Ficou mais fácil concorrer a uma vaga em incubadora

Ficou mais fácil concorrer a uma vaga em incubadora

Para marcar os seus 17 anos de história, Cietec remodela seu processo seletivo de jovens empresas que buscam apoio técnico

CRIS OLIVETTE

26 de julho de 2015 | 07h46

Sergio Risola, diretor executivo do Cietec

Sergio Risola, diretor executivo do Cietec

Para comemorar 17 anos de atividade, os responsáveis pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) resolveram rever o formato do processo de seleção de empresas que se candidatam a uma vaga na incubadora.

“Viajo a cada dois anos para observar o que está acontecendo no movimento de incubadoras e parques tecnológicos de vários países. Há algum tempo notávamos que nosso processo seletivo estava fora do compasso mundial, por ser muito rigoroso e detalhista”, diz o diretor executivo, Sergio Risola.

Para simplificar, a partir de agora, o empreendedor têm de agendar uma reunião com a coordenação do Cietec e fazer uma breve apresentação oral. “O projeto deve ser de um produto, serviço ou processo que tenha um viés de inovação. Além disso, ele terá de demonstrar interesse em complementar o seu conhecimento com aquilo que a USP e os seus institutos oferecem. Queremos que ele venha buscar complementaridade”, diz.

Se o candidato for aprovado na primeira etapa, terá de preparar um resumo por escrito com o âmago do negócio, além de um breve relato com os seus dados pessoais, incluindo formação e experiência profissional.

“São três páginas no máximo, que serão avaliadas por uma equipe do Cietec. Não vamos mais reunir um comitê com membros de entidades como Finep, Sebrae e IPT para escolher os novos incubados.”
Risola diz que o novo processo dura, no máximo, 25 dias e os selecionados ficam até seis meses na incubadora. Nesse período, terão acesso a atividades como oficinas, cursos e palestras.

Cada selecionado passa a ocupar espaço físico equipado com linha telefônica e internet. Além disso, todos têm a oportunidade de interagir e fazer networking com as outras 119 startups incubadas no local.

Depois da experiência inicial, o empreendedor deverá apresentar um plano de negócio contendo o que desenvolveu nesse período. “Para continuar na incubadora por mais três anos, deverá ter cronograma de ação contendo meta de investimento e de crescimento”, diz.

Segundo o diretor, nestes 17 anos de atividade, 600 empresas passaram pela incubadora, selecionadas entre 1,3 mil concorrentes. “Das 600, foram graduadas 141. O que significa que elas passaram por todas as fases, foram diplomadas e saíram para o mercado prontas para decolar sozinhas.

Levantamento que fizemos em dezembro de 2014 aponta que das 141 graduadas, 121 estão vivas e bem. A taxa de sucesso de aproximadamente 26% é um número impressionante”, afirma Risola.

Incubado. Um dos beneficiados pelo processo ágil de seleção foi o dono da EficiEnergy, Mauro Fernando Vitorazzo. “Fui almoçar com um amigo na USP, que me convidou para tomar um café no Cietec. Quando conheci o local, me senti em casa. Voltei num segundo dia para uma apresentação e vi que era o lugar onde eu queria estar. A oferta de suporte para o desenvolvimento tecnológico é muito importante para o meu projeto. Nesse dia, soube que a seleção tinha acabado de ser simplificada. Me candidatei e aqui estou” conta.

26.7 Eficienergy Mauro Fernando Vitorazzo

Vitorazzo diz que desenvolveu um sistema que ajuda empresas e grandes empreendimentos a economizar energia. “Durante uma viagem de pesquisa de mercado pelo Canadá, conheci um equipamento que casava perfeitamente com a minha plataforma. Falei sobre o meu sistema com o fabricante e fechamos parceria.”

Segundo ele, trata-se de um medidor de energia que pode ser conectado a 24 pontos de consumo. “As informações captadas são enviadas via internet para a plataforma, junto com vários detalhes técnicos. Além de energia elétrica, também mede o consumo de água e gás.”

Ele conta que, com essas informações, realiza uma análise de eficiência energética da empresa e elabora um projeto com práticas para otimizar o consumo, para que o trabalho passe a render mais gastando menos energia. “Em paralelo, faço o cálculo de mitigação de emissão de gases de efeito estufa”, diz.

Vitorazzo conta que o equipamento já está em fase de testes. “Espero começar a comercializá-lo dentro de alguns meses, principalmente entre redes de varejo e edifícios comerciais. Quando completar os meus seis meses de Cietec, já terei os resultados dos medidores que estão instalados em alguns clientes e poderei demonstrar a sua eficiência com dados reais.”

Projetos de startups ganham mais fôlego com o apoio

A ETS Brasil, de Giuliano Hirata Favilli, João Thiago Sampa e Abílio Santos, conquistou uma vaga no Cietec para aprimorar o negócio de prestação de serviço para tratamento de efluente (líquido impregnado com resíduos químicos ou orgânicos que contaminam os corpos d’água), e de tratamento de ar ambiente com desodorização, por exemplo, de sala de cinema, carro, avião, quarto de hotel, duto de ar condicionado etc.

Segundo Favilli, o tratamento é feito com geradores de ozônio que eliminam bactérias, vírus, ácaros e odores. “A tecnologia já existe e está chegando ao País. Queremos viabilizar o seu uso entre negócios de pequeno porte. No futuro, esperamos levar o tratamento de efluentes para lugares remotos. Nosso plano é instalar o equipamento para tratar o esgoto de comunidades. Iremos treinar o pessoal local para fazer a manutenção do equipamento. Assim, estaremos gerando trabalho e melhoria na qualidade de vida.”

Os fundadores da ETS Brasil, Giuliano Hirata Favilli (à esq,) e Thiago Sampa

Os fundadores da ETS Brasil, Giuliano Hirata Favilli (à esq,) e Thiago Sampa

Ele conta que a experiência na incubadora é bem interessante. “Temos contato com empresas que mexem com todos os tipos de atividades e acesso ao departamento jurídico, auxílio para criar patentes, assessoria de marketing etc. Eles nos fornecem uma base muito boa, além de facilitar o contato com fundos de investimento.”

Já o químico Eduardo Peixoto, do Instituto Brasileiro de Referência Ambiental (Ibra), buscou o apoio do Cietec para agilizar o projeto de criação de um banco de padrões analíticos de agrotóxicos, também chamados de pesticidas. Ele trabalha neste projeto há três anos.

“O Ibra é uma instituição sem grandes recursos financeiros e trabalha com a firme ideia de aplicar a química aos interesses sociais do País. Agora, pelo fato de estarmos no Cietec, conseguimos fazer em três meses muito mais do que realizamos nos últimos dois anos.”

Peixoto afirma que é fundamental que o Brasil tenha um acervo de padrões, necessários para o controle de atividades do agronegócio, bem como para proteger o ambiente e o consumidor de resíduos de pesticidas. “O Brasil, mesmo sendo o segundo maior produtor agrícola e um dos maiores consumidores de agrotóxicos, não tem proteção tecnológica própria, e usa padrões importados. Para um País que quer crescer isso é inadmissível”, diz.

Em breve, Peixoto vai assinar convênio com o Instituto de Energia e Ambiente (IEE), e espera obter apoio do governo e de empresas. “Nos próximos dois ou três anos teremos uma variedade de padrões de pesticidas para atender de 80% a 90% dos produtos usados atualmente no Brasil. Vamos oferecê-los para órgãos de governo, indústria e laboratórios de pesquisa.”

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