Médico vira chef e cria yakissoba gourmet

Médico vira chef e cria yakissoba gourmet

Depois de atuar como cirurgião oncológico por dez anos, Kiko Hwang larga carreira para realizar seu sonho e cria um negócio

CRIS OLIVETTE

10 de novembro de 2014 | 10h14

As lojas da rede têm janelão de vidro para que clientes possam acompanhar o preparo dos pratos pelo cozinheiro

As lojas da rede têm janelão de vidro para que clientes possam acompanhar o preparo dos pratos pelo cozinheiro

Cozinhar sempre foi um hobby para o taiwanês Kiko Hwang, que chegou ao Brasil na década de 1980, quando tinha dois anos de idade. “Meus pais sempre me educaram para que eu fosse médico ou engenheiro. Acabei optando pela medicina. Exerci a profissão durante dez anos, como cirurgião oncológico e professor”, conta.

Segundo ele, mesmo com muitos compromissos, dava um jeito para fazer cursos de culinária, empreendedorismo e liderança, porque o sonho de empreender na área gastronômica sempre o acompanhou. Até que surgiu a oportunidade de alugar um espaço em um shopping popular.

“Montei um fast food de comida japonesa e foi um sucesso. Em sete meses, o negócio já me dava uma renda próxima a da que eu tinha como médico. Isso me motivou a ir mais a fundo. Estudei controladoria e planejamento tributário na Fundação Getúlio Vargas. Antes de dar um passo maior, achei que faltava uma formação aprofundada na área gastronômica. Conversei com minha mulher e resolvemos tirar dois anos sabáticos. Fui estudar culinária na Le Cordon Bleu. Voltei totalmente focado nesta nova carreira.”

Primeiro, Hwang abriu um restaurante natural. “As receitas eram repletas de fusões com a cozinha oriental. Suei dois anos até atingir o ponto de equilíbrio. Essa experiência me remeteu à experiência com o fast food de comida japonesa. Então, criei a primeira unidade do fast food Yakissoba Factory.”

Durante dois anos, ele manteve a duas operações, até que o proprietário do ponto não quis renovar o contrato. “Apesar de o negócio já estar razoavelmente lucrativo, tive de devolver o imóvel e fechar o restaurante.”

Na mesma época, ele estava formatando a franquia do Yakissoba Factory. Hoje, a marca tem 16 unidades em operação e dez já vendidas, com lojas espalhadas por diversos pontos do País. Para ser um franqueado, o investimento é a partir de R$ 160 mil, para uma loja de 45 m². Uma loja plena, com 60 lugares, sai por R$ 300 mil.

“Todas as lojas têm um janelão de vidro para que os clientes possam acompanhar o preparo dos pratos. Além da receita tradicional, temos oito variedades exclusivas de yakissoba gourmet.”

Hwang espera faturar R$ 7 milhões neste ano. “Em 2013, o faturamento foi de R$ 1,2 milhão. Essa projeção considera as oito lojas que iremos inaugurar até o final do ano.”

Agora realizado, ele afirma que a medicina não faz mais parte de seus planos. “Às vezes tenho saudade de fazer uma cirurgia, mas não pretendo retomar a profissão”, diz.

Segundo ele, elaborar o plano de negócio e estudar o mercado são tarefas fundamentais para empreender. “A competição é acirrada e é preciso entrar preparado, para não ser um aventureiro. Além desse preparo, é preciso ser humilde. Vejo muitas pessoas com postura arrogante. Ter tido estudo prévio em outra área passa muito longe de ser vantagem competitiva.”

Segundo ele, ser inteligente e ter uma boa formação acadêmica não garante sucesso nos negócios. “A pessoa tem de ter humildade, aprender e melhorar sempre. Minha maior demanda de trabalho vem da área de recursos humanos. Tem de saber gerir, lidar com as pessoas. Essa é a minha maior dificuldade.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.