Fast food saudável de açaí cresce com franquia

Georgios Frangulis, sócio da OakBerry, diz que demanda no setor estava reprimida

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21 Maio 2018 | 07h49

Georgios Frangulis. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Augusto Decker
ESPECIAL PARA O ESTADO
Uma das regras de ouro para empreender é encontrar uma demanda de mercado. Ela pode ser de um novo produto ou serviço ou até mesmo um diferencial que não venha sendo ofertado pela concorrência. “É importante visualizar o que falta, ao invés de simplesmente pensar em algo que você gosta”, reforça Georgios Frangulis, fundador e principal sócio da OakBerry, rede de franquias de açaí.

Pesquisa

Foi esta a lógica que ele usou para abrir o seu negócio. “Em 2015, fui para a Califórnia para procurar um gap no mercado americano e percebi a falta da oferta de um produto de alimentação com preço baixo, saudável, entrega rápida, e operação enxuta e padronizável”, afirma.

No fim das contas, Frangulis acabou não abrindo sua empresa nos Estados Unidos, mas adaptou a operação e trouxe a ideia para o Brasil. Segundo ele, o diferencial de sua rede no Brasil é oferecer um jeito mais fácil e rápido de as pessoas consumirem algo que elas gostam. “Nossa expansão decorre de uma demanda reprimida há algum tempo.”

Risco

Em razão desta convicção, ele defende que o rápido crescimento não pode ser comparado a casos de redes que, após vertiginosa expansão, tiveram declínio e saíram no mapa. “Se eu preciso explicar no mercado brasileiro o que é uma paleta mexicana, eu nunca precisei explicar o que é um açaí”, afirma.

Para o empreendedor, o risco de demanda passageira acontece com produtos não consolidados no mercado. “O açaí é consolidado no Brasil há mais de duas décadas”, afirma.

Expansão

A aposta vem dando certo. Após abrir o negócio em 2016 e criar 27 unidades, a expectativa é encerrar 2018 com 90 pontos comerciais – em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul – e faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, ante receita atual de R$ 4,5 milhões.

O grupo também vai se expandir para o exterior, com uma filial prestes a abrir em Orlando, nos Estados Unidos. “Tenho um contrato de desenvolvimento para o Oriente Médio com um grupo de investidores para abrir 39 lojas nos próximos 36 meses. E estamos em negociações avançadas no Peru e na Austrália”, conta Frangulis.

Segundo ele, o açaí já é um produto conhecido nos grandes centros. “Temos pesquisas, por exemplo, que mostram que as buscas por informações sobre o produto na internet são bastante elevadas nestes mercados”, conta.

Percurso

Embora não tenha tido uma trajetória típica de empreendedor, Frangulis diz que sempre pensou em empreender e o desejo guiou sua formação. Ele conclui o curso de Direito em 2013 pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). “Queria fazer um curso útil em qualquer frente”, conta.

Depois de formado, Frangulis seguiu o caminho dos pais e se mudou para Miami, onde trabalhou com imóveis. “Nesse ramo, precisamos negociar todos os dias e diretamente com pessoas com distintos perfis, como corretor, empreiteiro, pedreiro, autoridades públicas – para obter alvarás e intervenções, por exemplo”, diz.

Outro aprendizado foi atuar em um país com fortes regras de compliance. “Nos Estados Unidos, há muitas regras e aprendi que sempre precisamos de um bom planejamento.”
Ao deixar o mercado de imóveis para seguir o sonho de empreender, Frangulis começou a pesquisar um segmento que fosse promissor nos EUA, mas enfrentou dificuldades para conseguir um ponto comercial.

“Eu era um brasileiro, com uma empresa nova, sem nada para mostrar, buscando ponto de venda nas ruas mais concorridas do mundo, em Santa Monica, Califórnia. Além disso, o preço do dólar era elevado. Queriam uma garantia de três ou quatro meses adiantados, cerca de US$ 600 mil”, diz.

Formatação

Ao voltar ao Brasil e replanejar o negócio, Frangulis enfrentou uma nova série de entraves burocráticos, além da dificuldade de convencimento de potenciais parceiros de que uma operação com o açaí como carro-chefe poderia atrair um público amplo. “Levamos quase seis meses para formalizar o negócio.”

Depois de fechar o primeiro ponto comercial, no Shopping Cidade São Paulo, as vendas deslancharam e os sócios decidiram atuar no segmento de franquias para acelerar o crescimento. As franquias são no modelo de quiosques. Eles lembram barracas de feira e os pedidos são preparados e entregues em até dois minutos.

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