Mercado da Gula é vitrine virtual para microquituteiros
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Mercado da Gula é vitrine virtual para microquituteiros

Plataforma chegou no mercado há um mês com a proposta de incluir autônomos e pequenos empreendedores no comércio digital

CRIS OLIVETTE

13 Dezembro 2015 | 07h10

Simone Freire, dona do Jardim das Delícias

Simone Freire, dona do Jardim das Delícias marca presença no Mercado da Gula

Quando estava organizando uma festa na empresa onde trabalha, Bruno Souza percebeu uma brecha no mercado. “Procuramos na internet pessoas que fizessem entrega de salgados e doces para festa. Não encontramos nada além de empresas que entregam refeição.”

Junto com dois colegas, ele começou a desenvolver o projeto de um marketplace que ajudasse os pequenos empreendedores desse ramo de atividade a vender pela internet. “Isso ocorreu há cerca de cinco meses. No começo de novembro, lançamos o Mercado da Gula.”

Ele diz que na periferia há muita gente que faz produtos de qualidade e não têm condições de investir em um e-commerce. “A plataforma é bem fácil de ser usada, o cadastro é simples e a ferramenta de pagamento Moip é muito segura.”

Souza conta que o Mercado da Gula já tem dois mil vendedores cadastrados. “Estamos trabalhando para consolidar a marca no mercado e atrair mais vendedores. Já temos mais de 180 mil curtidas no Facebook, um número bem considerável.”

O negócio foi criado com recursos próprios. A receita vem da taxa de 6% cobrada sobre as vendas. “Acreditamos no negócio, mas até que funcione plenamente teremos de desembolsar recursos próprios.”

Segundo ele, o plano para o primeiro semestre de 2016 é captar vendedores de novas categorias. “Ainda não temos, por exemplo, ninguém que venda churrasco. Queremos atrair categorias diversificadas como tortas, frango assado, produtos de ceia de Natal, comida japonesa etc.”

O Jardin das Delícias, fundado pela administradora Simone Freire em sociedade com Sandra, sua irmã, também marca presença no Mercado da Gula desde novembro.

Aliado. “Descobrimos o marketplace pela internet. Achamos fantástico, porque ele abre a possibilidade de mantermos contato com clientes de pontos um pouco mais distantes do nosso raio de atendimento, que é cerca de 5 km de nossa loja, porque ainda não fazemos entrega”, diz.

Simone acha ótima a possibilidade de poder selecionar os produtos que serão expostos na vitrine virtual. “Posso apresentar os de maior rentabilidade ou os que chamam mais a atenção dos clientes. A partir do momento em que o cliente me acha, existe a possibilidade de conseguir fidelizá-lo”, diz.

Ela conta que a primeira venda ocorreu uma semana depois de fazer o cadastro na plataforma. “A encomenda foi abaixo do nosso mínimo, mas fizemos questão de atender. A cliente provou os produtos e encomendou todos os itens personalizados para sua festa, além de nos indicar para outras pessoas. Essa divulgação para nós, que somos tão pequenos, é imensurável”, afirma.

A empresária diz que criou o negócio após trabalhar durante oito anos em um banco e desenvolver problema de enxaqueca. “Troquei o trabalho no banco, onde tinha de lidar com clientes chateados por algum motivo, porque ninguém vai ao banco para dar um oi ao gerente, e passei a fazer parte dos momentos felizes das pessoas.”

Jéssica Lima

Jéssica Lima arrumou uma forma de complementar a renda

Há pouco mais de três anos, Jéssica Lima, de 25 anos, ajuda a mãe a produzir salgados e doces para festas. Pela manhã, trabalha como professora de artes; à tarde, coloca a mão na massa. “Minha mãe também tem outro trabalho. Essa foi a forma que encontramos para complementar a renda da família.”

Segundo ela, em um mês de experiência no portal, já conquistaram quatro novos clientes. Jéssica afirma que na primeira venda pelo site elas ficaram inseguras pelo desconhecido. “Mas o resultado foi uma grata surpresa. No futuro, sonhamos em montar uma loja física”, diz.

