Franquias  e startups têm fôlego  e vagas
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Franquias e startups têm fôlego e vagas

Indiferentes à crise, negócios continuam crescendo e criando postos de trabalho

CRIS OLIVETTE

18 Setembro 2016 | 07h30

 Foto: Tadeu Brunelli ATENCAO: Toda foto deve ser publicada com o credito do autor, na sua integra sem cortes ou modificacoes, de acordo com a Lei Nº 9.610 de 19/02/1998.


Luis Yamanishi, Mania de Churrasco! Prime Steak House (foto: Tadeu Brunelli)

Estudo realizado pela empresa Rizzo Franchise mostra que enquanto a crise causa o fechamento de milhares de postos de trabalho, o segmento de franquias segue crescendo e gerando empregos.
Conforme o levantamento, no primeiro semestre de 2016 foram abertos 7.590 novos negócios que geraram 71.350 empregos diretos. Em 2015, no mesmo período, foram abertos 6.206 novos negócios, que geraram 63.922 empregos diretos.

A estimativa do estudo é de geração de aproximadamente 108 mil novas vagas até o final do ano, para atender os novos negócios que serão abertos.

Sócio-diretor da rede Mania de Churrasco! Prime Steak House, Luis Yamanishi conta que, neste ano, a marca abriu seis unidades e gerou 90 vagas de emprego. “Até o final do ano, devemos abrir mais quatro unidades, totalizando 38 pontos e 570 postos de trabalho.”

Yamanishi diz que as vagas são para atendentes, churrasqueiros, supervisores e gerentes. Segundo ele, em 2017 a rede pretende abrir mais dez unidades. “Atualmente, temos mais candidatos à franquia do que disponibilidade de lojas em bons pontos.”

A rede de fast-food especializada em churrasco, fundada em 2001, nasceu com a proposta de levar comida caseira e churrasco de qualidade para o corre-corre das praças de alimentação de shopping centers. “Nosso objetivo é oferecer os melhores cortes de carnes nobres, normalmente encontrados apenas em churrascarias, restaurantes e butiques de carnes.”

O fundador da rede Mr. Cheney Cookies, Lindolfo Paiva, afirma que nos últimos quatro anos, a marca vem gerando, em média, 100 vagas por ano para os postos de atendente e supervisor.
“Em 2016, já inauguramos oito unidades e até o final do ano devemos inaugurar mais sete. Cada loja necessita, em média, de sete funcionários. Algumas, que têm melhor desempenho, chegam a contar com dez colaboradores”, diz.

Lindolfo Paiva, presidente do Mr Cheney Cookies

Lindolfo Paiva, presidente do Mr Cheney Cookies

Paiva afirma que dentro da estrutura da franqueadora também são geradas novas vagas para atender o crescimento da rede, que conta com 58 unidades.
“São posições para as áreas de treinamento e produção. Também geramos empregos indiretos ao contratar serviços para atender necessidades da marca. No momento, por exemplo, estamos implantando política de boas práticas e contratamos diversas consultorias.”

Startups. Movimento semelhante é vivido por startups que necessitam contratar novos funcionários, principalmente para as áreas técnicas. O aplicativo de finanças GuiaBolso, por exemplo, aumentou a equipe em mais de 40% neste ano.

Fundada em 2014, a empresa começou apenas com os fundadores, Thiago Alvarez e Benjamin Gleason. “Agora, estamos com 80 pessoas. Só em 2016 contratamos 40 colaboradores”, diz Alvarez.
Segundo ele, 53% dos contratados destinam-se às áreas de tecnologia e desenvolvimento. “Mas também ofertamos vagas para marketing, recursos humanos, financeiro, administrativo, produto e atendimento.”
Alvares afirma que a crise financeira ajudou na disseminação do uso do aplicativo de controle financeiro, que é 100% automático e gratuito.

Thiago Alvarez, CEO e fundador do GuiaBolso

Thiago Alvarez, CEO e fundador do GuiaBolso

“As pessoas sentiram necessidade de buscar mais informações sobre a vida financeira para se organizarem. O crescimento foi tamanho que o aplicativo ficou no topo dos mais baixados na Apple Store.” Ele diz que em 2017 a equipe deverá chegar a 160 pessoas.
O empresário acrescenta que um comportamento que ocorreu nos Estados Unidos está começando a ocorrer no Brasil.

“Quando os universitários estavam se formando, eles queriam trabalhar em uma instituição financeira. Depois, o legal passou a ser trabalhar em consultoria. Depois do Google e do Facebook, trabalhar em startup virou a opção número um,porque essas empresas possibilitam um aprendizado muito rápido. Vejo uma clara mudança no comportamento dos jovens brasileiros.”

Inspiração. Alvarez conta que a ideia do negócio surgiu da vontade dos sócios de gerar grande impacto social dentro do mundo de serviços financeiros.
“Identificamos que o consumidor não tinha as informações necessárias para fazer boas escolhas.” Eles , então, criaram um aplicativo que permite ao cliente entender melhor as informações bancárias e gerenciá-las adequadamente.

