Movimento conecta empresas, investidores e startups

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'100 Open Startups' incentiva inovação e empreendedorismo ao aproximar negócios nascentes de grandes marcas

Claudio Marques

02 de agosto de 2015 | 07h26

A 1ª edição do ‘100 Open Startups’, encerrada em fevereiro, teve mais de três mil inscritos

A 1ª edição do ‘100 Open Startups’, encerrada em fevereiro, teve mais de três mil inscritos

Startups brasileiras têm até 31 de agosto para se inscrever na 2ª edição do movimento ‘100 Open Startups’. O organizador, Bruno Rondani, afirma que esta é a única competição no mundo que reúne mais de 40 empresas de grande porte, como IBM, Natura, 3M, J&J e grupo Fleury, além de dez investidores, que em diferentes etapas avaliam as empresas nascentes.

Nesta edição, as startups concorrentes terão de apresentar soluções nas seguintes áreas: Cidades Inovadoras, Educação do Futuro, Saúde&Bem-estar, Indústria do Futuro, Sociedade da Informação, Energia Elétrica, Agronegócios, Wearables, Petróleo&Gás, MPEs e Desafio Aberto (para quem tiver alguma outra ideia).

Ele conta que o movimento foi criado em 2014, a partir de 15 programas de empreendedorismo, entre eles, a tradicional competição Desafio Brasil, do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (GVCepe). “Víamos que o relacionamento entre grandes empresas e startups não era bem articulado. Criamos o movimento para aproximá-las. A partir do entendimento de quais são os desafios dessas empresas, definimos os temas sobre os quais elas têm interesse em trabalhar com as startups.”

Rondani afirma que o movimento está criando uma metodologia de conexão para inovação. “É o que chamamos de Open Startups.”

Bruno Rondani, organizador do movimento

Bruno Rondani, organizador do movimento

Ele conta que a competição ocorre em quatro etapas. “A primeira é uma autosseleção feita pela comunidade de startups, quando ocorre uma interação entre os empreendedores, que no final definem quais são os projetos que consideram mais interessantes naquele desafio.”

A grande empresa entra na segunda etapa, quando terá contato com os projetos que se destacaram. “É o que chamamos de validação de mercado. As duas etapas ocorrem online.”

A terceira etapa é presencial, ocorre em 13 capitais do País, entre outubro e novembro, e é voltada aos fundos de investimento. “Nela, empresas e startups chamam os investidores para avaliar o que estão conversando e saber se é um bom negócio. É a validação do capital.”

Depois disso, as 100 startups mais atraentes e que tiverem maior número de convites feitos pelas grandes empresas, participam da etapa final, que será no dia 23 de fevereiro de 2016. Em 2014, mais de três mil projetos foram cadastrados.

“Não buscamos startups para resolver problema específico de uma empresa. Buscamos soluções globais de interesse da sociedade, ou que resolvam problemas estruturais de mercado. Queremos identificar boas equipes, com boas ideias, e como rede ajudá-las a construir um empreendimento de sucesso.”

Hélder Léo Alves e seus quatro sócios estavam entre os competidores de 2014. Eles desenvolveram o rastreador de preços online Radar 77. “A ideia surgiu na época do lançamento do Playstation 4.

Observamos uma variação de 53% nos preços de grandes lojas virtuais e vimos que o mercado não tinha uma ferramenta que informasse o menor preço de um produto em tempo real.”

Alves diz que as ferramentas de comparação de preços não oferecem o valor em tempo real. Há poucos meses no mercado, o Radar 77 tem mais de 40 grandes lojas cadastradas na plataforma.

2.8 hélder RADAR 77

Ano passado participamos do movimento 100 Open Startups. Dentre mais de 1,2 mil propostas, ficamos entre as poucas classificadas com nota A. Fomos os vencedores entre as 11 selecionadas para a etapa regional do Rio de Janeiro e seguimos para a etapa nacional. Foi bem interessante, recebemos feedbacks e também foram positivos o networking e a exposição do negócio.”

A rede social de colaboração e troca de serviços Bliive está no ar há um ano e meio e também participou do movimento em 2014. “Nos beneficiamos muito da rede. As competições nos trouxeram muita visibilidade e o Bliive teve grande exposição durante o evento”, diz o diretor de negócios internacionais Breno Valentini.

A plataforma foi criada para aproximar as pessoas e oferecer uma alternativa ao dinheiro, usando o tempo delas para obter e trocar conhecimento. “A pessoa pode, por exemplo, dar uma aula de guitarra durante uma hora. Pela hora oferecida ela recebe um TimeMoney, a moeda de troca da rede. Depois, ela pode trocar esse ‘dinheiro’ pelo que tiver interesse”, conta.

