Infraestrutura em falta inspira negócios em tecnologia

Infraestrutura em falta inspira negócios em tecnologia

A Ascenty, criada em 2009 por Chris Torto, ex-dono da Vivax, oferece data centers e rede de fibra óptica e prevê faturar US$ 200 m

Claudio Marques

25 de abril de 2017 | 07h51

Chris Torto. Foto: Felipe Zaidan / Ascenty

Chris Torto. Foto: Felipe Zaidan / Ascenty

Cláudio Marques

O americano Chris Torto ficou conhecido no Brasil por ter sido o fundador da Vivax, em 1995, empresa criada para a implantação de infraestrutura de TV a cabo. Quando a companhia foi vendida, em 2007, estava avaliada em US$ 1,2 bilhão na Bovespa, segundo ele. “Ao longo dos 11 anos em que fiquei na empresa, crescemos muito e chegamos a ser a segunda maior”, conta ele, que é formado em administração com MBA em Harvard.

“Eu tinha 43 anos na época e estava jovem demais para me aposentar. E comecei a olhar outros segmentos para investir.” Acabou, no entanto, escolhendo de novo a área de infraestrutura para exercer seu talento de empreendedor. Mas agora no setor de internet, com a criação da Ascenty, no final de 2009.

“Chamou-me a atenção que nos Estados Unidos, na pior crise em 70 anos, em 2007/2008, eu vi dois negócios bombando. Um era data center e o outro eram redes de fibra óptica. Em 2009, aqui no Brasil, eu vi três data centers de qualidade no País inteiro. E, pior ainda, não havia rede de fibra óptica para interligar esses data centers e os negócios de troca de tráfego. Eu pensei: acho que há grande oportunidade aí. E por causa disso, surgiu a Ascenty”, relembra.

Para dar vida à empresa, investiu o próprio dinheiro e chamou vários membros da direção da Vivax, que tinham experiência em investir em projetos de infraestrutura. “E começamos a Ascenty. Na época, em 2009, início de 2010, não tínhamos nem mesmo escritório. Fazíamos reuniões em um café, trabalhávamos de casa, montamos nosso plano de negócios e começamos.”

Além de iniciar a implantação de datacenters, a Ascenty também começou a construir a sua rede de fibra óptica. “Hoje temos 4 mil km de rede. O primeiro data center começou a ser erguido no final de 2011 e foi inaugurado em outubro de 2012.”

De acordo com o empresário, seus clientes são as maiores empresas de tecnologia do mundo, que oferecem o serviço de cloud no Brasil e América Latina. “E nós prestamos o serviço de infraestrutura de internet, ou seja, o espaço, a energia, a refrigeração, toda a segurança, toda a conectividade por meio de rede de fibra óptica. Esse é o serviço que oferecemos.”

Alto custo. O investimento é grande. “Cada data center nosso custa de US$ 50 milhões a US$ 60 milhões. E até o final deste ano teremos nove em operação”, afirma. “No nosso datacenter de Jundiaí, por exemplo, tem uma subestação de energia própria, na qual recebemos energia de alta tensão da CPFL e temos 25 megawatts de energia em um prédio de 8 mil m². É mais energia do que a cidade inteira de Jundiaí tem. Os computadores que ficam no data center usam muita energia. E a refrigeração é parte chave do negócio, porque se gera muito calor e se não se refrigerar, os compuradores param”, diz.

Para pôr de pé um negócio dessa proporção, Torto recorreu a investidores e empréstimos bancários. “Tem de ter os investidores e nós também acabamos de fazer um financiamento, liberado pelos bancos Itaú BBA e IMG deUS$19omilhões. Eles nos cederam crédito nesse patamar.”

Esse trajeto foi o mesmo que ele utilizou na Vivax. “Eu coloquei o meu dinheiro para começar, o negócio se consolidou, eu trouxe investidores, depois buscamos financiamentos, depois abrimos o capital. No inicio de 2006 fizemos várias captações”, conta.

“Ao longo dos 11 anos em que fiquei na Vivax, crescemos muito e chegamos a ser a segunda maior. Um ano depois de abrir o capital, a NET Serviços, que era subsidiária da Telmex, fez uma oferta pública para nossas ações e comprou a propriedade da Vivax, que depois se tornou operada da NET.”

O retorno em um negócio como a Ascenty é longo, porque se investe em infraestrutura elétrica, mecânica, civil. “Mas acredito no longo prazo do Brasil, independentemente de qualquer momento econômico ou político que estamos passando”, diz Torto, que há 30 anos vive no Brasil. “Eu acredito tanto que eu coloquei meu dinheiro pessoal e trouxe muito capital para investir.”

O empresário cita um ditado do megainvestidor americano Warren Buffet: “Quando todo mundo está querendo sair, é o momento de entrar. Nos últimos dois anos o mundo estava querendo sair do Brasil, e nós investimos o dobro do que havíamos investido nos anos anteriores. Vimos a crise como uma grande oportunidade para continuar crescendo”.

Foi justamente o senso de oportunidade, diz ele, que o fez criar esses dois negócios. “Não sou especialista em tecnologia, mas o que eu vi, desde o primeiro negócio, em 1995, quando comecei a Vivax, é a falta de infraestrutura básica que há no Brasil.”

Rapidez. Torto, porém, faz questão de dizer: “Nós não somos uma empresa de tecnologia”. E explica: “Toda a tecnologia que implementamos é contrato, não estamos desenvolvendo a tecnologia. O que nós somos é uma empresa de serviços, e a forma como atendemos o nosso cliente é que faz uma grande diferença e nos dá uma vantagem competitiva.”

“Por exemplo, qualquer coisa que os nossos grandes clientes pedem, eu mesmo o recebo, para dizer o que está acontecendo. E tentamos resolver qualquer pedido dentro de 15 minutos. Seja grande ou seja pequeno. Então, nossos clientes ficam encantados com a forma que atendemos, reagimos, falamos com transparência. Essa é a grande diferença.”

É com esse atendimento e com a infraestrutura moderna que oferece que ele prevê faturar US$ 200 milhões neste ano.

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