estava dando passos decisivos para sua expansão, construindo com recursos próprios uma fábrica maior. “Já tínhamos 3.000 metros de galpão novo, quando ocorreu um incêndio nesses novos galpões. Perdemos tudo, máquinas, matéria-prima, sofás prontos.”

Ele não desistiu. Naquele momento, avaliou que tinha saído do zero e, diferentemente do início, agora tinha até pedidos em carteira. Partiu para uma renegociação com todos os fornecedores e em um ano e meio conseguiu quitar sua dívida.

Com as perdas, veio também um importante aprendizado. “O esse incêndio me ensinou, de forma dura, a aprender a fazer planejamento e a trabalhar com números. Tivemos um grande prejuízo, mas aquilo ensinou como devíamos trabalhar dali para a frente.” A Anjos Sofás, então, passou a ter uma estrutura mais profissional e atualmente tem 200 funcionários.

Em 2001, a empresa começou a fabricar a própria espuma. “Daí nasceu a Anjos Colchões, porque começamos a também fabricar colchões. E logo em seguida começamos esse processo de franquias”, conta. “Hoje a empresa está muito focada nesse negócio, já são 53 lojas de franqueados e estamos num processo de expansão, de crescimento da marca Anjos Colchões”, acrescenta.

“São 500 funcionários diretos, com plantas em Capitão Leônidas, São Roque (SP) e na Paraíba”, diz Anjos, que não revela o faturamento. A estratégia de entrar no ramo de franquia surgiu da dificuldade de colocar os melhores produtos da marca em grandes lojas multimarcas.

Ele diz que sempre foi muito consciente ao pedir um financiamento tendo por objetivo o crescimento da empresa.
“Com um planejamento bem feito, você pode buscar um recurso no banco, mas muito consciente que precisa aplicar esse dinheiro muito bem. Discutimos com a família, com os nossos gerentes e diretores, os investimentos da empresa, se vai construir um galpão novo, ou vai comprar uma máquina, ou se vai aplicar em logística. Então, fazemos um planejamento estratégico, repassamos todos os números junto com toda diretoria e gerentes para que tomemos a melhor decisão.”

Em relação à crise, ele afirma: “Fizemos o dever de casa, enxugamos, nos adaptamos, fizemos redução de custos. Mas esse projeto de franquias está dando muito certo. Neste período de outubro, novembro e dezembro serão mais sete lojas abertas. Isso está ajudando bem a fábrica. A cada loja aberta é um faturamento a mais para a indústria.”

De acordo com ele, o custo para abrir uma unidade fica de R$ 120 mil a R$ 200 mil. “Damos treinamento, temos o escritório em Cascavel, onde está o departamento de marketing, de compras, pessoal de treinamento. Temos uma estrutura atendendo as novas franqueadas. E a indústria está sempre inovando, lançando novos produtos que encantem o cliente.”

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