Presente em 112 países e com 100 mil usuários, a Bliive já ofereceu cerca de 100 mil horas de troca de experiências.

Jovens criam palco virtual

Filipe Callil e quatro sócios lançaram a plataforma ClapMe, um palco virtual para que artistas possam fazer apresentações ao vivo, onde e quando quiserem. Além de visibilidade, o artista também pode ter ganhos financeiros com seu trabalho.

“O projeto começou em 2013. Percebemos que mesmo com a evolução tecnológica ainda faltava uma plataforma que possibilitasse, de forma efetiva, o relacionamento entre público e artista. Aproveitamos a tecnologia streaming de transmissão ao vivo de áudio e vídeo para concretizar a ideia”, conta.

2.8 Filipe Callil do ClapMe

 

Callil diz que hoje qualquer um pode agendar shows ou performances dentro da plataforma, com dia e horário predeterminado pelo artista.

“O agendamento ganha destaque na programação oficial do site e no dia e horário da apresentação o público tem acesso a uma serie de ferramentas para interagir com ele.”

Segundo o empresário, o público pode colaborar com ‘tips’, gorjetas virtuais adquiridas no próprio site. “O artista também pode especificar, por exemplo, que quem doar R$ 10 recebe um CD, R$ 20 recebe o CD e uma camiseta, e quem mais doar ganha um prêmio intangível, como uma visita ao camarim, uma viagem com a banda, ou receber um pocket show em sua casa.”

Ele afirma que essas ações geram alguma receita, mas o que mais move os artistas é o engajamento social que conseguem promover com esses shows.

A plataforma ClapMe participou do movimento ‘100 Open Startups’ de 2014. “A troca de figurinhas foi muito bacana. Conseguimos fechar com algumas marcas que passaram a anunciar na nossa plataforma. Acho que esse tipo de iniciativa é uma boa oportunidade, porque a ideia de um outro negócio, mesmo que seja de um segmento totalmente diferente, pode ser complementar ao meu, pode ser uma solução.”

Callil diz que a empresa tem três pilares de receita. “Fazemos publicidade, não com banner tradicional, mas criando projetos customizados para as marcas. Outra fonte vem de comissão que retemos de ferramentas da plataforma, como o próprio ‘tip’. E a partir de agosto, a nova versão da plataforma terá assinatura. Vamos criar um espaço premium.”

Empresa oferece solução para pesquisa presencial

Quando trabalhavam no mercado financeiro, os ex-alunos da Poli-USP Fernando Salaroli e Alessandro Andrade concluíram que não estavam satisfeitos. “A vida estava cheia de pressão e sem liberdade. Achamos que podíamos gerar valor para o mundo fazendo outras coisas”, diz Salaroli.

Eles deixaram o trabalho. Depois de construírem um projeto que consumiu seis meses, viram que não daria certo e tiveram a ideia de inovar na área de pesquisa presencial. “Criamos a LeanSurvey, uma plataforma colaborativa que permite aos usuários responderem perguntas sobre produtos e serviços, ainda receberem dinheiro.”

Alessandro Andrade (à esq.) e Fernando Salaroli da LeanSurvey

Alessandro Andrade (à esq.) e Fernando Salaroli da LeanSurvey

Segundo ele, qualquer um que tenha um smartphone com o aplicativo desenvolvido por eles, e que tenha sido treinada, pode virar pesquisador.

“Conseguimos reduzir o tempo de execução das pesquisas e ainda oferecemos dados de melhor qualidade, porque tudo é auditado por meio de localização GPS, por horário, tempo de digitação, intervalo entre uma pesquisa e outra. A auditoria é feita usando tecnologias disponíveis nos celulares.”

Segundo Salaroli, participar do movimento 100 Open Startups foi muito legal. “Gostamos porque quem faz as avaliações dos negócios são empresas e não juízes. O feedback foi muito bom e serviu para entendermos o modelo de produto que o mercado estava precisando. Depois do evento, passamos a direcionar muito mais os nossos produtos”, afirma.

A LeanSurvey ficou entre as 100 finalistas. “Fomos à banca final e depois disso recebemos investimento de um fundo. Consideramos que a nossa participação foi um marco. Tivemos contato com grandes empresas com as quais ainda mantemos relação, sendo que algumas já contrataram os nossos serviços. O evento nos colocou muito perto do mercado.”

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