Estudo aponta os bairros com bom potencial para oito tipos de serviços

Estudo aponta os bairros com bom potencial para oito tipos de serviços

Ligia Aguilhar

17 de dezembro de 2010 | 21h21


Quer abrir uma oficina mecânica?  Saiba que a República e a Consolação são os distritos da capital com maior potencial para abertura desse tipo de negócio.  Prefere uma lanchonete?  Há carência delas no Grajaú, Jardim Ângela e Cidade Tiradentes.  Se vai investir na boa e velha padaria, há déficit delas no Itaim Bibi, República e Bom Retiro.

Essas são as conclusões de um levantamento (veja infográfico abaixo) feito à pedido do Estado pela Cognatis, empresa de inteligência aplicada a negócios, com foco em geomarketing e estudos estatísticos.  No próximo domingo, dia 19, o Oportunidades publica a segunda parte da pesquisa, dedicada às capitais brasileiras.

O estudo identificou em quais distritos da capital há potencial para desenvolvimento de novos negócios em oito ramos de atuação dentro do setor de serviços: oficinas mecânicas, lanchonetes, academias, cabeleireiros, lavanderias, lojas de roupas, padarias e farmácias.

O setor de serviços foi escolhido pela expressiva taxa de crescimento nos últimos anos.  Em outubro, foi o que mais gerou empregos com carteira assinada – 86 mil de um total de 205 mil novos empregos, segundo dados do Ministério do Trabalho -, ritmo que mantém desde fevereiro deste ano.  Resultado do aumento do consumo interno e do poder aquisitivo da população, fatores que devem continuar impulsionando o setor.

Classe C. O levantamento feito pela Cognatis ressalta uma tendência que já vinha sendo mostrada pela economia: as maiores oportunidades estão em distritos onde predominam a classe C.  Principalmente nas regiões periféricas da cidade, há demanda pelos mais variados serviços, notadamente lanchonete, academia e loja de roupas.  “Existem oportunidades para negócios populares e com preços acessíveis.  Há poder aquisitivo na periferia”, diz o demógrafo Reinaldo Gregori, responsável pelo estudo.

Já em bairros onde o custo de vida e o poder de compra é mais alto, como Itaim Bibi, Consolação e Jardim Paulista, faltam serviços básicos como oficinas mecânicas, padarias e farmácias.  “Como o custo do terreno nesses bairros é alto, acabam recebendo negócios com lucratividade mais intensa por metro quadrado”, explica Gregori.

Para arcar com o custo de um terreno no Itaim, por exemplo, empresas cujos clientes têm gastos médios mais baixos, como uma padaria, precisam investir em produtos com maior valor agregado para sobreviver.

Foi o que fez Manoel Severiano Filho, um dos donos da Casa de Pães Souza, no Paraíso.  Para aumentar o ticket médio da padaria, ele criou, com o sócio Alberto de Souza Henriques, produtos diferentes, como um croissant gigante, e passou a servir café da manhã e almoço.  “Os mercados roubaram uma fatia das padarias, então, tivemos de fazer mudanças e investir em um perfil mais gourmet”, diz Filho.

O consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) Pedro José Gonçalves lembra que, antes de abrir uma empresa, é preciso considerar outros fatores além do potencial de uma região.  “O empreendedor deve saber como funciona o mercado onde pretende atuar, os hábitos e características dos clientes, quantos concorrentes vai enfrentar e como atuam”, diz.  Sem planejamento, o negócio pode fracassar, mesmo no mais promissor dos cenários.


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