Segundo ele, ao cadastrar a conta bancária no aplicativo, o sistema do GuiaBolso passa a acompanhar a movimentação e fazer análises. “Organizamos as informações financeiras da pessoa para que ela saiba quanto gasta e onde. Assim, pode fazer planejamento de longo prazo, estabelecer uma meta financeira e acompanhar automaticamente. Há uma série de funcionalidades legais.”

Alvares afirma que, depois de quatro meses usando o aplicativo, as pessoas começam a economizar duas vezes e meia a mais. Uma média de R$ 470 por mês.

“Depois de quatro meses, há 25% menos pessoas usando o cheque especial. É surpreendente. Essa informação não é da pessoa, tiramos do extrato e o extrato não mente. Estamos conseguindo gerar impacto positivo na vida dessas pessoas e também estamos conseguimos mensurar isso.”

Enquanto o País perdeu 1,5 milhão de empregos com carteira assinada em 2015, franquias e startups seguem contratando. Um exemplo é a GetNinjas, plataforma de contratação de serviços. Fundada em 2011, a empresa conta atualmente com 90 colaboradores, 40 deles contratados neste ano.

“Abrimos muitas vagas para desenvolvedores de sistemas e atendimento aos profissionais cadastrados na plataforma. Também reforçamos os times dos departamentos de marketing, administrativo e financeiro”, diz o CEO e fundador, Eduardo L’Hottellier.

Eduardo L'Hotellier, CEO e fundador da GetNinjas

Eduardo L’Hotellier, CEO e fundador da GetNinjas

O empresário afirma que pretende terminar o ano com 100 pessoas na equipe. Para 2017, sua expectativa é fechar o ano com 150 colaboradores.

“A plataforma cresce mais de 100% ao ano impulsionada pelo time de desenvolvedores. Como consequência, temos a necessidade de contratar profissionais para outras posições. É claro que exploramos o uso da tecnologia para conseguirmos fazer mais coisas com menos pessoas. Mas ainda temos espaço para atrair muitos profissionais. No entanto, não medimos o sucesso do negócio pelo número de contratações”, diz.

Segundo ele, por mês, cerca de 120 mil pessoas fazem solicitação de orçamento no GetNinjas. “É um volume bem grande. Temos mais de 100 mil profissionais cadastrados na plataforma, sendo que cerca de 30 mil são mais ativos. Um professor de piano, por exemplo, que está em uma região muito pequena, não recebe cliente todos os meses, enquanto um eletricista residente em São Paulo recebe mais de um contato de clientes por dia.”

L’Hottellier ressalta que o volume de empregos indiretos gerados pela plataforma é bem interessante. “Hoje, movimentamos cerca de R$ 15 milhões por mês para os profissionais cadastrados. Há um ano, esse valor era de cerca de R$ 5 milhões, ou seja, neste último ano triplicamos o valor das transações.”

Segundo ele, o grande impacto gerado pela atuação da empresa, além da geração de empregos diretos, é a geração de trabalho para os milhares de profissionais que conquistam clientes por meio da plataforma. “Vários chefes de família que perderam o emprego, encontram no GetNinjas uma forma de continuar sustentando suas famílias.”

Ele conta que por conta do desemprego, cresceu muito na plataforma o número de ‘marido de aluguel’ e de professores de inglês. “Para nós, o impacto da crise foi o de trazer mais profissionais para a plataforma. Por outro lado, ainda existe uma grande demanda de pessoas precisando de pedreiro, pintor, encanador etc. Portanto, nosso impacto na geração de trabalho é muito maior nos empregos indiretos do que nos diretos.”

Renata Barbieri, gerente de varejo e novos negócios das redes Touch e Euro

Renata Barbieri, gerente de varejo e novos negócios das redes Touch e Euro

Franquia. A gerente de varejo e novos negócios das redes Touch e Euro, pertencentes a Technos, Renata Barbieri, conta que neste ano foram inauguradas sete unidades. “Nosso objetivo de expansão prevê uma aceleração nas inaugurações até o final do ano. Pretendemos inaugurar mais 30 unidades, somando as duas marcas. Nossa previsão é de fecharmos o ano gerando 210 postos de trabalho.”

Renata conta que a companhia tem uma estrutura de assistência técnica, suporte operacional, consultoria de campo, e suporte financeiro que emprega 1.100 colaboradores, incluindo o time da fábrica em Manaus. “Destes, 422 são diretamente ligados à franqueadora.”

Ela conta que a Euro virou franqueadora em 2011 e a Touch em 2009. “A Euro está muito conectada ao mundo da moda e foca o público feminino, oferecendo relógios, acessórios, óculos e semijoias. A Touch é voltada para homens e mulheres entre 20 e 35 anos.”