Inovação é meio para ganhar mercado

Inovação é meio para ganhar mercado

Claudio Marques

31 de dezembro de 2012 | 08h09

Engenheira química elimina solventes em colas e selantes e cria produto sustentável

Cris Olivette
Empreender foi para a engenheira química Wang Shu Chen uma questão de saúde. Depois de trabalhar anos como pesquisadora de uma multinacional do setor químico, um exame de sangue apontou que ela estava com 30% menos glóbulos brancos no sangue, decorrente da exposição a solventes. “A solução foi deixar o emprego e buscar apoio para desenvolver uma cola sem solventes”, conta Wang.
Em 2001, seu projeto foi aprovado pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec). “A partir daí, tive acesso aos laboratórios da Universidade de São Paulo, onde realizei pesquisas e testes que resultaram na produção de adesivos e selantes isentos de compostos nocivos à saúde e ao meio ambiente.” Ela diz que sem o apoio de órgãos púbicos, agências de fomento e de investidores, não teria conseguido criar o negócio.
Segundo Wang, atualmente a Adespec – Adesivos Especiais fatura R$ 12 milhões por ano, emprega 55 funcionários e mantém forte ritmo de crescimento. E Wang continua investindo em inovação. “Estamos desenvolvendo um produto a partir da nanotecnologia, que será usado para colar placas de blindagem.”
Com a saúde recuperada, a empresária diz orgulhosa que a Adespec foi a única empresa de selantes convidada a participar da Rio +20. “Foi um reconhecimento pelas soluções inovadoras e sustentáveis que criamos e que oferecem alto padrão de eficiência.”
O exemplo de Wang, foi usado pelo diretor executivo do Cietec, Sergio Risola, para ilustrar sua resposta a pergunta “Vale a pena recorrer a uma incubadora?”. O questionamento é tema de um dos 24 capítulos que compõem o livro Empreendedorismo Inovador, organizado pelo consultor de negócios Nei Grando.
“No meu capitulo, tento passar para o leitor o quanto vale a pena para uma startup participar de uma incubadora.” Risola diz que também tenta derrubar o mito do capital de risco, porque essa realidade mudou. “Temos hoje, sete investidores do Vale do Silício atuando no Brasil. Tento acabar com a imagem do investidor que sufoca o empreendedor e mostrar que o capitalista está aí e é nosso amigo. Esse novo mundo é tudo o que sempre desejamos.”
Outro tema explorado pelo livro é a diferença entre criatividade e inovação. Apesar de a criatividade ser o motor da inovação, os dois termos tem definições distintas. “Para as empresas, inovação significa competitividade, é uma forma de se diferenciar e ganhar mercado. Enquanto a criatividade é uma associação de ideias que pode não se tornar real”, diz o gerente de desenvolvimento e inovação do Sebrae-SP, Renato Fonseca.
Na opinião de Nei Grando, o processo de geração de ideias com valor, que resulta em uma invenção, exige criatividade, observação, atenção e reflexão. “Inovação, por sua vez, é colocar as ideias na prática e está mais ligada aos negócios, focando a geração de novos produtos, melhoria de processos ou a criação de novos modelos de negócios. Só é inovação se tiver sucesso.”
Grando afirma que a criatividade pode ser individual ou de equipe. “Hoje, existem técnicas que utilizam empatia, colaboração e experimentação para gerar algo desejável pelo público. Essa técnica junta mais pessoas e acelera o processo de criação.”
Segundo Fonseca, as empresas brasileiras estão aprendendo a desenvolver processos de gestão da inovação. “A inovação pode ser induzida, daí a importância da criatividade e da observação do mercado e do mundo em busca de ideias que possam resolver os problemas das pessoas.”
Ao alcance. Inovação, diz ele, pode ser feita por empresas de todos os portes. “Um pequeno empresário pode colocar uma lousa em um ponto da empresa e escrever uma pergunta importante por semana. Assim, terá a chance de receber ideias de funcionários, fornecedores e clientes. Se fizer isso toda semana, em um ano terá pelo menos 50 ideias geniais. Esse processo pode ser sofisticado, conforme o porte da empresa.”
Para Grando, as empresas nacionais ainda têm grande resistência às coisas novas. “Ou elas mudam ou vão quebrar. Temos aspetos culturais que precisam ser superados. ” Com base em sua experiência como consultor, e com o objetivo de orientar jovens que desejam empreender e empresários que desejam inovar, Grando convidou 25 especialistas – consultores, professores, empreendedores e investidores –, para escrever sobre diversos temas relacionados ao empreendedorismo. Os textos deram origem ao livro Empreendedorismo Inovador, lançado no final de outubro.
“A obra apresenta a construção de um modelo brasileiro para atingir a inovação. Em meu capítulo, falo sobre o contexto do empreendedorismo no Brasil”, diz Fonseca. Já Grando afirma que o livro é diferente de tudo o que já foi produzido dentro e fora do País. “Conseguimos criar uma espécie de manual ao abordar a maioria dos assuntos que o empreendedor vai enfrentar no dia a dia.”

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