Lojas virtuais criam marcas próprias para se destacar

Lojas virtuais criam marcas próprias para se destacar

Ao identificar lacunas em suas plataformas, empresas lançam etiquetas exclusivas

CRIS OLIVETTE

29 de março de 2015 | 07h41

Kai Schoppen, da Infracommerce

Kai Schoppen, da Infracommerce

Depois dos grandes varejistas, o lançamento de produtos com marca própria chega às lojas virtuais. “Ter marca própria virou uma tendência rentável. De modo geral, as vendas virtuais de marcas próprias duplicaram de 2014 para cá”, conta um dos sócios da GS&ECOMM, Luiz Felipe Ennes, que oferece soluções em planejamento e gestão para o comércio eletrônico.

A afirmação é endossada pelo CEO da Infracommerce, Kai Schoppen. Ele diz que criar marca própria é uma realidade no comércio virtual. “Quem lança a sua, ganha mais credibilidade do consumidor e passa a ser visto como inovador. A interação com o cliente também fica mais intensa. Além disso, ter uma marca mais forte resulta no aumento das vendas”, alega.

Bruno Henriques, CEO da Kanui

Bruno Henriques, CEO da Kanui

Lançada em 2012, a loja virtual Kanui, de artigos e equipamentos para esportes de ação, criou cinco marcas próprias: Mrs. Candy, Juice It, Ozel Bikes, Ride e 6am. “Tínhamos essa vontade, que ficou mais clara após um ano de operação”, diz o CEO, Bruno Henriques.

O empresário conta que ele e os sócios perceberam que havia um público que frequentava o site, mas não conseguia ser atendido. “Vimos que havia essa lacuna e que seria possível oferecer um produto com boa qualidade e com o preço mais acessível. As marcas chegaram ao mercado para complementar o portfólio, não para competir com as demais.”

Hoje, a Kanui trabalha com mais de três mil produtos de suas marcas. No geral, o site oferece 33 mil itens. Henriques ressalta que o ponto principal na hora de criar a marca própria é a contratação de especialistas.

“Pegamos pessoas com muito conhecimento de produto, produção, designer e moda. Foram eles que desenvolveram o conceito das marcas e organizaram a casa, levando em conta o estilo do site”, diz.
A dica de Henriques para quem pensa em criar uma marca é fazer pequenos testes. “O e-commerce possibilita análise rápida de dados. Depois de comprovar a viabilidade, vá aumentando a produção.”
Segundo ele, o ciclo de vida dos produtos é muito baixo. “A cada três meses lançamos três mil novos produtos. A marca própria traz mais público e aumenta as vendas.”

Marcelo Karsouni, diretor comercial da Tricae

Marcelo Karsouni, diretor comercial da Tricae

Em atividade desde 2011, a loja virtual Tricae, especializada em produtos para bebês e crianças lançou, em 2013, a linha de produtos que leva o nome da plataforma.

“Tivemos essa iniciativa para aproveitarmos as brechas existentes. Trabalhamos marcas de terceiros e eles não são tão flexíveis em relação a tendências da moda, lançamento de coleção e preço. Além disso, percebemos que parte dos consumidores buscava produtos com valor abaixo dos que eram praticados. Percebemos, então que poderíamos oferece produtos nessa faixa de preço criando nossa marca”, diz o diretor comercial, Marcelo Karsouni.

Além da marca Tricae, a empresa tem licença da Disney para estampar personagens nas peças. “Estamos vendendo três mil itens por dia, só da Tricae e Disney. Hoje, as duas marcas são responsáveis por 12% dos resultados do negócio”, afirma.

Karsouni diz que após identificar uma lacuna no e-commerce, o passo seguinte é criar uma equipe para desenvolver a coleção. “É preciso ter um bom desenvolvedor de produtos e outra pessoa para buscar fornecedores. Os dois são fundamentais para começar.”

No início, segundo ele, a maior dificuldade é encontrar fornecedor que concorde em fazer pequenas quantidades. “Esse é um grande desafio, os fornecedores hesitam em aceitar encomenda de pequena quantidade por modelo.”

Pedido pequeno, diz ele, é entre 20 e 40 peças. “Hoje, encomendamos 300 peças por modelo, sendo que as coleções são renovadas a cada dois meses, em média.”

Ele também recomenda que o empreendedor veja constantemente o movimento do mercado, acompanhe as tendências, e seja rápido na hora de substituir a coleção. “Quanto mais rápido colocar em sua coleção a tendência da moda, mais espaço vai ganhar a marca própria. Por último, o preço tem de ser competitivo. A faixa de preço é fundamental para o sucesso da marca.”

Victor Noda, da Mobly

Victor Noda, da Mobly

ESTRATÉGIA É OFERECER AMPLA OFERTA

A vontade de empreender levou três amigos formados em engenharia a fundar a loja virtual Mobly. “A sociedade surgiu da paixão por empreender que compartilhávamos. Fizemos MBA nos Estados Unidos, nesse período, montamos um site de leilão online, que teve de ser vendido quando íamos voltar ao Brasil”, conta Victor Noda.

Chegando ao País, eles começaram a pesquisar uma nova atividade. “Vimos que uma empresa americana estava indo super bem vendendo móveis e produtos para casa pela internet. Pesquisamos o mercado brasileiro e concluímos que esta era uma super oportunidade, pois por aqui não havia nenhuma operação com grande variedade de produtos, que atendesse o País todo.”

No mercado desde 2011, a marca própria Mobly foi lançada em 2014. Noda comenta que quando o dono de um e-commerce pensa em marca própria, pensa em reduzir custos, ou então em aumentar a sua margem de lucro.

“No caso da Mobly, a ideia foi criar um diferencial de sortimento. Víamos que o mercado tinha muitas peças com estilo bastante semelhante. Tudo o que entrava de novo na loja, era muito parecido com o que já havia. Só mudava o fornecedor.”

Ele diz que a estratégia do negócio sempre foi voltada à oferta de produtos. “Temos 75 mil produtos disponíveis no site. Número três vezes maior do que o sortimento da Tok Stok, por exemplo, que tem o segundo maior sortimento.”

Mais uma vez, os sócios pesquisaram o que havia de diferente no mercado externo e encontraram um grande leque de variedades. “Foi nesse momento que concluímos que seria legal criar uma marca própria para desenvolvermos produtos, além de também trazer alguns de fora, com a nossa marca.”
Segundo ele, com a estratégia, o e-commerce passou a oferecer produtos exclusivos e reforçou o seu posicionamento, marcado pelo sortimento e por ter de tudo para qualquer bolso. “Conseguimos dar nossa cara ao negócio”, afirma.

O empresário acrescenta outro objetivo estratégico. “Além da diferenciação de sortimento, queríamos mostrar que somos não só um grande varejista de móveis, mas que também somos autoridade no assunto, conhecemos e desenvolvemos produtos”, diz.

O processo de criação envolve os três sócios e equipe de designers. “Depois de criar um produto, negociamos com as fábricas para definir qual delas irá produzi-lo. Já temos cerca de 300 itens. E diferentemente do mercado de moda, que muda tudo a cada três meses, a linha de móveis é mais perene, o catálogo dura até um ano e meio.”

Para quem possui loja virtual e pensa em desenvolver uma marca, ele afirma que é preciso garantir que o produto tenha algum diferencial. “Se não tiver, de duas uma. Ou vai ter de vender muito mais barato, ou não vai conseguir vender. Antes de apostar em uma marca própria, identifique o que poderá oferecer de diferencial. Só assim terá sucesso.” A Mobly tem atualmente 600 funcionários. No início eram quatro.

 

 

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.