Fábrica de geleias do interior vende  2,5 milhões de potes

Fábrica de geleias do interior vende 2,5 milhões de potes

Marca Homemade passou antes por três controladores, chegou a ter a fabricação suspensa e hoje produz 4.000 kg do doce por dia

Claudio Marques

08 Abril 2018 | 07h24

Edoardo Magli (à dir.) e Alcides Dias da Silva. Fot: Cristiano Lopes

Matheus Riga
ESPECIAL PARA O ESTADO
Com 50 anos de existência, a marca de geleias Homemade já esteve sob o guarda-chuva de empresas como a antiga alimentícia Cica e a multinacional Unilever. Nesta última companhia, chegou a ser descontinuada. No entanto, a situação mudou em 1995, quando a marca foi adquirida da companhia anglo-holandesa por Edoardo Magli e um sócio. Eles reativaram a produção, que em 2017 proporcionou a venda de 2,5 milhões de potes de geleia.

O empreendimento teve início em 1968, em Campos de Jordão (SP), quando o alemão conhecido como Barão von Leitner se estabeleceu na cidade. A região, que fica a 1.600 metros acima do nível do mar, é favorável para o cultivo de frutas, em razão de seu clima temperado. Com essa percepção, o europeu criou receitas de geleias naturais, utilizando as matérias-primas dos pomares que tinha.

Von Leitner decidiu colocar o nome de Homemade, que traduzido do inglês significa “feito em casa”, em suas geleias. Nos anos 1970, a companhia alimentícia de Jundiaí (SP), Cica, famosa pelo extratos de tomate e goiabadas, comprou a marca do barão.

A Cica, e consequentemente a Homemade, acabariam sendo compradas pela Unilever uma década depois. Mas a marca de geleias, na época, não era prioridade da multinacional. “A Unilever tinha, então, uma política de só ter marcas globais sob seu domínio”, afirma Magli, sócio-gerente. “Ela não tinha muito interesse nas regionais ou brasileiras.”

Em razão desse posicionamento, a Unilever parou a produção das geleias Homemade. Magli, que tem participação em uma importadora e distribuidora de alimentos até hoje, já tinha contato com a multinacional por conta dos serviços prestados para a Cica.

O desejo de fazer a Homemade voltar ao mercado e a conexão que o empreendimento teria com o outro negócio de Magli (a empresa de importação e distribuição de alimentos), motivaram a compra. “Sempre a achamos uma marca forte no mercado, com uma história no Brasil e vimos nessa aquisição uma oportunidade de crescer junto com a empresa”, diz Magli.

Após a compra da marca Homemade e de cinco receitas de geleias, o empresário montou a fábrica em Itapeva (SP). Segundo o empreendedor, a escolha do local foi estratégica. “A cidade em que estamos é uma das grandes produtoras de morango, um dos meus carros-chefes”, afirma. “Essa localização também é muito perto dos centros de distribuição das grandes redes de supermercados, como Pão de Açúcar, Carrefour e Dia.”

O espaço de produção é composto por dois galpões, onde ficam as máquinas que automatizam o processo de confecção das geleias, além dos 25 funcionários do empreendimento. Magli não revela o valor do investimento.

Com uma produção de quatro toneladas de doce em um turno de oito horas, o empreendimento conta com 25 fornecedores de frutas, que vão desde o morango até o açaí. São feitas visitas para avaliar a safra, e os contratos são fechados para que a entrega seja feita na época certa da colheita. Em relação à distribuição, a empresa fechou contrato com uma transportadora para entregas na região metropolitana de São Paulo.

Para pedidos menores, ou fora dessa área, há um acordo com distribuidores locais.
Desafio. O trabalho para montar uma rede de distribuição para todo o Brasil é, segundo Magli, o maior desafio que a Homemade tem.

“Hoje, existe uma pulverização do mercado nas grandes redes, distribuidores e varejo dentro de um território muito grande”, afirma. “Colocar o produto no mercado e fazê-lo chegar com qualidade até o consumidor é um caminho muito longo e difícil.” Por isso, conta, a estratégia inicial foi dar prioridade ao Estado de São Paulo, onde suas geleias eram mais conhecidas.

A perspectiva do negócio para 2018 é ampliar sua presença no mercado nacional. “Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, nós temos muito o que crescer, há muito potencial lá”, afirma Magli.

Para chegar ao resto do Brasil, a estratégia tem sido a contratação de distribuidores nas regiões em que a Homemade tem pouca presença. “Já está dando resultado, e eles começaram a pulverizar nossos produtos por lá.” Ao todo, a Homemade tem 42 itens em seu portfólio, como as geleias, mel, melado e cobertura de sorvete.

“Procuramos dar algo a mais para o nosso cliente, em termos de comida saudável”, afirma o empreendedor. A adição de biomassa de banana verde, alta fonte de fibras, às geleias, e o lançamento de uma linha de geleias sem açúcar são alguns dos exemplos citados pelo empresário nesse sentido.

Agora, a empresa planeja aumentar seu portfólio. “Queremos diversificar os nossos produtos para adequá-los ao dia a dia do consumidor, em todas as refeições.”
Na linha de previsões para 2018, a Homemade pretende crescer em 25% o número de vendas. O faturamento não foi revelado.