Com apenas 17 anos, Suelen Alves já acumula experiência profissional no mercado formal de trabalho, mas há um ano e meio resolveu apostar em uma iniciativa empreendedora.

“Cresci vendo minha mãe e minha avó cozinhando e tomei gosto pela culinária. Hoje, só trabalho com venda de bolos e minha renda é maior. Agora, com o Mercado da Gula, dobrei o número de bolos que faço por mês, porque antes só vendia para conhecidos.”

Ela diz que a ferramenta de pagamento da plataforma dá segurança para ela e mais confiança aos clientes, que podem pagar com cartão de crédito, débito ou boleto bancário.

“Cadastrei só os bolos para fazer um teste, como estou gostando bastante, vou ampliar a oferta de produtos, porque também faço tortas e salgados.”

‘PRODUÇÃO É MAIOR NOS FINS DE SEMANA’

Judite Lima Santana, de 52 anos, e seu filho Hugo Lima Silva, de 18 anos, decidiram unir forças para obter renda extra com a venda de salgados. “Optamos por oferecer o serviço por ser uma coisa que minha mãe faz muito bem.”

Ela trabalha como diarista e ele como analista de suporte técnico, além de fazer faculdade de ciência da computação. Hugo conta que a produção de salgados ocorre à noite, quando voltam do trabalho. “Nos finais de semana a linha de produção é mais intensa.”

Hugo Silva e Judite Santana, mãe e filho

Hugo Silva e Judite Santana, mãe e filho usam plataforma para vender salgados

O jovem diz que o negócio paralelo foi iniciado há seis meses. “No começo, percorríamos as ruas do bairro nos finais de semana, batendo de porta em porta para divulgar nosso serviço. Era muito cansativo, principalmente para minha mãe.”

Para facilitar as coisas, ele pesquisou como vender pela internet. “Foi assim que descobri que o portal Mercado da Gula estava sendo construído, assim que foi ao ar, fiz nosso cadastro. No começo, minha mãe estava receosa de receber os pagamentos pela internet. Mas estudo e trabalho com isso, sei como evoluiu a segurança na web. Ao receber o primeiro pagamento, ela ficou emocionada.”

Hugo diz que acreditava que no começo as vendas seriam fracas. “Estava enganado, a resposta está sendo fantástica. A quantidade de ligações que recebemos chega a nos assustar. Já tivemos de recusar encomenda. Minha mãe está até pensando em deixar o trabalho de diarista para que seja possível aumentar a produção”, afirma.

A estratégia que usam para agradar os clientes é enviar um brinde com as encomendas. “A ideia foi da minha mãe. Quando pedem 100 salgadinhos, mandamos 120 para agradar, assim, o cliente sempre vai querer comprar conosco.”

Hugo afirma que o resultado após a inscrição na Mercado da Gula foi muito rápido. “Cerca de uma semana depois já recebemos ligações e começamos a ter encomendas. Achei impressionante a velocidade.”

Segundo ele, mexer no site é muito fácil. “Ensinei minha mãe a cadastrar os produtos, a tirar fotos e postar na nossa página. Ela é completamente leiga em computador e tem conseguido incluir fotos e conferir os pedidos,” conta.

Geolocalização. Segundo ele, a ferramenta de geolocalização existente no Mercado da Gula é muito importante tanto para quem vende como para quem compra. “Muitas vezes, quero comprar um produto e não sei se entregam aqui onde moro, que é um pouco longe de tudo, e tenho de gastar com uma ligação para saber se tem entrega em meu bairro. Além disso, o sistema de pagamento com cartão de crédito ou débito também é fantástico.”

Animado com a demanda crescente, o jovem já planeja alternativas para ampliar as vendas. “Uma coisa que pode dar certo é fazermos uma franquia, ou montarmos um ponto em outro bairro para atender mais pessoas.”