Intercâmbio deve proporcionar visão global do negócio

Intercâmbio deve proporcionar visão global do negócio

A visita técnica pretende ampliar o olhar do empreendedor, discutir modelos de gestão e criar novas estratégias

EDILAINE FELIX

31 de janeiro de 2015 | 10h47

Pesquisa realizada em 2013 pelo Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC), avaliou a causa da mortalidade das startups brasileiras. A pesquisa foi realizada com 355 empreendedores, sendo que 171 tiveram experiências com startups descontinuadas e 184 apresentaram startups em operação.

De acordo com o levantamento, no Brasil, pelo menos 25% das startups morrem em um ano, 50% delas morrem em 4 anos e 75% em 13 anos.

Para o coordenador do núcleo da FDC, Carlos Arruda, o ponto crítico é a falta de preparo das startups. “Os empreendedores têm dificuldade de entender as necessidades do mercado, de lidar com governança e de adaptar o produto às necessidades do mercado”, diz.

Arruda destaca que as startups oferecem ao mercado o que elas criaram e não o que a empresa precisa. Segundo ele, essa é a lógica do conhecimento e não a do mercado. “Eles precisam aprender a trabalhar com inteligência do mercado.”

O curso que vai proporcionar imersão internacional – em Boston, nos EUA – realizado pela FDC, o Capable Startups, pretende ampliar a visão de mercado dos empreendedores.

“Queremos criar o aprendizado coletivo, no qual os empreendedores aprendam com tutoria e mentoria com empresários, discutam o modelo de negócio e de gestão financeira e pensem em estratégias globais.”

Segundo Arruda, o objetivo do programa é qualificar a startup e a visita as incubadoras é a prática necessária, hora de conhecer negócios que já nascem com visão internacional.
Para o professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, o intercâmbio dá uma visão de mundo, expande a perspectiva de negócio e abre a cabeça do empreendedor.

“Quando ele ainda não está empreendendo ele pode criar mais confiança e inspiração para continuar e para quem já é empreendedor, além da inspiração tem o networking para novos negócios e estratégias.”

O professor aponta alguns cuidados na hora de realizar a viagem. “É importante ter uma rede de negócios, se associar a algum grupo e ter locais predeterminados de visitas, de acordo com o seu segmento”, diz.
Rafael Câmera Santos, de 26 anos, foi um dos 13 empreendedores que participaram de uma imersão no Vale do Silício durante a 4ª TechMission.

“O Vale é onde a cultura de startups começou, e ainda é o lugar de maior concentração de empreendedores e investidores do mundo. Aprendi a importância de acreditar no seu produto e também a ouvir feedbacks honestos do mercado.”
Após voltar da missão, Santos vendeu sua participação na empresa e começou um novo negócio, já com visão global. “Na empresa atual, estamos estruturando ela de maneira global desde o dia 1”, completa.

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