Leia o edital antes de participar do leilão

Leia o edital antes de participar do leilão

Atividade cativa cada vez mais participantes de todos os pontos do País; mas antes de entrar em um deles, veja o que é importante saber

CRIS OLIVETTE

08 de março de 2015 | 07h42

Ronaldo Milan

Ronaldo Milan

Cris Olivette

Atividade que atrai de pessoas físicas e pequenas empresas a grandes companhias em busca de bons negócios, os leilões instigam cada vez mais interessados. Por isso, o presidente do Sindicato dos Leiloeiros de São Paulo, Eduardo Jordão Boyadjian, dá dicas para quem pretende participar pela primeira vez de um pregão.

A primeira recomendação é que o interessado leia atentamente o edital. “Só assim ele conhecerá as regras pelas quais o leilão será regido. Também é importante avaliar pessoalmente o bem pelo qual se interessou e pesquisar o seu valor de mercado, determinando um teto máximo de lance”, diz Boyadjian.

O leiloeiro ressalta que os compradores não podem se envolver emocionalmente na hora do pregão, para não correr o risco de fazer um mal negócio. “Tem de ter noção do valor do bem, estabelecer um valor (a que pode chegar seu desembolso) e não ultrapassar este limite.”

Segundo ele, esse mercado cresceu muito com os pregões online. “Há dez anos, a Jordão Leilões aderiu ao formato online. Hoje, não tenho mais presença de público nos leilões e a participação de quem mora fora de São Paulo é enorme.”

Ao encerrar um leilão, Jordão diz que o mapa de arrematantes aponta um volume de pessoas de outros Estados impressionante. “Posso dizer que em um leilão com 150 lotes, já tive arrematantes de 12 Estados, fora os que disputaram e não levaram.”

Segundo ele, o Estado de São Paulo tem cerca de 450 leiloeiros matriculados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). “Destes, exercendo efetivamente a profissão, devemos ter cerca de 150. Metade deles são sindicalizados.”

Jordão afirma que ser sindicalizado é um indicador a mais de garantia para o público. “Não é um requisito, mas o profissional sindicalizado demonstra interesse na classe, participa das reuniões e segue as diretrizes preconizadas pelo sindicato. É sempre um ponto positivo.”

Em 1979, quando foi nomeado leiloeiro, Luiz Fernando Abreu de Sodré Santoro viajou para os Estados Unidos, a fim de conhecer como os americanos atuavam neste mercado. “No Brasil, até então, só eram realizados leilões de arte e judicial. Quando voltei, introduzi os pregões de bens provenientes de bancos e seguradoras”, conta o presidente da Federação Brasileira dos Leiloeiros.

Em atividade há mais de três décadas, Santoro afirma que o mercado se tornou mais dinâmico e vigoroso nos últimos anos, com o leilão eletrônico. “O online ampliou a quantidade de participantes, por oferecer grande facilidade. Hoje, leiloamos de 300 a 400 carros por dia, com lances feitos simultaneamente pelo online e presencial.”

Segundo ele, os veículos arrematados são provenientes de renovação de frota de grandes empresas, de seguradoras e de financiamentos. Por mês, ele comercializa cerca de seis mil veículos. “O leilão de carros é o que nos dá mais visibilidade, mas também trabalhamos com imóveis e equipamentos.”

Para manter o ritmo do negócio, Santoro conta com 500 funcionários e estrutura de oito pátios distribuídos por São Paulo e Paraná. Ter boa infraestrutura, aliás, é o grande empecilho para quem quer competir neste mercado. “É preciso ter capital para montar uma boa estrutura, ou se associar a um escritório maior”, afirma o dono da Milan Leiloeiros, Ronaldo Milan.

Segundo ele, a chance de um novo leiloeiro ser contratado é pequena, caso não tenha a retaguarda adequada. “Como a comissão de 5% é igual para todos os leiloeiros, quem contrata um profissional quer alguém que tenha boa estrutura”, avalia.

Milan diz que os clientes não contratam o leiloeiro, mas uma operação de logística. “Nós vamos buscar o bem, o preparamos para a venda, cuidamos da documentação, vendemos, etc. Fazer o pregão é a parte mais fácil”, ressalta. Em atividade desde 1985, Milan tem 152 funcionários e 140 mil m² de depósitos distribuídos em três pátios.

O leiloeiro conta que uma boa plataforma de leilão online deve permitir o cadastramento fácil do público, visualização clara do bem e velocidade. “Assim, quem está presente na sala pode acompanhar o que acontece no online. A plataforma deve comportar grande volume de pessoas conectadas no site ao mesmo tempo, para que a velocidade seja rápida e constante.”

Segmento está em pleno crescimento

Trabalhando no mercado de leilões desde os anos 1960, Sérgio Freitas criou a Freitas Leiloeiro Oficial em 1985. Em mais de meio século de atividade, ele viveu todas as etapas da evolução do sistema de leilões.

“O modo de receber os lances mudou muito. No início, o lance era feito presencial e via carta registrada em até 24 horas antes do pregão. Depois, passamos a receber via telex, fax, e-mail, até chegarmos aos dias de hoje, quando o pregão ocorre online, com lances em tempo real.”

Freitas afirma que as inovações sempre beneficiaram os pregões, facilitando cada vez mais a participação do público, aumentando a concorrência e valorizando o bem leiloado.

Com 250 funcionários e três pátios para armazenar os produtos, Freitas realiza cerca de 40 leilões por mês, incluindo veículos, bens móveis, imóveis e judiciais. Segundo ele, se o comprador tiver alguma dúvida deve buscar esclarecimento diretamente com o leiloeiro.

Já para quem deseja atuar neste mercado, Freitas recomenda profissionalismo, responsabilidade e seriedade. “Acredito que o mercado de leilão está em pleno crescimento, portanto, ainda comporta mais leiloeiros.”

O advogado de 49 anos Rogério Boiajion está atuando no segmento. Sua matrícula na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) foi emitida em setembro de 2014. “Sempre trabalhei na área comercial. Mas o que me atraiu para a área de leilões foi a questão de ter uma atividade autônoma.”

Ele diz que o pequeno número de leiloeiros em atividade no Estado foi um incentivo a mais para entrar no segmento.

“No início, vou trabalhar só com leilão de imóveis. Mas a minha intenção é operar com carros também, porém, ainda não tenho um pátio.” Segundo ele, o processo para obtenção da matrícula durou três meses.

“É preciso providenciar uma série de documentos e fazer um depósito calção no valor de R$ 37 mil. Esse dinheiro é do leiloeiro, mas fica indisponível em uma conta poupança até o dia em que ele deixar a área e solicitar a sua exoneração.”

Boiajion explica que o valor depositado é para garantir o cumprimento das normas e regras que regem a ética do profissional. “Para tirar todas as certidões, gastei cerca de R$ 800, incluindo os gastos com estacionamento”, diz.

Ele afirma que a plataforma online da BCO Leilões está pronta. Agora está captando o primeiro imóvel para leiloar. Boiajion diz que os imóveis normalmente são provenientes de penhora pelo não pagamento de condomínio, dívida trabalhista, ou algum outro tipo de execução.

“A determinação de quem fará o leilão é feita pelo juiz, que tem a relação dos leiloeiros e os indica, seguindo a ordem de um rodízio entre os profissionais. Mas o advogado de quem vai leiloar o imóvel também pode indicar um leiloeiro ao juiz.”

Segundo ele, a partir de agora, seu grande desafio será captar os imóveis para leiloar. “Acredito que o fato de ser advogado já é um diferencial para a minha atuação, afinal, os trâmites de documentação são bem complexos.”

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